A festa de 80 anos de Itarantim, que termina nesta segunda-feira, 15 de junho, ficou marcada por um sabor amargo. Entre a ausência do pagamento do 13º salário (que até este final de semana não havia pagado) e a falta da tradicional queima de fogos, o aniversário da cidade deixou a desejar em alguns aspectos importantes.
A gestão do prefeito Fábio Gusmão optou por não realizar o pagamento do 13º salário nesta data, como era de costume. O recurso, que historicamente ajuda a fomentar o comércio local e impulsionava a economia durante o mês de junho, fez falta. O resultado foi uma onda de críticas por parte da população, que viu seu poder de compra reduzido, o que, consequentemente, esfriou a participação popular e o consumo nos dias festivos.
A celebração, que a própria gestão intitulou de “festa da cachaça”, parece ter falhado em suas expectativas. Além da questão financeira, outros pontos negativos saltaram aos olhos. O aspecto visual da cidade foi um deles: em pleno mês junino, as principais avenidas careciam de uma ornamentação que realmente transmitisse a alegria da época.
Outro ponto de frustração foram as constantes mudanças na grade de programação. Atração amplamente anunciada pela prefeitura, como a banda Fantasmão, não subiu ao palco. Segundo a própria banda, a ausência de sua apresentação ocorreu por falta de recursos — fato que ganha contornos de polêmica, considerando que o Ministério Público da Bahia (MP-BA) já havia recomendado cautela à prefeitura quanto aos valores dos cachês dos artistas.
A prefeitura não fez nenhuma comunicação em nota explicando a ausência da banda para a população.
Mas o que talvez tenha ferido o sentimento de pertencimento do cidadão foi o silêncio no céu. Itarantim completou oito décadas de história e, pela primeira vez, não houve a tradicional queima de fogos, um ato simbólico de celebração que faz parte da identidade do município.
Até mesmo o camarote do prefeito (foto em destaque) montado em uma parte lateral do circuito da festa, refletiu o clima da festa: este ano, permaneceu visivelmente mais vazio e sem as pompas de anos anteriores. O espaço, inclusive, tornou-se alvo de críticas até de aliados — aqueles que, outrora, chegavam a exaltar a figura do gestor como um “pai”.
E, é assim que Itarantim encerra seu 80º aniversário: com a economia travada, a população insatisfeita e o céu sem o brilho dos fogos que deveriam saudar uma data tão significativa.