Coluna Política — A festa do prefeito e os ausentes: quando o cargo pesa mais que a convicção

A vitória de Lula em Itarantim foi inegável. Saltou de 5.837 para 6.311 votos — 474 votos a mais — e a multidão foi às ruas comemorar. O prefeito Fábio Gusmão subiu no palanque, falou da importância da continuidade e celebrou um resultado que, sem dúvida, fortalece sua posição à frente do governo municipal. Mas enquanto a festa acontecia na Praça Luiz Viana Filho, havia um silêncio eloquente em outros cantos da cidade.
Onde estavam os ocupantes dos cargos de primeiro e segundo escalão da gestão? Aqueles mesmos que batem continência durante o dia, mas que nos corredores, nas feiras, nos botecos da cidade e nas conversas de bairro não faziam questão de esconder: “Eu não voto em Lula”. Bolsonaristas declarados, muitos deles nomeados por indicação direta do prefeito, que ocupam postos-chave da administração. E na noite da vitória? Simplesmente não apareceram. Nenhuma foto, nenhum aceno, nenhuma presença ao lado de quem os nomeou. Opa! pasmem… com exceção do vice-prefeito.
Isso nos leva a uma pergunta incômoda, mas necessária: se não apoiam o projeto político do prefeito, nem o governo federal que ele defende com tanto empenho, por que continuam ocupando cargos de confiança? Confiança, convém lembrar, é uma via de mão dupla. Não dá para usufruir das benesses do cargo sem, ao menos, respeitar publicamente a posição política de quem nos colocou lá.
O cidadão comum tem todo o direito de votar em quem quiser. É a essência da democracia. Mas quando alguém faz parte da estrutura de governo — especialmente de um governo que saiu às ruas pedindo votos para Lula — a ausência na hora da vitória deixa um recado claro: o cargo é bem-vindo, mas o projeto político, esse cada um segue o seu caminho.
Fica a reflexão: até quando uma administração consegue funcionar com uma equipe que não milita — e talvez nem acredita — no próprio barco em que navega? Enquanto isso, o povo observa e tira suas conclusões. E a política, como sempre, cobra seu preço na hora certa. Continua…
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