Coluna de sexta-feira: ‘Fogo no Parquinho’. Itarantim sob o peso da omissão: a cidade está sem comando?

“Itarantim está hoje sem prefeito.” Essa é a frase que mais se ouve pelas ruas da cidade. E, como formadores de opinião, devemos tratar esse assunto com extremo cuidado e responsabilidade.
Quando se diz que o cargo está “vacante”, não é um exagero retórico; é a tradução da realidade vivida pela gestão municipal. Vídeos recentes, amplamente divulgados nas redes sociais, mostram o prefeito Fábio Gusmão em situações de embriaguez.
Embora tais cenas possam arrancar aplausos de quem está ao seu redor, não trazem conforto a familiares, amigos e cidadãos que, de fato, se preocupam com o ser humano por trás do cargo.
É preciso questionar: quem cerca o prefeito? Aqueles que aplaudem e proclamam, em comentários nas redes sociais, que este é o “melhor gestor da história”, parecem movidos apenas por interesses pessoais e conveniências políticas.
Fora desse círculo de interesses, a realidade é outra: o gestor encontra-se, na prática, abandonado. Basta observar os ambientes que frequenta.
Surge, então, uma pergunta inevitável: será que não existe, no alto escalão do governo, um interesse real em manter o prefeito nessa condição de vulnerabilidade?
Se a cadeira do Executivo está, de fato, desassistida, cabe à Câmara de Vereadores cumprir seu papel fiscalizador. É dever dos parlamentares verificar se o prefeito está, efetivamente, cumprindo suas funções ou se a ausência de gestão tornou-se a regra.
Todos sabemos que o alcoolismo é uma questão de saúde pública. Quem já vivenciou o problema dentro de casa sabe a dor e a complexidade que ele impõe.
No entanto, estamos tratando de um cargo público. Quando o gestor não reúne mais condições físicas ou mentais de administrar o município, a solução institucional é clara: o afastamento para tratamento e a imediata assunção do vice-prefeito. Afinal, o cargo de vice existe justamente para garantir a continuidade administrativa em momentos de vacância.
Por que, então, a insistência em manter o prefeito nessa situação?
Não podemos normalizar o que é anormal. Esta é uma questão de saúde pública que exige tratamento imediato, para que o prefeito possa recuperar suas condições e dignidade.
A população de Itarantim votou no gestor eleito, confiando-lhe um mandato, e não nos grupos que, por conveniência, se beneficiam dessa instabilidade. A cidade precisa de comando.
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