Assim terminou a participação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026. A imagem, turva e embaçada, retrata o desfecho trágico de uma geração que tinha Neymar como referência, mas que acabou sucumbindo ao próprio fracasso.
A pentacampeã mundial já não impõe o medo de outrora; perdeu o respeito há muito tempo. A eliminação para um time europeu expõe a fragilidade do nosso futebol e, principalmente, a falha na escolha de peças que brilham em seus clubes, mas que, com a amarelinha, deixam a desejar.
Além disso, escancarou-se a falta de liderança e de uma identidade clara. O exemplo mais latente ocorreu na fatídica cobrança de pênalti de Bruno Guimarães: por que não Vinicius Junior? O craque, que atua na primeira prateleira do futebol europeu, foi preterido em favor de um jogador sem experiência decisiva no torneio e que atua em um nível inferior na Inglaterra, digo isso no clube que ele atua.
A seleção brasileira corria atrás do hexa e, ironicamente, o conquistou: o hexa da eliminação. 2006, 2010, a vergonha de 2014, 2018, 2022 e, agora, 2026. Muitos alertavam que o grupo era frágil, e não foi falta de aviso. Basta olhar para a convocação: levou-se um jogador lesionado, sem condições físicas de atuar — caso de Neymar, que mal entrava em campo pelo seu clube.
Questiona-se também a convocação de atletas que, embora tenham começado bem o ciclo sob o comando de Carlo Ancelotti, desapareceram durante o mundial. É o caso de Luiz Henrique, que foi bem em convocações anteriores, mas tornou-se um espectador na Copa, sem sequer pisar no gramado.
No jogo deste domingo, 5 de julho, pelas oitavas de final contra a Noruega, o Brasil ostentou pífios 36% de posse de bola. Especialistas apontaram o absurdo de uma seleção pentacampeã comportando-se como um time pequeno diante de um adversário esforçado, mas longe da elite mundial.
É claro que a seleção brasileira teve chances de “matar o jogo” e não o fez. A Noruega jogava tranquilamente, sem desespero, trocando passes, até que Erling Haaland, no momento oportuno, sacramentou a eliminação com dois gols. Agora, resta ao Brasil juntar os cacos, iniciar um novo ciclo e esquecer uma geração que, embora prometesse muito, encerra sua trajetória de forma frustrada e fracassada.