PORTAL CRÔNICAS DE ITARANTIM – “A Bahia pode virar o novo epicentro econômico do Brasil”, é o que avalia Jurema Paes, historiadora e especialista em direito ambiental. Em entrevista ao Jornal da Cidade desta sexta-feira (6), a profissional explicou o que são as famosas “terras raras” e os “minerais críticos”, tema de nova lei do Governo Federal sancionada em 16 de setembro deste ano, e quais os impactos para o Brasil.
O nome “terras raras” se dá porque existem em poucos lugares do mundo, a exemplo do neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, e são diferentes dos minerais críticos. No Brasil, foram identificados 27 desses dois conjuntos de minerais, que permitem a fabricação de ferramentas tecnológicas, como chip de celular e baterias para carros elétricos: “Para o século XXI existir, com todo o seu aporte tecnológico, essa matéria-prima é essencial”, afirmou Paes.
Já minerais críticos, também abundantes no país, são matérias-primas consideradas essenciais para a economia, a indústria e a segurança nacional, com riscos de abastecimento. Incluem lítio, cobre, níquel, cobalto e grafite, basicamente.
Para ela, a alta quantidade desses elementos no país pode levar o Brasil a sair de um lugar de “neocolônia”: “O Brasil precisa sair desse lugar de exportador de commodities e explorar a tecnologia necessária para saber produzir esses minerais, como faz a China”, disse.
O país asiático é dono da maior quantidade de terras raras e minerais críticos no mundo, enquanto o Brasil vem em segundo lugar. Sobre a Situação da Bahia, Paes trouxe uma atualização surpreendente: “A Agência Nacional de Mineração trouxe um dado importante, pensava-se que o Pará fosse o 2º maior estado que contém esses elementos, mas na verdade, depois de Minas Gerais, o primeiro da lista, é a Bahia. Nós temos sol, temos vento e temos terras raras”, revelou.
Essa novidade pode ser significativa para o futuro da Bahia na visão da historiadora: “Se no século XIX nós fomos a matriz originária do Brasil, esse epicentro econômico pode voltar a ser aqui”, confirmou. Resta apenas, para Jurema Paes, que os impactos socioambientais sejam rigorosamente avaliados e que as comunidades nativas desses locais sejam respeitadas. (Metro1).