Coluna do Lucas Sobrinho: ‘O excesso de leis no Brasil está sufocando o cidadão’?

O Brasil é um país onde novas leis surgem com uma frequência impressionante. A cada semana, projetos são apresentados, normas são atualizadas e regulações são criadas com a promessa de resolver problemas econômicos, sociais ou administrativos. No papel, a intenção parece sempre positiva. Na prática, porém, o acúmulo constante de regras tem gerado um efeito cada vez mais difícil de ignorar: um ambiente sufocante para quem vive, trabalha e empreende no país.
Existe uma cultura profundamente enraizada na política brasileira de que todo problema precisa de uma nova lei. Se há aumento de preços, cria-se uma regulação. Se um setor enfrenta dificuldades, surgem novas obrigações. Se há algum comportamento considerado inadequado, a resposta costuma ser mais controle. Esse impulso constante de legislar, no entanto, não considera um fator essencial: o impacto real que esse volume de normas tem sobre o dia a dia das pessoas.
O resultado é um sistema jurídico extremamente complexo, onde até mesmo profissionais especializados enfrentam dificuldades para acompanhar todas as mudanças. Para o cidadão comum, a situação é ainda mais delicada. Muitas vezes, ele sequer tem clareza sobre quais regras precisa cumprir. E viver em um ambiente onde não se entende completamente o que é permitido ou proibido gera um sentimento constante de insegurança.
Essa insegurança não é apenas teórica. Ela afeta diretamente decisões econômicas. Empresas passam a agir com cautela excessiva, evitando riscos que poderiam gerar crescimento. Empreendedores desistem de expandir seus negócios por medo de esbarrar em novas exigências legais. Inovações deixam de acontecer não por falta de capacidade, mas por receio das consequências regulatórias. Assim, o excesso de leis, que deveria trazer ordem, acaba travando o desenvolvimento.
Há também um custo invisível que raramente entra no debate público. Cada nova regra exige adaptação. Isso significa mais tempo dedicado à burocracia, mais recursos investidos em contabilidade, assessoria jurídica e conformidade. Esse custo não desaparece — ele é incorporado aos preços, reduz margens de lucro e impacta diretamente a economia. No fim das contas, quem paga essa conta é sempre o cidadão.
Sob uma perspectiva mais crítica, especialmente dentro de uma visão libertária, o problema vai além da burocracia. O excesso de leis representa uma redução gradual da liberdade individual. À medida que o Estado amplia sua presença por meio de regulações, o espaço para decisões autônomas diminui. O cidadão deixa de agir com base em sua própria responsabilidade e passa a se orientar pelo medo de descumprir alguma norma. A liberdade, nesse contexto, não desaparece de forma abrupta — ela é reduzida aos poucos, regra após regra.
O mais paradoxal é que, mesmo com um volume tão grande de leis, o Brasil não se torna automaticamente mais organizado ou mais justo. Pelo contrário, a complexidade abre espaço para interpretações diferentes, aplicação desigual e insegurança constante. Nem todos conseguem cumprir tudo o tempo todo, e isso cria um ambiente onde o conhecimento do sistema se torna mais valioso do que o próprio cumprimento das regras.
Diante desse cenário, talvez a questão mais importante não seja quantas leis o Brasil ainda precisa criar, mas quantas já poderiam ser simplificadas ou até eliminadas. Um ambiente mais saudável não depende de mais regras, mas de regras mais claras, estáveis e compreensíveis. A previsibilidade é um dos pilares de qualquer economia forte, e ela só existe quando o sistema é simples o suficiente para ser entendido.
O debate sobre o excesso de leis ainda é pouco explorado no país, mas seus efeitos estão presentes no cotidiano de todos. A sensação de burocracia constante, o custo elevado para empreender e a insegurança nas decisões são apenas alguns dos sintomas de um problema estrutural. Talvez esteja na hora de inverter a lógica predominante e questionar não a falta, mas o excesso.
Porque, no final, um país não se torna melhor pela quantidade de leis que cria, mas pela capacidade de garantir que elas sejam necessárias, claras e realmente eficazes.
*Por Lucas Sobrinho
(73) 98180-9968





