A informalidade no Brasil está crescendo. Essa é uma constatação cada vez mais evidente nas ruas, nos números e, principalmente, na realidade de quem empreende para sobreviver. Mas a pergunta que realmente importa não é “se” ela está crescendo — e sim “por quê”. Trata-se de uma escolha estratégica ou de uma necessidade imposta?
Para entender esse fenômeno, é preciso olhar além das estatísticas e encarar o ambiente econômico brasileiro como ele de fato é. Abrir e manter uma empresa formal no Brasil envolve uma carga tributária elevada, um emaranhado de obrigações acessórias e uma burocracia que consome tempo, energia e dinheiro. Não é raro encontrar pequenos empreendedores que passam mais tempo tentando entender regras fiscais do que focando no próprio negócio.
Nesse contexto, a informalidade deixa de ser apenas uma irregularidade e passa a ser, para muitos, uma forma racional de sobrevivência.
Do ponto de vista libertário, esse cenário revela um problema estrutural: o Estado cria barreiras tão altas para a formalização que, na prática, empurra o cidadão para fora da legalidade. Quando cumprir a lei se torna mais difícil — e mais caro — do que ignorá-la, a escolha pela informalidade não parece mais uma questão moral, mas sim econômica.
Isso não significa que todos que atuam na informalidade estejam apenas reagindo à opressão estatal. Há, sim, casos em que a informalidade é uma escolha estratégica consciente. Alguns empreendedores percebem que, ao evitar tributos e regulamentações, conseguem oferecer preços mais competitivos e operar com maior flexibilidade. Nesse caso, a informalidade se torna uma vantagem de mercado.
Mas essa “vantagem” vem acompanhada de riscos: ausência de proteção jurídica, dificuldade de acesso a crédito, limitação de crescimento e insegurança constante. Ainda assim, muitos consideram que esses riscos são menores do que os custos da formalização.
Essa realidade levanta uma reflexão importante: até que ponto o problema está no comportamento do empreendedor — e não no sistema que o cerca?
Se milhões de brasileiros optam pela informalidade, talvez não estejamos diante de uma falha individual, mas de um desalinhamento coletivo entre as regras impostas e a realidade vivida. Um sistema que exige demais e entrega pouco tende a perder legitimidade aos olhos de quem precisa sobreviver dentro dele.
A informalidade, portanto, pode ser vista como um termômetro. Não apenas da economia, mas da relação entre o cidadão e o Estado. Quanto maior ela cresce, mais evidente se torna que algo não está funcionando como deveria.
A pergunta final não é se devemos combater a informalidade, mas sim: o que precisa mudar para que a formalidade volte a fazer sentido?
Enquanto abrir um CNPJ significar assumir um peso desproporcional em relação ao retorno oferecido, a tendência é clara. A informalidade continuará crescendo — não como um desvio, mas como uma resposta.
*Coluna é de responsabilidade do autor, Lucas Sobrinho.