Nesta terça, 03 de novembro, moradores da zona rural de Itarantim fixaram sinalização rejeitando pesquisa mineral em seu território. Os moradores, segundo informaram para reportagem do portal Crônicas de Itarantim, defendem suas terras, nascentes, rios e produção familiar diante da especulação por terras raras e nióbio.
Além disso as comunidades cobram mais rigor em uma Lei de Iniciativa Popular que foi criada no municipal para proteger essas áreas. Elas cobram da Secretaria e o Conselho de Meio Ambiente quanto à fiscalização e cumprimento da norma.
Moradores da comunidade do Córgão, zona rural de Itarantim, cidade localizada no Médio Sudoeste da Bahia, realizaram nesta terça-feira, a fixação de placas em repúdio à pesquisa mineral em seu território. A iniciativa, conduzida por membros de associação comunitária, demarca a defesa de áreas de serras e nascentes e reafirma o status de território livre de mineração em locais consideradas sensíveis.
O movimento é mais um capítulo de uma resistência que já dura mais de dois anos e opõe agricultores familiares ao avanço da atividade mineradora. O município vive um cenário de conflito desde 2024, impulsionado pela intensa especulação por terras raras e nióbio na região.
Desde então, as comunidades se organizam em defesa dos recursos hídricos — nascentes e rios —, da produção de alimentos, da biodiversidade e do legado para as gerações futuras.
A luta local transcende o território e dialoga com um debate mais amplo sobre soberania popular e o modelo de desenvolvimento aplicado sobre os espaços vividos. Elementos de terras raras existentes na área despertam cobiça no mercado internacional; para as comunidades, o questionamento central é quem deve decidir o destino dessas terras: as populações que historicamente ali residem ou empresas transnacionais voltadas à exportação de minerais estratégicos?.
Itarantim dispõe de uma Lei de Iniciativa Popular, aprovada pela Câmara de Vereadores, que estabelece a proteção de áreas de águas — rios, nascentes e serras — e de locais de produção de alimentos, impedindo que sejam afetadas por pesquisas minerais. No entanto, essa lei não vem sendo cumprida e nem os órgãos responsáveis estão fiscalizando.
Várias comunidades do município já se manifestaram contra a empresa instalada na região e pedindo o cumprimento da lei; em alguns casos, estradas foram fechadas para impedir a circulação de veículos da companhia.
A expectativa é que nos próximos dias a Secretaria Municipal de Meio Ambiente — alvo de cobranças e críticas frequentes — se pronuncie oficialmente sobre o assunto, assim como o Conselho Municipal de Meio Ambiente, instância responsável pela fiscalização e pelo cumprimento da legislação, inclusive na apuração de possíveis irregularidades na aplicação da norma vigente.
Acompanhe fala de Mateus na sessão da Câmara da noite desta terça-feira, representante do Centro de Estudo e Ação Social (CEAS), e a entrevista que nossa reportagem fez: