{"id":152158,"date":"2022-11-20T19:43:22","date_gmt":"2022-11-20T22:43:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=152158"},"modified":"2022-11-20T19:43:22","modified_gmt":"2022-11-20T22:43:22","slug":"consciencia-negra-expressoes-reforcam-racismo-e-devem-ser-evitadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2022\/11\/20\/consciencia-negra-expressoes-reforcam-racismo-e-devem-ser-evitadas\/","title":{"rendered":"Consci\u00eancia Negra: express\u00f5es refor\u00e7am racismo e devem ser evitadas"},"content":{"rendered":"<h3 class=\"article-sub-heading\">Defensoria da Bahia criou Dicion\u00e1rio de Express\u00f5es (Anti) Racistas<\/h3>\n<div class=\"article-image-slot\" data-is-first=\"true\" data-image-href=\"https:\/\/www.msn.com\/pt-br\/noticias\/brasil\/consci%C3%AAncia-negra-express%C3%B5es-refor%C3%A7am-racismo-e-devem-ser-evitadas\/ar-AA14kXZw?ocid=msedgntp&amp;cvid=477142e979ab46ec98495425df4c27cf&amp;fullscreen=true#image=1\" data-doc-id=\"cms\/api\/amp\/image\/AA14kXZs\" data-rendered=\"true\">\n<div class=\"article-image-container image-first\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;OpenModal&quot;,&quot;t&quot;:13}\">No\u00a0<strong>Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra<\/strong>, lembrado neste domingo (20),\u00a0<strong>especialistas alertam para a necessidade<\/strong>\u00a0de se repensar o uso de termos e express\u00f5es que\u00a0<strong>refor\u00e7am o racismo<\/strong>. H\u00e1 casos em que essas palavras s\u00e3o reproduzidas sem que as pessoas tenham o conhecimento hist\u00f3rico da origem delas.<\/div>\n<\/div>\n<p data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Para conscientizar sobre o tema, a Defensoria P\u00fablica da Bahia lan\u00e7ou o\u00a0<a tabindex=\"0\" href=\"http:\/\/www.defensoria.ba.def.br\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/sanitize_231121-125536.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;destination&quot;,&quot;t&quot;:13,&quot;b&quot;:1,&quot;c.t&quot;:7}\">Dicion\u00e1rio de Express\u00f5es (Anti) Racistas<\/a>, no ano passado.<\/p>\n<div class=\"intra-article-module intra-article-ad-half\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;intraArticle&quot;,&quot;t&quot;:13}\">\n<div class=\"native-ad-container native-ad-half\">\n<div class=\"article no-content-indicator image-pos-end\">\n<div class=\"text\">\n<p data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">\u201cNosso idioma foi constru\u00eddo sob forte influ\u00eancia do per\u00edodo de escraviza\u00e7\u00e3o e muitas destas express\u00f5es seguem sendo usadas at\u00e9 hoje, ainda que de forma inconsciente ou n\u00e3o intencional. Precisamos repensar o uso de palavras e express\u00f5es que s\u00e3o frutos de uma constru\u00e7\u00e3o racista\u201d, destaca a publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">A cartilha cita express\u00f5es como \u201ca coisa t\u00e1 preta\u201d, em que a cor preta ou negra \u00e9 usada em uma conota\u00e7\u00e3o negativa, e prop\u00f5e a substitui\u00e7\u00e3o para \u201ca situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Outro exemplo de express\u00e3o considerada racista \u00e9 \u201ccabelo ruim\u201d para designar cabelo crespo ou cacheado. A publica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aponta as express\u00f5es \u201cmercado negro, magia negra, humor negro e ovelha negra\u201d \u2013 em que a palavra \u2018negro\u2019 representa algo pejorativo, prejudicial, ilegal. Como alternativa, prop\u00f5e-se o uso de mercado clandestino, lista proibida e humor \u00e1cido.<\/p>\n<p class=\"continue-read-break\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">\u201cO racismo se revela de diversas formas em nossa sociedade. Estas microagress\u00f5es, al\u00e9m de reproduzirem um discurso racista, ao identificarem a negritude como marcador de inferioridade social, afetam o bem-estar de pessoas negras\u201d, diz a cartilha.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">H\u00e1 outras palavras menos \u00f3bvias, como \u201cbo\u00e7al\u201d, descrita na cartilha como \u201crefer\u00eancia aos escravizados que n\u00e3o sabiam falar a l\u00edngua portuguesa\u201d. Essa desqualifica\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 uma das formas de racismo que, segundo o linguista e professor da Universidade Federal do Sul da Bahia Gabriel Nascimento, persiste nos dias atuais.