{"id":157422,"date":"2023-06-22T11:46:43","date_gmt":"2023-06-22T14:46:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=157422"},"modified":"2023-06-22T11:46:43","modified_gmt":"2023-06-22T14:46:43","slug":"uma-nova-praga-para-os-jovens-cigarros-eletronicos-viram-febre-e-criam-legiao-de-viciados-em-nicotina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2023\/06\/22\/uma-nova-praga-para-os-jovens-cigarros-eletronicos-viram-febre-e-criam-legiao-de-viciados-em-nicotina\/","title":{"rendered":"Uma nova praga para os jovens: cigarros eletr\u00f4nicos viram febre e criam legi\u00e3o de viciados em nicotina"},"content":{"rendered":"<div class=\"styles__Body-sc-1ffquwr-7 ePhtZb\">\n<p>Vape ou pod. O nome \u00e9 simp\u00e1tico. Seus formatos tamb\u00e9m &#8211; muitas vezes, simulam um pendrive ou um batom. O sabor tamb\u00e9m \u00e9 atraente, vai de menta at\u00e9 algod\u00e3o doce. Prometem n\u00e3o s\u00f3 glamour, mas ainda aux\u00edlio na tentativa de largar o v\u00edcio do tabaco. Mas, por tr\u00e1s de tudo isso, a face verdadeira dos cigarros eletr\u00f4nicos escondem mais de duas mil subst\u00e2ncias prejudiciais ao pulm\u00e3o e n\u00edveis de nicotina muito superiores ao que \u00e9 encontrado no cigarro tradicional. O dispositivo, que de inofensivo tem nada, se tornou uma armadilha que amea\u00e7a a sa\u00fade p\u00fablica, sobretudo para os jovens.<\/p>\n<p>Os cigarros eletr\u00f4nicos surgiram no exterior como uma alternativa ao h\u00e1bito de fumar ou at\u00e9 uma estrat\u00e9gia para ajudar a largar o v\u00edcio. Mito. Um mito com consequ\u00eancias perversas e geracionais. O dispositivo definitivamente n\u00e3o \u00e9 prescrito para isso e n\u00e3o auxilia nesse processo. Ele, na verdade, tem muito mais nicotina. Exames realizados pelo Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo indicaram que os n\u00edveis da subst\u00e2ncia em jovens que consomem vape s\u00e3o o equivalente ao consumo de 20 cigarros tradicionais por dia. A m\u00e9dia di\u00e1ria do brasileiro fumante \u00e9 de sete cigarros.<\/p>\n<p><strong>Inimigos desconhecidos<\/strong><\/p>\n<p>A nicotina \u00e9 o vil\u00e3o conhecido dessa hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m fazem parte dessa armadilha outras duas mil subst\u00e2ncias &#8211; entre elas produtos cancer\u00edgenos e t\u00f3xicos que podem causar problemas pulmonares e cardiovasculares. De acordo com a m\u00e9dica pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, uma grande parte desses componentes ainda \u00e9 desconhecida, mas j\u00e1 se sabe que at\u00e9 metais pesados s\u00e3o liberados durante o aquecimento do l\u00edquido presente no dispositivo.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a depend\u00eancia qu\u00edmica causada pela nicotina. \u00c9 tamb\u00e9m a exposi\u00e7\u00e3o a determinadas subst\u00e2ncias que, quando aquecidas a uma temperatura muito alta, seguramente vai causar uma inj\u00faria pulmonar\u201d, explicou a pesquisadora em entrevista \u00e0\u00a0<strong>R\u00e1dio Metropole<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Danos letais<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do aumento de problemas cardiovasculares, os pa\u00edses que adotam esse tipo de produto est\u00e3o registrando uma esp\u00e9cie de epidemia de uma s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda identificada h\u00e1 tr\u00eas anos e causada pelo consumo do vape. A chamada evali vem se apresentando com sintomas comuns, como tosse, dor tor\u00e1cica, falta de ar, febre, calafrios, mas tem matado rapidamente muitos jovens. Nos Estado Unidos, por exemplo, antes da pandemia da Covid-19, foram relacionadas ao evali mais de 2,8 mil interna\u00e7\u00f5es e 68 \u00f3bitos de jovens. No Brasil, de acordo com a pesquisadora da Fiocruz, as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o escassas e, talvez por conta disso, ainda n\u00e3o h\u00e1 registro de mortes atribu\u00eddas a esse quadro.<\/p>\n<p>Segundo o cirurgi\u00e3o tor\u00e1cico e pesquisador do Senai Cimatec Ricardo Sales, para algumas pessoas, o vape pode ser ainda pior do que o convencional. \u201cA maneira que o cigarro eletr\u00f4nico \u00e9 consumido parece uma gordura que voc\u00ea inala e se acumula nos br\u00f4nquios causando inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, fibrose pulmonar. Ent\u00e3o, digo que pode ser que seja at\u00e9 pior do que o cigarro convencional, mas ainda estamos acumulando informa\u00e7\u00e3o para poder afirmar com mais veem\u00eancia. O que a gente sabe \u00e9 que causa sim mal e que deve ser evitado\u201d, afirmou em entrevista \u00e0\u00a0<strong>R\u00e1dio Metropole<\/strong>.