{"id":157061,"date":"2023-06-06T23:52:20","date_gmt":"2023-06-07T02:52:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=157061"},"modified":"2023-06-06T23:52:20","modified_gmt":"2023-06-07T02:52:20","slug":"desigualdade-nove-em-cada-10-jovens-veem-desigualdades-historicas-mostra-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2023\/06\/06\/desigualdade-nove-em-cada-10-jovens-veem-desigualdades-historicas-mostra-pesquisa\/","title":{"rendered":"DESIGUALDADE] Nove em cada 10 jovens veem desigualdades hist\u00f3ricas, mostra pesquisa"},"content":{"rendered":"<div class=\"post-item-wrap\">\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o Juventudes Potentes divulgou nesta ter\u00e7a-feira (6) os resultados de uma pesquisa que buscou investigar o que jovens da capital paulista entendem por injusti\u00e7as estruturais. Uma das constata\u00e7\u00f5es foi a de que nove em cada dez deles acreditam que h\u00e1 um processo de desigualdades hist\u00f3ricas que atinge pessoas e grupos e as mant\u00eam em vantagem, na compara\u00e7\u00e3o com outras parcelas da sociedade.<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1537180&amp;o=node\" \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1537180&amp;o=node\" \/><\/p>\n<p>Ao todo, foram entrevistados 600 jovens das zonas sul e leste da cidade, com idade entre 15 e 29 anos, sendo que 71% dos participantes\u00a0da pesquisa se autodeclararam negros. O per\u00edodo de coleta de respostas foi de dezembro de 2022 a abril de 2023. O processo de pesquisa foi participativo do come\u00e7o ao fim, j\u00e1 que foi tamb\u00e9m um grupo de jovens, chamado de jovens pesquisadores, que\u00a0pensou em como poderia\u00a0extrair melhor as respostas dos demais e que, por isso, ficou respons\u00e1vel por formular as perguntas do question\u00e1rio.<\/p>\n<p>At\u00e9 a semana passada, a organiza\u00e7\u00e3o se chamava Global Opportunity Youth Network &#8211; S\u00e3o Paulo. A mudan\u00e7a de nome busca\u00a0estabelecer\u00a0&#8220;uma conex\u00e3o direta com juventudes historicamente exclu\u00eddas de oportunidades dignas de forma\u00e7\u00e3o e trabalho&#8221;, de acordo com informa\u00e7\u00f5es divulgadas no\u00a0<em><a href=\"https:\/\/unitedwaybrasil.org.br\/?p=10812&amp;utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=juventudes-potentes-nova-narrativa-quer-multiplicar-a-agenda-urgente-da-inclusao-produtiva-de-jovens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">site<\/a><\/em><a href=\"https:\/\/unitedwaybrasil.org.br\/?p=10812&amp;utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=juventudes-potentes-nova-narrativa-quer-multiplicar-a-agenda-urgente-da-inclusao-produtiva-de-jovens\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0da organiza\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de sondar as impress\u00f5es dos jovens sobre o assunto central, a pesquisa permitiu que se conhecesse mais acerca das condi\u00e7\u00f5es em que vivem. Para um quarto dos entrevistados, faltam \u00e1gua (26%) e energia (25%) com frequ\u00eancia, em suas casas, e um quinto (19%) mora em lugares que se tornam, constantemente, pontos de alagamentos. Os negros foram maioria entre os que relataram tais situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A jovem pesquisadora Karina In\u00e1cio, negra e da comunidade Vila Bela, vivencia essa situa\u00e7\u00e3o, diariamente. &#8220;Ontem mesmo faltou \u00e1gua e eu precisava tomar banho para ir \u00e0 faculdade&#8221;, contou ela, que \u00e9 a terceira de sua fam\u00edlia a cursar uma gradua\u00e7\u00e3o. &#8220;A \u00e1gua \u00e9 desligada \u00e0 meia-noite e s\u00f3 volta \u00e0s 6h da manh\u00e3.&#8221;<\/p>\n<h2>Obst\u00e1culos \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e carreira<\/h2>\n<p>Karina vive em um lugar que sofre com o abandono do poder p\u00fablico, mas, por meio de sua fala, o que se percebe \u00e9 que passou, para realizar entrevistas, por locais de moradia ainda mais prec\u00e1rios, com pontes improvisadas interligando passagens de pedestres. Ela destaca o contraste entre a realidade de um jovem de Vila Mariana e uma jovem de Cidade Tiradentes, com os quais conversou. A jovem, lembra Karina, tinha 22 anos e dois filhos e estava desempregada, tendo como \u00fanica fonte de renda a remunera\u00e7\u00e3o do companheiro, de um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>A paternidade e a maternidade precoces e como esses contextos impactam os planos de estudo e profiss\u00e3o foram outros aspectos que a pesquisa capturou. Pelas respostas, identificou-se que 38% t\u00eam filhos, sendo que 37% tornaram-se pais de atingir a maioridade. Outro dado que se levantou \u00e9 que 56% dos jovens que tiveram filhos antes dos 18 anos estudaram somente at\u00e9 o ensino fundamental, o que evidencia como a responsabilidade de se tornar pai ou m\u00e3e muito cedo os impede de conciliar a tarefa com o estudo.<\/p>\n<p>No campo da educa\u00e7\u00e3o, a pesquisa traz informa\u00e7\u00f5es relevantes, como a propor\u00e7\u00e3o de jovens que j\u00e1 cogitou largar os estudos de forma definitiva, que chega a 44%. No total, 21% disseram ter, de fato, interrompido os estudos.<\/p>\n<p>Ao se ler os gr\u00e1ficos do levantamento, nota-se uma rela\u00e7\u00e3o entre a disposi\u00e7\u00e3o para se continuar frequentando a escola e o trabalho infantil ou o trabalho iniciado cedo. A parcela dos jovens que declararam estar trabalhando, atualmente, \u00e9 de 64% e a dos que come\u00e7aram a trabalhar antes de fazer 16 anos de idade \u00e9 de 42%. A maioria (72%) j\u00e1 trabalhou e estudou ao mesmo tempo e 38% n\u00e3o conseguem concluir sua forma\u00e7\u00e3o ou estudar, por n\u00e3o terem tempo dispon\u00edvel. Apesar das dificuldades, 78% dos jovens afirmaram que pretendem continuar ou retomar os estudos.<\/p>\n<p>A hostilidade contra os jovens de periferia permanece sendo um problema. Quase metade dos que responderam ao question\u00e1rio (46%) sofreu preconceito e\/ou discrimina\u00e7\u00e3o das empresas onde trabalharam, por causa de sua origem. Nisso, o empreendedorismo aparece como uma alternativa, uma esp\u00e9cie de ref\u00fagio. Uma parcela de 72% disse que teria uma empresa pr\u00f3pria, se tivesse condi\u00e7\u00f5es. Simultaneamente, a no\u00e7\u00e3o de que a informalidade no mercado de trabalho \u00e9 um mau neg\u00f3cio est\u00e1 presente, j\u00e1 que, na percep\u00e7\u00e3o da maioria, a carteira assinada \u00e9 associada ao que veem como uma boa vaga de emprego.<\/p>\n<h2>Racismo e LGBTQIA+fobia<\/h2>\n<p>Alimentar o sentimento de pertencimento, diante de tantos obst\u00e1culos, pode ser um desafio, sobretudo quando h\u00e1 mais de um marcador social, como \u00e9 o caso da comunidade LGBTQIA+. Para 80% dos jovens da pesquisa que se encaixam nela, a sa\u00fade mental anda &#8220;mais ou menos&#8221; ou &#8220;ruim&#8221;.<\/p>\n<p>Do mesmo modo, o racismo segue segregando, inclusive na escola, como coloca o jovem Jos\u00e9 Ricardo Paiva, membro desde 2021 do coletivo Encrespados, que desenvolve a\u00e7\u00f5es antirracistas e foi\u00a0fundado em 2015.<\/p>\n<blockquote>\n<h5>&#8220;A escola, sendo o primeiro espa\u00e7o formal de ensino e sendo um reflexo de sociedade, tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o em que vivenciamos as primeiras viol\u00eancias, porque a escola, como um ambiente formal e estruturado, tamb\u00e9m faz parte dessa estrutura que acaba violentando determinados corpos, g\u00eaneros, etnias&#8221;, afirma.<\/h5>\n<\/blockquote>\n<p>&#8220;A\u00ed, a gente pensa, o que a gente faz para tentar amenizar um pouco dessas dores que esses corpos v\u00eam sofrendo ao longo de toda a sua vida? Porque o lugar onde voc\u00ea nasce, a sua cor, a sua orienta\u00e7\u00e3o [sexual], o seu g\u00eanero s\u00e3o determinantes para o seu trajeto e acho que a gente tem que admitir isso. A primeira etapa para voc\u00ea trabalhar uma educa\u00e7\u00e3o antirracista \u00e9 voc\u00ea reconhecer essa estrutura. Se voc\u00ea olha para esses dados e eles n\u00e3o falam sobre a sua realidade, eles falam sobre a realidade de algu\u00e9m. E a\u00ed, a gente precisa olhar: quem \u00e9 esse algu\u00e9m? Onde eles est\u00e3o? Est\u00e3o na margem da cidade.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar dos obst\u00e1culos, 74% dos jovens afirmaram se sentir parte da cidade. &#8220;Homens circulam e se sentem mais parte da cidade do que mulheres. Cinco em cada dez mulheres n\u00e3o se sentem seguras de chegar tarde em casa e tr\u00eas em cada dez jovens LGBTQIA+ n\u00e3o se sentem seguros no bairro onde moram&#8221;, observa Emilly Carvalho, que integra a Rede Conhecimento Social.<\/p>\n<h2>Perseguindo os sonhos<\/h2>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m se interessou por saber quais as expectativas, afinal, dos jovens que vivem na capital. Um total de 34% deseja ter uma casa pr\u00f3pria, enquanto 31% pretendem trabalhar com o que acredita e 18% querem trabalhar por conta pr\u00f3pria. Um quinto deles (20%) sonha\u00a0em fazer uma faculdade e 18% deles estar\u00e3o satisfeitos se tiverem um emprego e um sal\u00e1rio que cubra o pagamento das contas.<\/p>\n<p>Somente 17% t\u00eam no horizonte a constru\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia. A maioria (98%) acredita que vai conseguir alcan\u00e7ar seus sonhos, com a for\u00e7a que Jos\u00e9 Ricardo Paiva sugere que tenham e contrariando as fam\u00edlias de metade deles, que j\u00e1 se sentiram desacreditados diante delas: &#8220;N\u00e3o deixar a quebrada onde a gente mora ser um cemit\u00e9rio de sonhos.&#8221; (Ag\u00eancia Brasil).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A organiza\u00e7\u00e3o Juventudes Potentes divulgou nesta ter\u00e7a-feira (6) os resultados de uma pesquisa que buscou investigar o que jovens da capital paulista entendem por injusti\u00e7as estruturais. Uma das constata\u00e7\u00f5es foi a de que nove em cada dez deles acreditam que h\u00e1 um processo de desigualdades hist\u00f3ricas que atinge pessoas e grupos e as mant\u00eam em vantagem, na compara\u00e7\u00e3o com outras parcelas da sociedade. 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