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">\u201cAs palavras s\u00e3o resultado de uma forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica racista. O racismo lingu\u00edstico n\u00e3o se resume \u00e0s palavras\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Nascimento lembra que os negros representam mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o brasileira. \u201cEssa popula\u00e7\u00e3o modificou essa l\u00edngua. Ela \u00e9 parte dessa l\u00edngua porque essa l\u00edngua \u00e9 dela. No entanto, quando a gente vai falar de como o Estado e as pessoas tratam as pessoas negras, normalmente a elas \u00e9 imposta uma falta de autoestima lingu\u00edstica, como pessoas que n\u00e3o s\u00e3o portadoras da capacidade de falar essa l\u00edngua de maneira org\u00e2nica e politicamente, de se comunicar\u201d, destaca.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">O uso das palavras tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de disputa, segundo Nascimento. Ele destaca a palavra \u201cnegro\u201d aplicada a pessoas, que n\u00e3o tinha equivalente na \u00c1frica antes da invas\u00e3o europeia. \u201cComo voc\u00ea explica um pa\u00eds onde \u2018negro\u2019 seja uma palavra usada ao mesmo tempo para politizar uma popula\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a e tamb\u00e9m para racismo? Ao mesmo tempo que o homem preto positiva a sua narrativa\u00a0 \u2013 \u201ceu sou um homem negro\u201d \u2013 voc\u00ea tem a presen\u00e7a desse homem negro sendo chamado por uma mulher branca de \u2018negro fedido\u2019\u201d, diz, usando como exemplo o caso de racismo contra o humorista Eddy J\u00fanior, ofendido por uma vizinha no condom\u00ednio onde mora na zona oeste da capital paulista em outubro de 2022.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\"><strong>Influ\u00eancia africana<\/strong><\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Uma das maiores demonstra\u00e7\u00f5es do racismo na l\u00edngua portuguesa no Brasil \u00e9 a falta de estudo da influ\u00eancia das l\u00ednguas africanas na forma\u00e7\u00e3o do idioma, segundo Gabriel Nascimento \u2013\u00a0 que \u00e9 autor do livro Racismo Lingu\u00edstico.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">\u201cO fato de a gente levar 14 anos na educa\u00e7\u00e3o formal tentando aprender a diferen\u00e7a entre adjunto adnominal e complemento nominal mostra o qu\u00e3o colonial, o quanto de racismo lingu\u00edstico a gente tem no nosso portugu\u00eas. Porque a gente n\u00e3o identifica a import\u00e2ncia das l\u00ednguas bantus [grupo \u00e9tnico africano], a sua influ\u00eancia nos falares do Brasil\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Esses idiomas influenciaram n\u00e3o s\u00f3 com palavras que s\u00e3o usadas no cotidiano brasileiro, como tamb\u00e9m, de acordo com Nascimento, at\u00e9 na sintaxe predominante no pa\u00eds. Entre as palavras, o pesquisador aponta como exemplos samba, bunda, cachimbo, acalanto, dengo, quiabo, bengala.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">H\u00e1 ainda, segundo ele, usos comuns que na chamada norma culta acabam sendo considerados incorretos. \u201cA gente n\u00e3o sabe, por exemplo, que nas l\u00ednguas bantus, que s\u00e3o l\u00ednguas extremamente prefixais, toda a informa\u00e7\u00e3o de plural e singular entra de maneira prefixal. Nessas l\u00ednguas voc\u00ea normalmente coloca as informa\u00e7\u00f5es de singular e plural no primeiro tra\u00e7o da palavra\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"\" data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">\u201cQuando voc\u00ea faz a concord\u00e2ncia em \u2018as menina\u2019, voc\u00ea apenas coloca o plural no primeiro item. Essa influ\u00eancia \u00e9 vista normalmente no Brasil como erro. Mas ela \u00e9 uma influ\u00eancia bantu muito leg\u00edtima e vai se reproduzir em outros lugares\u201d, exemplifica. S\u00e3o elementos culturais importantes que, na vis\u00e3o do professor, n\u00e3o t\u00eam a aten\u00e7\u00e3o devida. \u201cAs nossas escolas n\u00e3o abordam conte\u00fados lingu\u00edsticos africanos. Essa diversidade brasileira da l\u00edngua foi ignorada pelas escolas\u201d, afirma.<\/p>\n<p data-t=\"{&quot;n&quot;:&quot;blueLinks&quot;}\">Foto em destaque: Quilombo de \u00c1gua Doce, Anag\u00e9-Bahia<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Defensoria da Bahia criou Dicion\u00e1rio de Express\u00f5es (Anti) Racistas No\u00a0Dia Nacional da Consci\u00eancia Negra, lembrado neste domingo (20),\u00a0especialistas alertam para a necessidade\u00a0de se repensar o uso de termos e express\u00f5es que\u00a0refor\u00e7am o racismo. H\u00e1 casos em que essas palavras s\u00e3o reproduzidas sem que as pessoas tenham o conhecimento hist\u00f3rico da origem delas. 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