O que se fala nos cantos, nas calçadas e nas conversas de Potiraguá é que a qualquer momento — não agora, mas logo após as eleições, quando as urnas forem abertas e os resultados anunciados — a base que sustenta o governo pode rachar. E rachar feio.
Segundo informações apuradas pelo portal Crônicas de Itarantim, uma das rupturas já dada como certa é a do secretário de Meio Ambiente, Diego Cheles. Filho do ex-prefeito Jorge Cheles — e que na gestão do pai foi secretário de Administração — ele já estaria costurando caminho próprio: dizem que prepara candidatura a prefeito.
A estratégia seria sair forte das urnas, carregando o candidato a deputado estadual, Léo de Neco, para chegar com toda a musculatura política nos anos seguintes.
A insatisfação com o prefeito Elias Carvalho é pública nos bastidores. Diego, acostumado a mandar no tempo do pai, viu o cenário mudar quando Elias assumiu e passou a concentrar responsabilidades no filho, Dr. Eduardo. E aí o jogo muda de figura.
Mas não é só ele. O vice-prefeito, Gegel, também anda com a palavra na ponta da língua. Em rodas de conversa, tem dito que assim que passar a eleição, vai “tomar a prefeitura”. Há informação de que ele avalia que o prefeito já não teria condições de governar — e articula, nos bastidores, o afastamento do prefeito.
O detalhe que complica ainda mais: Diego e Gegel não caminham juntos. Não amarram os burros no mesmo lugar. Em falas públicas, já se perceberam alfinetadas, recados dados de um para o outro. Dois focos de tensão que não se somam — o que pode gerar um rompimento em duas frentes.
O que se fala também na cidade é que pouca gente confia no vice-prefeito. As más línguas atestam que Gegel não passa e não transmite confiança nos seus compromissos.
Seria verdade que a implosão do grupo governista pode acontecer a qualquer instante?
E o que é mais curioso é que ninguém aponta a oposição como o perigo imediato. O grupo de Maurício Portugal, que perdeu a última eleição por menos de 200 votos, parece assistir tranquilo sem medo de perder o posto de liderança oposicionista.
O risco, ao que tudo indica, não vem de fora — vem de dentro. Dizem que há gente ali, no meio do governo, silenciosa e calculista, pronta a aplicar o golpe e sentenciar a ruptura assim que as eleições passarem.
É preciso deixar claro de início: a questão aqui não é sobre o governo andar mal. Pelo contrário — a administração do prefeito Elias Carvalho vem realizando um trabalho reconhecido e de qualidade no município. O que se desenha como ameaça não vem da gestão, mas de interesses internos que podem provocar desgaste profundo num verdadeiro turbilhão político.
Caberá ao filho do prefeito, Dr. Eduardo, chefe de gabinete, a missão: costurar este remendo, usar toda a habilidade política e manter a base em pé. Não será tarefa fácil. Porque em Potiraguá, o que se vê é que os verdadeiros opositores não estão do lado de fora do portão — estão sentados à mesa.