Coluna da semana: O papel dos benefícios na economia de Itarantim: um olhar necessário

Nos últimos anos, o Nordeste brasileiro voltou a ser assunto nas discussões sobre economia por um motivo que chama atenção: ao mesmo tempo em que os repasses sociais aumentam, também cresce a dificuldade de aumentar o número de pessoas trabalhando de carteira assinada.
Programas como Bolsa Família, aposentadorias, BPC e outros benefícios têm grande importância para muitas cidades nordestinas, como é o caso da nossa querida Itarantim. Em vários municípios pequenos, boa parte do dinheiro que movimenta o comércio vem justamente desses pagamentos do governo.
Em levantamentos do Ministério do Desenvolvimento Social, o município chegou a registrar mais de 2,3 mil famílias beneficiadas, com repasses mensais que ultrapassaram R$ 430 mil em determinados períodos. (Serviços e Informações do Brasil)
Na prática, isso significa que uma parcela importante da economia local depende diretamente da circulação desses recursos. Supermercados, farmácias, pequenos comércios, feiras e prestadores de serviço acabam sendo impactados positivamente quando os pagamentos são realizados.
Isso acontece porque muitas regiões ainda enfrentam dificuldades antigas, como falta de indústrias, poucos investimentos privados, baixa oferta de empregos e grande número de trabalhadores informais.
Na prática, muitos moradores acabam trabalhando por conta própria, fazendo “bicos”, vendendo produtos ou prestando serviços sem registro em carteira.
Enquanto isso, as vagas formais não crescem na mesma velocidade. E isso não acontece apenas porque as pessoas não querem trabalhar com carteira assinada. O problema envolve vários fatores.
Um dos principais é o alto custo para contratar no Brasil. Além do salário do funcionário, as empresas também precisam pagar impostos, encargos trabalhistas e lidar com bastante burocracia. Para pequenos empresários, principalmente no interior, isso acaba dificultando novas contratações.
Outro ponto importante é a falta de desenvolvimento econômico em algumas regiões. Sem grandes empresas, indústrias ou investimentos, fica mais difícil criar empregos formais.
Além disso, a falta de qualificação profissional também pesa. Muitas empresas encontram dificuldade para contratar trabalhadores especializados fora dos grandes centros urbanos.
Especialistas defendem que o crescimento dos benefícios sociais é importante para ajudar famílias em situação de vulnerabilidade e movimentar a economia local. Por outro lado, também existe a preocupação sobre como gerar mais empregos formais e reduzir a dependência econômica de programas sociais ao longo do tempo.
Entre as soluções mais discutidas estão a redução da burocracia para empresas, mais investimentos, melhora na educação profissional e incentivo ao empreendedorismo.
Em cidades do interior como Itarantim, o desafio acaba sendo ainda maior: manter os benefícios que ajudam milhares de famílias, mas ao mesmo tempo criar oportunidades para que mais pessoas consigam empregos formais, com estabilidade e crescimento profissional.
O aumento dos repasses sociais e a dificuldade de crescimento das carteiras assinadas no Nordeste não têm uma única causa. O cenário envolve questões históricas, econômicas e sociais que ainda fazem parte da realidade de muitas regiões brasileiras.
*Por Lucas Sobrinho
(73) 98180-9968




