{"id":159186,"date":"2023-10-05T22:32:08","date_gmt":"2023-10-06T01:32:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=159186"},"modified":"2023-10-05T22:35:25","modified_gmt":"2023-10-06T01:35:25","slug":"escritor-e-ativista-indigena-ailton-krenak-e-novo-imortal-da-abl","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2023\/10\/05\/escritor-e-ativista-indigena-ailton-krenak-e-novo-imortal-da-abl\/","title":{"rendered":"Escritor e ativista ind\u00edgena Ailton Krenak \u00e9 novo imortal da ABL"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>Com 23 votos, o escritor ind\u00edgena e ativista ambiental Ailton Krenak foi eleito nesta quinta-feira (5) para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele \u00e9 o primeiro ind\u00edgena a ocupar uma cadeira na ABL, assumindo\u00a0a de n\u00famero 5, que pertenceu a Jos\u00e9 Murilo de Carvalho, falecido\u00a0em agosto deste ano. Disputaram com Krenak a historiadora Mary del Priore e o escritor tamb\u00e9m ind\u00edgena Daniel Munduruku, que obtiveram, respectivamente, 12 e quatro votos.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1559477&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1559477&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Para o presidente da ABL, Merval Pereira,\u00a0Krenak \u00e9\u00a0um poeta com\u00a0&#8220;vis\u00e3o de mundo muito pr\u00f3pria e apropriada para este momento, em que o mundo est\u00e1 preocupado com o meio ambiente, em que os povos origin\u00e1rios lutam por seus direitos. Tudo isso est\u00e1 embutido na vit\u00f3ria de Krenak na Academia. \u00c9 um ind\u00edgena que trabalha com a cultura ind\u00edgena, com a valoriza\u00e7\u00e3o da oralidade\u201d.<\/p>\n<p>Merval Pereira citou o livro\u00a0<em>Futuro Ancestral<\/em>,\u00a0de Krenak, que trata da\u00a0preserva\u00e7\u00e3o dos rios como forma de conservar\u00a0o futuro. \u201cOs rios j\u00e1 estavam aqui antes de a gente chegar. Esta vis\u00e3o da natureza, do homem junto com a natureza, \u00e9 que a gente est\u00e1 refor\u00e7ando com esse grande escritor e intelectual ind\u00edgena\u201d.<\/p>\n<p>A acad\u00eamica Rosiska Darcy classificou a elei\u00e7\u00e3o de Krenak como hist\u00f3rica. \u201cN\u00e3o s\u00f3 para Academia, como para o Brasil, n\u00e3o h\u00e1 melhor substituto para um grande historiador do que a hist\u00f3ria encarnada, que \u00e9 o Krenak. Krenak encarna hoje uma parte importante da hist\u00f3ria do Brasil. Estou muito feliz com a elei\u00e7\u00e3o dele\u201d, manifestou a escritora.<\/p>\n<p>A data de posse ainda n\u00e3o foi definida pelo novo imortal da ABL. A escolha \u00e9 um acerto dele com a ABL.<\/p>\n<h2>Ativismo<\/h2>\n<p>Ailton Krenak nasceu em 1953, na regi\u00e3o do vale do rio Doce (MG), territ\u00f3rio do povo Krenak, um local afetado pela atividade de extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios. Krenak \u00e9 ativista do movimento socioambiental e de defesa dos direitos ind\u00edgenas. \u00c9 comendador da Ordem de M\u00e9rito Cultural da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e doutor\u00a0<em>honoris causa<\/em>\u00a0pela Universidade Federal de Minas Gerais e pela Universidade Federal de Juiz de Fora.<\/p>\n<p>Krenak organizou a Alian\u00e7a dos Povos da Floresta, que re\u00fane comunidades ribeirinhas e ind\u00edgenas na Amaz\u00f4nia e contribuiu para a cria\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Ind\u00edgenas (UNI). \u00c9 coautor da proposta da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) que criou a Reserva da Biosfera da Serra do Espinha\u00e7o, em 2005, e \u00e9 membro de seu comit\u00ea gestor.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, foi determinante para a conquista do \u201cCap\u00edtulo dos \u00edndios&#8221;, o cap\u00edtulo 8\u00ba na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, que passou a garantir, no papel, os direitos ind\u00edgenas \u00e0 cultura e \u00e0 terra. Entre os livros mais recentes, est\u00e3o\u00a0<em>Ideias para adiar o fim do mundo<\/em>\u00a0(2019),\u00a0<em>A vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil<\/em>\u00a0(2020),\u00a0<em>Futuro ancestral<\/em>\u00a0(2022) e\u00a0<em>Lugares de Origem\u00a0<\/em>(2021), escrito junto com Yussef Campos.<\/p>\n<p>Em\u00a0<em>A vida n\u00e3o \u00e9 \u00fatil<\/em>, ele aborda a pandemia da covid-19 e diz: \u201cSe durante um tempo \u00e9ramos n\u00f3s, os povos ind\u00edgenas, que est\u00e1vamos amea\u00e7ados da ruptura ou da extin\u00e7\u00e3o do sentido da nossa vida, hoje estamos todos diante da imin\u00eancia de a Terra n\u00e3o suportar a nossa demanda\u201d. Krenak valoriza a cultura ind\u00edgena e mostra que a forma de lidar com a natureza e o mundo t\u00eam muito a ensinar a sociedades capitalistas. \u201cJ\u00e1 vi pessoas ridicularizando: ele conversa com \u00e1rvore, abra\u00e7a \u00e1rvore, conversa com o rio, contempla a montanha, como se isso fosse uma esp\u00e9cie de aliena\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9 a minha experi\u00eancia de vida. Se \u00e9 aliena\u00e7\u00e3o, sou alienado. H\u00e1 muito tempo n\u00e3o programo atividades para depois. Temos de parar de ser convencidos. N\u00e3o sabemos se estaremos vivos amanh\u00e3. Temos de parar de vender o amanh\u00e3\u201d, diz em outro trecho do mesmo livro. (Ag\u00eancia Brasil).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com 23 votos, o escritor ind\u00edgena e ativista ambiental Ailton Krenak foi eleito nesta quinta-feira (5) para a Academia Brasileira de Letras (ABL). 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