Coluna. A conta invisível: Quem realmente paga o banquete da dívida pública?

Esta semana, o Tesouro Nacional divulgou dados que deveriam fazer todo brasileiro parar o que está fazendo: a Dívida Pública Federal (DPF) atingiu a marca de R$ 8,63 trilhões (março/2026). Embora o número tenha apresentado uma queda pontual de 2,34% em relação ao mês anterior, o custo para manter essa estrutura segue em patamares alarmantes, com as novas emissões de títulos sendo contratadas a uma taxa média de 13,92% ao ano.
Mas, para além dos gráficos de economistas e das siglas como Selic, CBS ou IBS, existe uma pergunta que raramente é respondida com clareza: quem, de fato, paga essa conta e quais são as implicações morais disso?
Gastar hoje, cobrar amanhã…
Do ponto de vista neutro, a dívida pública é apresentada como uma ferramenta de gestão: o Estado toma dinheiro emprestado de investidores (bancos, fundos de pensão e até você, via Tesouro Direto) para financiar obras, serviços e o próprio funcionamento da máquina quando a arrecadação de impostos não é suficiente. É o chamado “déficit primário”, que em 2026 já acumula perdas bilionárias.
Já sob a lente libertária, o cenário muda de figura. A dívida pública não é vista como uma “ferramenta”, mas como uma **transferência forçada de riqueza intergeracional. Quando o governo se endivida, ele não está criando riqueza; ele está consumindo hoje um capital que ainda não foi produzido, sob a promessa de que será confiscado via impostos de pessoas que, muitas vezes, sequer nasceram ou votaram.
Quem são os “donos” da dívida?
Ao contrário do que muitos pensam, a dívida não é devida a um “vilão externo”. Cerca de 96% da dívida brasileira é interna. Os principais credores são: Instituições financeiras, Fundos de Investimento (e Pensão), Investidores Estrangeiros.
Aqui reside um paradoxo: muitos cidadãos “lucram” com a dívida através de seus investimentos em renda fixa, mas o próprio Estado utiliza o dinheiro desses cidadãos para se sustentar, devolvendo-o depois através de impostos retirados do consumo e da produção desses mesmos indivíduos.
O Custo Social vs. O Custo Moral
Enquanto o governo celebra o fato de a dívida estar “dentro dos limites projetados”, a realidade econômica impõe dois grandes pesos:
1 – O Efeito “Crowding-out”: Quando o governo precisa de bilhões para se financiar e oferece taxas de quase 14% ao ano, ele drena o capital que poderia estar indo para o setor privado. Por que um investidor arriscaria abrir uma fábrica ou uma startup de tecnologia se ele pode ganhar quase 14% ao ano emprestando para o Estado com “risco zero”?
2 – O Imposto Inflacionário: Quando o custo da dívida se torna impagável via impostos diretos, o Estado recorre à expansão monetária. O resultado? A inflação (IPCA), que corrói o poder de compra dos mais pobres, funcionando como um imposto invisível e profundamente injusto.
A dívida é ética?
Se um pai faz um empréstimo em nome do filho sem o seu consentimento, para gastar em benefício próprio, diríamos que isso é um crime. No entanto, quando o Estado faz o mesmo em escala trilhardária, chamamos de “política fiscal”.
Até que ponto é legítimo que a gestão atual comprometa o trabalho e a liberdade das gerações futuras para manter uma estrutura burocrática e ineficiente hoje? A queda recente na dívida é um alento ou apenas uma flutuação estatística em um mar de insolvência moral?
E você, como se sente sabendo que cada centavo de “investimento estatal” anunciado hoje carrega uma promessa de imposto no seu bolso ou no do seu filho amanhã?
Este texto reflete o debate atual sobre as contas públicas brasileiras em abril de 2026.
*Por Lucas Sobrinho
(73) 98180-9968





