{"id":150005,"date":"2022-08-19T00:08:56","date_gmt":"2022-08-19T03:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=150005"},"modified":"2022-08-19T00:20:31","modified_gmt":"2022-08-19T03:20:31","slug":"stj-veda-atuacao-da-guarda-municipal-como-forca-policial-e-limita-hipoteses-de-busca-pessoal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2022\/08\/19\/stj-veda-atuacao-da-guarda-municipal-como-forca-policial-e-limita-hipoteses-de-busca-pessoal\/","title":{"rendered":"STJ veda atua\u00e7\u00e3o da guarda municipal como for\u00e7a policial e limita hip\u00f3teses de busca pessoal"},"content":{"rendered":"<p>A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) refor\u00e7ou o entendimento de que a guarda municipal, por n\u00e3o estar entre os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica previstos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, n\u00e3o pode exercer atribui\u00e7\u00f5es das pol\u00edcias civis e militares. Para o colegiado, a sua atua\u00e7\u00e3o deve se limitar \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de bens, servi\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio.<\/p>\n<p>O colegiado tamb\u00e9m considerou que s\u00f3 em situa\u00e7\u00f5es absolutamente excepcionais a guarda pode realizar a abordagem de pessoas e a busca pessoal, quando a a\u00e7\u00e3o se mostrar diretamente relacionada \u00e0 finalidade da corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A tese foi firmada em julgamento de recurso no qual foram declaradas il\u00edcitas as provas colhidas em busca pessoal feita por guardas municipais durante patrulhamento rotineiro. Em consequ\u00eancia, foi anulada a condena\u00e7\u00e3o do r\u00e9u por tr\u00e1fico de drogas.<\/p>\n<p>O relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, destacou a import\u00e2ncia de se definir um entendimento da corte sobre o tema, tendo em vista o quadro atual de expans\u00e3o e militariza\u00e7\u00e3o dessas corpora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo explicou, o prop\u00f3sito das guardas municipais vem sendo significativamente desvirtuado na pr\u00e1tica, ao ponto de estarem se equipando com fuzis, armamento de alto poder letal, e alterando sua denomina\u00e7\u00e3o para &#8220;pol\u00edcia municipal&#8221;.<\/p>\n<h4>Atribui\u00e7\u00f5es da guarda municipal foram definidas na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988<\/h4>\n<p>O ministro apontou que o poder constituinte origin\u00e1rio excluiu propositalmente a guarda municipal do rol dos \u00f3rg\u00e3os da seguran\u00e7a p\u00fablica (<b><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art144\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 144, <i>caput<\/i><\/a><\/b>) e estabeleceu suas atribui\u00e7\u00f5es e seus limites no <b><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/constituicao\/constituicao.htm#art144%C2%A78\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">par\u00e1grafo 8\u00ba<\/a><\/b> do mesmo dispositivo.<\/p>\n<p>Schietti observou que, apesar de estar inserida no mesmo cap\u00edtulo da Constitui\u00e7\u00e3o, a corpora\u00e7\u00e3o tem poderes apenas para proteger bens, servi\u00e7os e instala\u00e7\u00f5es do munic\u00edpio, n\u00e3o possuindo a mesma amplitude de atua\u00e7\u00e3o das pol\u00edcias.<\/p>\n<p>Conforme o ministro, as pol\u00edcias civis e militares est\u00e3o sujeitas a um r\u00edgido controle correcional externo do Minist\u00e9rio P\u00fablico e do Poder Judici\u00e1rio, que \u00e9 uma contrapartida do exerc\u00edcio da for\u00e7a p\u00fablica e do monop\u00f3lio estatal da viol\u00eancia. Por outro lado, as guardas municipais respondem apenas, administrativamente, aos prefeitos e \u00e0s suas corregedorias internas.<\/p>\n<p>Para ele, seria potencialmente ca\u00f3tico &#8220;autorizar que cada um dos 5.570 munic\u00edpios brasileiros tenha sua pr\u00f3pria pol\u00edcia, subordinada apenas ao comando do prefeito local e insubmissa a qualquer controle externo&#8221;.<\/p>\n<h4>N\u00e3o \u00e9 qualquer um que pode avaliar se h\u00e1 suspeita para a busca<\/h4>\n<p>O ministro explicou que a guarda municipal n\u00e3o est\u00e1 impedida de agir quando tem como objetivo tutelar o patrim\u00f4nio do munic\u00edpio, realizando, excepcionalmente, busca pessoal quando estiver relacionada a essa finalidade. Essa exce\u00e7\u00e3o, entretanto, n\u00e3o se confunde com permiss\u00e3o para realizar atividades ostensivas ou investigativas t\u00edpicas das pol\u00edcias no combate \u00e0 criminalidade.<\/p>\n<p>Em seu voto, Schietti assinalou que a fundada suspeita mencionada pelo <b><a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689compilado.htm#art244\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 244 do C\u00f3digo de Processo Penal (CPP)<\/a><\/b> \u00e9 um requisito necess\u00e1rio para a realiza\u00e7\u00e3o de busca pessoal, mas n\u00e3o suficiente, porque n\u00e3o \u00e9 a qualquer cidad\u00e3o que \u00e9 dada a possibilidade de avaliar sua presen\u00e7a.<\/p>\n<p>Quanto ao <b><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/decreto-lei\/del3689compilado.htm#art301\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo 301 do CPP<\/a><\/b>, que permite a qualquer pessoa do povo efetuar uma pris\u00e3o em flagrante, o ministro observou que n\u00e3o \u00e9 fundamento v\u00e1lido para justificar a busca pessoal por guardas municipais, ao argumento de que quem pode prender tamb\u00e9m poderia realizar uma revista, que \u00e9 menos grave.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese do artigo 301, segundo ele, se aplica apenas ao caso de flagrante vis\u00edvel de plano, o qual se diferencia da situa\u00e7\u00e3o flagrancial que s\u00f3 \u00e9 descoberta ap\u00f3s a realiza\u00e7\u00e3o de dilig\u00eancias invasivas t\u00edpicas da atividade policial, tal como a busca pessoal, &#8220;uma vez que n\u00e3o \u00e9 qualquer do povo que pode investigar, interrogar, abordar ou revistar seus semelhantes&#8221;.<\/p>\n<p><b><a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/SiteAssets\/documentos\/noticias\/RESp1977119%2018082022.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia o voto do relator no REsp 1.977.119.<\/a><br \/>\nEsta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s):<\/b><\/p>\n<ul>\n<li><b><a href=\"https:\/\/ww2.stj.jus.br\/processo\/pesquisa\/?aplicacao=processos.ea&amp;tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&amp;termo=REsp%201977119\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">REsp 1977119<\/a><\/b><\/li>\n<\/ul>\n<p>Fonte: <b>STJ<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Sexta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) refor\u00e7ou o entendimento de que a guarda municipal, por n\u00e3o estar entre os \u00f3rg\u00e3os de seguran\u00e7a p\u00fablica previstos pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal, n\u00e3o pode exercer atribui\u00e7\u00f5es das pol\u00edcias civis e militares. 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