Coluna Política: A eleição da Mesa Diretora e o silêncio que pesa sobre Itarantim

Opinião – Coluna Política
Dizem que a eleição da mesa diretora da Câmara de Vereadores de Itarantim para o próximo biênio que será realizada nesta terça-feira, 20 de outubro, terá chapa única, e que o próximo presidente é o vereador Mauro Sérgio.
A chapa única mostra que nos bastidores houveram acordos e a atuação anêmica de alguns vereadores que não fizeram parte do acordo.
Algumas pessoas da política de Itarantim chegaram a pontuar uma outra possibilidade de chapa com possíveis chances.
A chapa prévia, segundo informações, é formada pelo vereador Carlos Alberto, Pedro Paulo e Léo Ferreira. Esse último, por sinal, vem ocupando a mesa diretora desde o mandato do vereador Zeza.
O atual presidente, o vereador Dudu dos Tutas, já declarou seu voto a Mauro Sérgio; segundo ele, já era um acordo firmado.
Caso não haja uma chapa adversária na eleição desta terça-feira, o que se mostra é que, no processo do legislativo de Itarantim, situação e oposição concordam com os eventos atuais.
No processo democrático, a disputa é um processo salutar; quando não há, é porque todos concordam igualmente, fazendo da casa de leis — que tem a função de fiscalizar — apenas um espaço do que lhes convém.
É papel de um vereador eleito receber cobranças e fiscalizar. Em Itarantim, a população padece por não ter um serviço público de qualidade e ainda muito mais porque muitos vereadores não cumprem sua função.
Dois pontos chamo atenção na cidade que são alvos de cobranças constantes da população nos meios de comunicação do município. Um deles é a situação do Hospital Regional de Itarantim: imagens que constantemente nossa redação recebe mostram uma situação desumana, o calor insuportável para os pacientes que estão internados no local, gente morrendo e gente lá aguardando regulação tendo que enfrentar esse desmando.
Você não vê qualquer tipo de fiscalização da casa de leis nesse ambiente, infelizmente.
Será que nada disso está acontecendo? Tudo está bem e a população está inventando fatos inverídicos sobre essa realidade?
Nas ruas, a cena se repete: esgotos a céu aberto em frente a residências, mau cheiro, risco à saúde. A prefeitura não dá conta de resolver, e a Câmara, que deveria cobrar, propor soluções, pressionar e monitorar, parece manter distância da realidade que a cada dia incomoda mais a população.
E a falta de atuação da prefeitura nesses problemas citados se deve à falta de compromisso com a fiscalização dos vereadores. Quando você tem uma Câmara que fiscaliza e que é atuante, o poder público, neste caso o Executivo, trabalha.
Sem uma Câmara que fiscalize com coragem, o Executivo perde um dos principais estímulos para fazer melhor. Muitos vereadores chegaram ao Legislativo apoiados em pautas populares e na confiança de quem os elegeu. É justo perguntar: esse compromisso terminou no momento em que receberam o diploma?
A eleição da mesa diretora desta terça-feira tem a ver com tudo isso. Uma chapa única pode ser boa para a articulação política de interesse do grupo, já que isso mostra força e mostra a desidratação dos grupos opositores — só não mostra democracia e nem representatividade de parcela da população.
A eleição de amanhã traz a sensação de falta de articulação política, de mobilização de ideias novas para a presidência e até mesmo a falta de representatividade daqueles que confiaram o voto e esperam no mínimo serem representados.
Se não houver chapa adversária, significa que situação e oposição, de alguma forma, convergiram — e é justamente aí que reside a pergunta: em uma Casa de Leis, a concordância nem sempre é sinal de boa política. A disputa, quando saudável, é parte essencial da democracia. Quando ela desaparece, é natural que se questione: estamos diante de um consenso que serve ao interesse coletivo ou a conveniências de grupos?
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