Na sessão desta terça-feira, 03 de novembro, a tribuna da Câmara de Vereadores foi palco de um discurso que deixou mais perguntas do que respostas.
O vereador Raimundo do Sindicato, que se autodenomou um “vereador roceiro”, falou diante de moradores, de comunidades rurais, que foram à Casa de Leis cobrar respeito à Lei de Iniciativa Popular que protege nascentes e serras.
Mas sua fala foi confusa — e nas entrelinhas, escondeu críticas que precisam ser compreendidas.
Em um momento, Raimundo reconheceu a importância dos minerais, sem citar impactos, mas fez uma observação curiosa: citou que os Estados Unidos teriam interesse nas terras raras da região, e deu a entender que haveria uma espécie de “amercanização” — como se fosse aceitável estrangeiros explorarem desde que alinhados a certas convicções políticas, enquanto outros seriam barrados.
A impressão que ficou é que a questão ambiental estaria sendo usada como bandeira apenas quando convém, e não como uma defesa real das comunidades impactadas.
A crítica sem nome: “jogo duplo”
O ponto que mais chamou atenção foi quando o vereador fez uma crítica sem citar nomes. Relembrando sua trajetória como sindicalista rural, ele afirmou que, uma liderança precisa mostrar a cara e ser o que é. Não adianta lutar por uma causa e estar em um grupo apenas usando, sendo contra aquela causa.
O que se compreendeu da fala e que poder ser, somada às denúncias que circulam nos bastidores, é que a crítica recai sobre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente — acusada de, mesmo com a lei aprovada pelo povo, estar facilitando para que a empresa de mineração continue realizando pesquisas em áreas protegidas. Ou seja: aparece como quem defende a comunidade em público, mas age de forma contrária nos bastidores.
Raimundo não apontou nomes — e talvez não pudesse. Mas a dúvida ficou no ar para todos que acompanharam a sessão: quem é a liderança que fala uma coisa e faz outra na questão da mineração em Itarantim?
Sabemos que o vereador tem uma atuação interessante no município, mas sempre teve dificuldades em discursos, em ser claro nas suas palavras.
No entanto e desta vez, sua fala confusa pode ter sido proposital: um aviso público de que sabe mais do que diz, e de que há alguém dentro da própria comunidade ou das instituições municipais jogando dos dois lados.
A pergunta que fica é simples: até quando a população aceitará que leis que ela aprovou sejam ignoradas por quem deveria defendê-las? Que a quem Raimundo se referiu, mostre a cara e explique suas ações. A comunidade está atenta. Veja fala do vereador: