{"id":145236,"date":"2022-01-15T12:57:13","date_gmt":"2022-01-15T15:57:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=145236"},"modified":"2022-01-15T12:57:13","modified_gmt":"2022-01-15T15:57:13","slug":"com-tornozeleira-eletronica-mulheres-sao-expulsas-de-lugares-onde-moram-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2022\/01\/15\/com-tornozeleira-eletronica-mulheres-sao-expulsas-de-lugares-onde-moram-na-bahia\/","title":{"rendered":"Com tornozeleira eletr\u00f4nica, mulheres s\u00e3o expulsas de lugares onde moram na Bahia"},"content":{"rendered":"<h4 class=\"amp-correio24horas__subheader\">Reportagem do Correio-Fernanda Dantana.<\/h4>\n<h4 class=\"amp-correio24horas__subheader\">S\u00e3o 163 mulheres monitoradas no estado e expuls\u00e3o ocorre porque &#8216;chefes do tr\u00e1fico&#8217; n\u00e3o as querem por perto; entenda.<\/h4>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia: mudar, morrer ou voltar para o crime. Entre as op\u00e7\u00f5es, Lurdes* escolhe a primeira. Os criminosos que dominam a regi\u00e3o tamb\u00e9m querem que ela mude. Mas n\u00e3o basta vontade. Para sair do bairro, Lurdes, que \u00e9 monitorada por uma tornozeleira eletr\u00f4nica, precisa de autoriza\u00e7\u00e3o judicial. H\u00e1 oito meses, ela espera uma.<\/p>\n<p>Todos os dias, repete o mesmo ritual de acessar o site da Justi\u00e7a e ver o andamento do pedido de mudan\u00e7a de endere\u00e7o. \u201cEle [o juiz] n\u00e3o olha\u201d, reclama. Quando saem da pris\u00e3o, as mulheres n\u00e3o s\u00e3o bem aceitas nos lugares onde moravam, se usarem tornozeleiras. Se a not\u00edcia de que s\u00e3o monitoradas corre, s\u00e3o for\u00e7adas a sair do bairro. Elas s\u00e3o associadas a opera\u00e7\u00f5es policiais.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essa associa\u00e7\u00e3o da tornozeleira com a presen\u00e7a da pol\u00edcia n\u00e3o encontra base. Mas a verdade \u00e9 que Lurdes, que mora em um bairro do Sub\u00farbio Ferrovi\u00e1rio de Salvador, s\u00f3 veste saias e vestidos compridos para evitar problemas. Sem a resposta pela qual espera diariamente, o tempo passa e a press\u00e3o do crime sobre ela continua.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Eles [os criminosos] me dizem: &#8216;\u00e9, morena, est\u00e1 aqui, mas n\u00e3o venha trazer pol\u00edcia&#8217;. Em poucas palavras, a gente entende o recado. Eu preciso me mudar\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Na Bahia, s\u00e3o 163 mulheres com tornozeleira depois de cometerem algum delito, segundo a Secretaria da Administra\u00e7\u00e3o Penitenci\u00e1ria e Ressocializa\u00e7\u00e3o (Seap).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Durante os dois anos de liberdade, Lurdes mudou de endere\u00e7o tr\u00eas vezes. Em todos os bairros, todos nas periferias de Salvador, sofreu amea\u00e7as. Na linguagem do crime, n\u00e3o \u00e9 preciso verbalizar o \u201cv\u00e1 embora\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u201cAs amea\u00e7as s\u00e3o constantes. H\u00e1 casos de mulheres que tiraram a tornozeleira no Instituto M\u00e9dico Legal [IML], mortas\u201d<\/strong>, diz Luz Marina, coordenadora do Escrit\u00f3rio Social da Bahia, equipamento estadual voltado para a ressocializa\u00e7\u00e3o de egressos do sistema prisional que envolve \u00f3rg\u00e3os como a Seap (administradora), o Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ), o Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia (TJ-BA) e o Departamento Penitenci\u00e1rio Nacional (Depen).<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para aquelas que buscam um destino diferente, o Escrit\u00f3rio Social, no bairro de Brotas, \u00e9 um destino em comum. Costumam chegar sozinhas l\u00e1, sem apoio da fam\u00edlia ou dos companheiros. Com os homens, \u00e9 diferente. A solid\u00e3o\u00a0\u00e9 uma companhia mais pr\u00f3xima\u00a0das egressas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">&#8220;A rejei\u00e7\u00e3o da comunidade \u00e9 mais gravosa para as mulheres. Os homens acabam tendo uma aceita\u00e7\u00e3o maior. O pedido de mudan\u00e7a de endere\u00e7o que chega at\u00e9 n\u00f3s \u00e9 porque elas s\u00e3o associadas \u00e0 presen\u00e7a da pol\u00edcia num ambiente&#8221;, explica Pedro Casali, coordenador da Especializada Criminal de Execu\u00e7\u00e3o Penal da Defensoria P\u00fablica da Bahia.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u00c9 na Defensoria\u00a0que se concentra a busca por assist\u00eancia jur\u00eddica.\u00a0At\u00e9 2020, os pedidos de mudan\u00e7a de endere\u00e7o eram submetidos \u00e0 Central de Monitoramento Eletr\u00f4nica da Seap. No ano seguinte,\u00a0isso mudou: os pedidos devem ser levados \u00e0 Justi\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para alcan\u00e7ar a justi\u00e7a, os monitorados &#8211; n\u00e3o s\u00f3 as mulheres &#8211; precisam de assist\u00eancia jur\u00eddica, o que requer dinheiro. A Defensoria presta atendimento gratuito.\u00a0Mas nem o \u00f3rg\u00e3o, nem o TJ-BA possuem estat\u00edsticas de quantos s\u00e3o os pedidos de mudan\u00e7a de endere\u00e7o, nem estimam a demora\u00a0para ocorrer o julgamento.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\n<div class=\"embed-content\">\n<div class=\"flourish-embed flourish-chart\" data-src=\"visualisation\/8386132\"><\/div>\n<\/div>\n<p class=\"bodytext\">A dificuldade em estimar tempo e volume de solicita\u00e7\u00f5es acontece porque os pedidos s\u00e3o peticionados junto aos processos. A demora \u00e9 vivenciada, e sofrida, por mulheres como Lurdes: elas sabem que, se n\u00e3o conseguem mudar de endere\u00e7o, a coer\u00e7\u00e3o para\u00a0que voltem ao\u00a0crime tamb\u00e9m pode acontecer. At\u00e9 porque\u00a0a oferta de emprego n\u00e3o est\u00e1 em alta (muito pelo contr\u00e1rio), e esse contexto \u00e9\u00a0<a href=\"https:\/\/jus.com.br\/artigos\/87009\/a-reinsercao-do-egresso-do-sistema-prisional-no-mercado-de-trabalho-as-dificuldades-encontradas-para-sua-inclusao-social\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ainda pior para egressos do sistema prisional<\/a>, que enfrentam o preconceito de empregadores.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Lurdes est\u00e1 desempregada depois de passar seis meses trabalhando num hospital. Ela deixou a vaga pois n\u00e3o conseguia chegar \u00e0s 19h, hor\u00e1rio limite que pode estar fora de casa. Agora, trabalha como\u00a0faxineira.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><b>Persegui\u00e7\u00e3o a monitoradas \u00e9 outra &#8220;pris\u00e3o&#8221;\u00a0<\/b><br \/>\nLuz Marina, do Escrit\u00f3rio Social da Bahia, lembra uma hist\u00f3ria que ilustra a constante fuga das monitoradas. \u201cOutro dia, uma saiu para comprar um acaraj\u00e9. Quando voltou, o chefe da boca disse: &#8216;por que voc\u00ea saiu e a Rondesp [Rondas Especiais da PM] passou aqui? N\u00e3o saia mais de casa&#8217;\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A tornozeleira eletr\u00f4nica \u00e9 permitida pela legisla\u00e7\u00e3o para monitorar presos em sa\u00eddas tempor\u00e1rias, em pris\u00e3o domiciliar e como medida protetiva, para impedir que agressores se aproximem das v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica. A monitora\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica existe no Brasil desde 2010, como\u00a0<a href=\"https:\/\/mttadv.com.br\/blog\/2021\/06\/04\/tornozeleira-eletronica\/#:~:text=A%20tornozeleira%20eletr%C3%B4nica%20foi%20implantada,aliviar%20o%20sistema%20penitenci%C3%A1rio%20brasileiro.\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alternativa para aliviar, em parte, as penitenci\u00e1rias<\/a>. Na Bahia, passou a ser aplicada em 2017.<\/p>\n<p>Entre mulheres, a organiza\u00e7\u00e3o pelos Direitos Humanos Instituto Terra, Trabalho e Cidadania (ITCC)\u00a0<a href=\"https:\/\/ittc.org.br\/canal\/publicacoes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estima que mais da metade das presas tenha se envolvido ao tr\u00e1fico de drogas, em atividades como o transporte<\/a>\u00a0de entorpecentes. A maioria delas (68%), segundo o \u00faltimo levantamento Nacional de Informa\u00e7\u00f5es Penitenci\u00e1rias do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, \u00e9 negra, e metade tem entre 18 e 29 anos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para