Itarantim: Terreno que funciona como sede de associação no Mandim virou caso justiça

A disputa por um espaço de mais ou menos 40 metros, onde está localizado um posto de saúde e uma antiga escola rural do município de Itarantim, que hoje funciona como sede da associação do Maninho de Cima, está em conflito de retomada pelo possível proprietário, que foi parar na delegacia territorial de Itarantim.
O assunto é bem complexo e tudo indica que o tema, além de já ter sido levado à delegacia do município, irá para a via judicial caso a Prefeitura Municipal não interfira no assunto. Nesse terreno há duas casas, um posto de saúde e uma que funcionava como escola rural do município, já desativada. De acordo com informações que nossa reportagem coletou junto aos agricultores que fazem parte da associação, esse local foi doado pela Prefeitura há muito tempo para que funcionasse a sede da associação.
Luiz, o presidente da associação, em entrevista com o portal Crônicas de Itarantim, afirmou que, depois de muito tempo, um parente do proprietário que fez a doação deste espaço reivindica agora a retomada deste local. Segundo Luiz, em entrevista que você pode conferir na íntegra após a matéria, o homem de nome Wesley Sousa adentrou o espaço, retirou a cerca ao redor e colocou animais dentro do local.
Nossa redação também ouviu Wesley. Solicitamos uma entrevista com ele no mesmo dia em que entrevistamos o presidente da associação, mas ele não quis falar naquele momento. Ele afirmou por telefone que o espaço foi uma espécie de doação sem documentação, por isso reivindica a retomada do espaço, já que, segundo ele, precisa ocupá-lo com trabalhadores.
Wesley também afirmou que foi à delegacia territorial de Itarantim fazer um boletim de ocorrência por ameaça, dizendo que o presidente da associação o ameaçou. Já o presidente da associação afirmou que não fez nenhum tipo de ameaça. Ele disse que Wesley fazia parte da associação como tesoureiro eleito em 2023, e que sua saída se deu por conta de uma notificação de crime ambiental realizada na região do Mandim.
Nossa redação também teve acesso a um pedido oficial de Wesley para que a prefeitura, por meio de seus mecanismos, fizesse a reintegração de posse do espaço que ele reivindica como seu. No pedido, ele afirma que houve desvio de função no local, que, segundo ele, está sendo utilizado como bar e não como sede da associação.
Nossa redação esteve no local, e pelo que observamos, não funciona como bar; há toda uma característica de associação, com cadeiras para os associados se acomodarem, computador para processos burocráticos e também impressora.
Na solicitação de retomada da posse, Wesley menciona uso abusivo de bebida no local e perturbação ao sossego em altas horas, o que também foi relatado no Boletim de Ocorrência na delegacia.
Luiz e outros integrantes da associação afirmam que tudo isso que está acontecendo é resultado da expulsão de Wesley da associação por ter cometido um crime ambiental, indo contra os princípios da associação, que preserva a questão do meio ambiente, agricultura familiar e alimentos sem veneno. Eles alegaram que Wesley utilizou veneno de forma desenfreada e matou diversas árvores no local, por isso foi notificado pela Secretaria de Meio Ambiente.
Agora, o caso tudo indica que seguirá para o âmbito judicial. Em contato com o advogado de Wesley, ele nos afirmou que o órgão principal que pode interferir e tomar uma decisão final é a Prefeitura. O advogado também nos informou que não há nenhum documento de doação deste terreno que comprove o direito de ocupação da associação no local.
Nossa redação tentou contato com o procurador do município, que, segundo Wesley, que o procurador afirmou que, a Prefeitura resolveria a situação assim que retomasse seus trabalhos oficiais. Até o fechamento desta reportagem, não conseguimos falar com o procurador.
*O espaço fica aberto para qualquer manifestação das partes
Veja documentos citados na reportagem, boletim e entrevista:
(73) 98180-9968