<\/p>\n<p><strong>Oferta perversa<\/strong><\/p>\n<p>Basta uma r\u00e1pida pesquisa na internet, que o pr\u00f3prio Google elenca e at\u00e9 tra\u00e7a rotas para lojas que comercializam o dispositivo. Nas praias, em portas de bares e restaurantes tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o raros os vendedores oferecendo cigarros eletr\u00f4nicos. Apesar do f\u00e1cil acesso, no Brasil, a venda do vape \u00e9 proibida pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) h\u00e1 14 anos.<\/p>\n<p>Os dispositivos chegam ao pa\u00eds por contrabando ou fabrica\u00e7\u00e3o clandestina, o que torna a qualidade do produto ainda mais duvidosa. S\u00f3 nos seis primeirs meses de 2023, a Pol\u00edcia Rodovi\u00e1ria Federal apreendeu nas rodovias que cortam a Bahia 160 cigarros eletr\u00f4nicos. O resultado desse cen\u00e1rio enevoado \u00e9 um n\u00famero cada vez maior de pessoas caindo nesta armadilha. Uma pesquisa realizada pelo Ipec apontou que s\u00f3 entre 2018 e 2022 o n\u00famero de pessoas que usam o cigarro eletr\u00f4nico quadruplicou no Brasil. Passou de 500 mil para 2,2 milh\u00f5es consumidores.<\/p>\n<p><strong>Novos alvos<\/strong><\/p>\n<p>Assim como aconteceu com os cigarros convencionais, os eletr\u00f4nicos chegam ao mercado disfar\u00e7ados com a sensa\u00e7\u00e3o de glamour, mas com pre\u00e7os acess\u00edveis. \u00c9 poss\u00edvel adquirir um vape por menos de R$50. Com todos esses atrativos, os jovens ent\u00e3o s\u00e3o as presas perfeitas para esta armadilha.<\/p>\n<p>Por isso, a pesquisadora da Fiocruz \u00e9 categ\u00f3rica. Para ela, os cigarros eletr\u00f4nicos s\u00e3o \u201ca nova desgra\u00e7a que contamina a juventude\u201d. E n\u00e3o \u00e9 para menos. Um levantamento publicado neste ano, pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mostrou que um em cada cinco brasileiros de 18 a 24 anos j\u00e1 usaram, pelo menos uma vez na vida, o cigarro eletr\u00f4nico. Dos 2,8 mil \u00a0internados com evali nos Estados Unidos, 70% tinham menos de 34 anos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o hesito em classificar como a nova desgra\u00e7a na sa\u00fade p\u00fablica, porque esses jovens v\u00e3o se tornar uma nova legi\u00e3o de adictos de nicotina em um futuro muito pr\u00f3ximo. E as pessoas que conseguiram parar de fumar e est\u00e3o se iludindo que com o cigarro eletr\u00f4nico v\u00e3o poder interromper o v\u00edcio de novo, elas ter\u00e3o um risco muito grande de se tornar de novo adictos do h\u00e1bito de fumar\u201d, avaliou Dalcomo.<\/p>\n<p><strong>A ind\u00fastria de sempre<\/strong><\/p>\n<p>Se para alguns os dispositivos representam uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de glamour que mais tarde vai se transformar em graves problemas de sa\u00fade, para outros, o vape \u00e9 simplesmente uma forma de recuperar a demanda. Nos \u00faltimos 60 anos, o Brasil saiu de 35% para 10% da popula\u00e7\u00e3o fumante. A \u00fanica prejudicada nisso foi a ind\u00fastria tabageira, a quem a \u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) atribui mais de 8 milh\u00f5es de mortes por ano.<\/p>\n<p>\u201cQuem est\u00e1 produzindo o vape \u00e9 quem j\u00e1 produzia cigarro. N\u00e3o s\u00e3o novos produtores, \u00e9 a mesma origem. Isso n\u00e3o \u00e9 por acaso e nem \u00e9 um gesto de bondade a favor da sa\u00fade ou do bem comum. S\u00e3o grandes interesses econ\u00f4micos que est\u00e3o envolvidos nisso\u201d, avaliou Dalcomo.<\/p>\n<p>Por tr\u00e1s de uma ind\u00fastria milion\u00e1ria h\u00e1 sempre um forte lobby no Congresso Nacional para defender os interesses de um mercado nem sempre t\u00e3o saud\u00e1vel. No caso dos vapes n\u00e3o \u00e9 diferente, h\u00e1 14 anos a ind\u00fastria tabageira permanece pressionando para que eles sejam regulamentados, com a desculpa de que isso traria mais seguran\u00e7a para os consumidores. Os legisladores e a Anvisa, no entanto, n\u00e3o t\u00eam cedido e os dispositivos continuam proibidos no Brasil. (Reportagem publicada originalmente no\u00a0Jornal Metropole em 22 de junho de 2023).<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"styles__RelatedWrapper-sc-1ffquwr-8 byMLWm\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vape ou pod. O nome \u00e9 simp\u00e1tico. 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