mulheres monitoradas eletronicamente, a pris\u00e3o continua fora dela. Desde os dias de c\u00e1rcere, as mulheres sabem que, com\u00a0tornozeleiras, n\u00e3o ser\u00e3o bem-vindas onde moravam. \u00c9 como se a tornozeleira chegasse antes delas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">S\u00e3o pessoas que t\u00eam sua rotina em comunidade &#8220;sequestrada&#8221; pelos constrangimentos a que ficam suscet\u00edveis com o dispositivo\u00a0rastre\u00e1vel,\u00a0como afirma Carla Akotirene, doutora em\u00a0Estudos Interdisciplinares Sobre Mulheres, G\u00eanero e Feminismo pela Universidade Federal da Bahia (Ufba).<\/p>\n<p><strong>&#8220;A pris\u00e3o permanece por meio do estigma e da persegui\u00e7\u00e3o policial aos territ\u00f3rios. N\u00e3o posso deixar de dizer que encontrei mulheres egressas trabalhando com o sexo, ambulantes e trabalhadoras dom\u00e9sticas&#8221;<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">A obrigatoriedade de conseguir, judicialmente, a permiss\u00e3o para mudar de endere\u00e7o, dificulta o contexto de amea\u00e7as.\u00a0A resposta judicial &#8211; que demora meses, como no caso de Lurdes &#8211; nem sempre tem a urg\u00eancia dos dilemas reais. &#8220;A demanda reprimida pode custar a vida&#8221;, relembra Luz Marina.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Sem resposta aos pedidos, os riscos se tornam mais pr\u00f3ximos.\u00a0\u201cEstou me sentindo observada. Eles [\u201cchefes do bairro\u201d] passam por aqui, ficam me olhando\u201d, conta Carolina*, outra monitorada, que j\u00e1 pediu\u00a0tr\u00eas vezes pela\u00a0mudan\u00e7a do endere\u00e7o. O mais recente tem tr\u00eas meses. Carolina quer deixar Salvador para viver na Ilha de Itaparica, trabalhando no restaurante de uma amiga.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Eles passam por aqui, olham. J\u00e1 sai da vida errada. A fac\u00e7\u00e3o tentou me ajudar, mas sei que quem ajuda, fica devendo. N\u00e3o quero dever\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Uma outra amiga dela, tamb\u00e9m com tornozeleira, foi expulsa do bairro de Periperi por criminosos. Em um ano e dez meses de liberdade condicional, a corrida de Carolina \u00e9 contra o tempo e pela liberdade. Ela j\u00e1 cometeu 43 viola\u00e7\u00f5es ao sistema de monitora\u00e7\u00e3o, justificadas judicialmente.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">\u201cPor exemplo, passei do hor\u00e1rio porque estava fazendo um curso. Tive que correr para provar isso, porque eles [a justi\u00e7a] sabem dessas viola\u00e7\u00f5es\u201d, diz Carolina, que pode ficar fora de casa das 6h \u00e0s 19h. \u00c0s 17h, ela come\u00e7a a ficar nervosa. O hor\u00e1rio limite est\u00e1 pr\u00f3ximo. Se a tornozeleira apitar, ser\u00e1 uma infra\u00e7\u00e3o a mais para a conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>Como funciona o monitoramento eletr\u00f4nico?<\/strong><br \/>\nNa sede da\u00a0<a href=\"http:\/\/www.seap.ba.gov.br\/pt-br\/noticia\/seap-e-tjba-implantarao-nucleo-de-monitoracao-eletronica-de-pessoas-em-barreiras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Central de Monitoramento Eletr\u00f4nica<\/a>, em Salvador, os policiais penais monitoram pessoas com tornozeleira eletr\u00f4nica como Carolina. \u00c9 l\u00e1 que o apito na tornozeleira dela \u00e9 rastreado. H\u00e1 um tel\u00e3o em que podem ser avistados pontinhos verdes e vermelhos.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Cada monitorado precisa cumprir regras determinadas por um juiz para uso de tornozeleira &#8211; como \u00e1reas de inclus\u00e3o (endere\u00e7o), pintadas de verdes, e as \u00e1reas de exclus\u00e3o (onde n\u00e3o deve estar), em vermelho, al\u00e9m da hora e dia permitidos para sair e estar em casa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Se acontece qualquer viola\u00e7\u00e3o, eles\u00a0acompanham da sala. O monitoramento acontece 24 horas por dia. Cada plant\u00e3o tem entre tr\u00eas e quatro policiais. Atualmente, h\u00e1 monitorados em oito cidades baianas.<\/p>\n<p class=\"bodytext\"><strong>&#8220;A tornozeleira funciona de forma parecida com o celular. H\u00e1 um pacote de dados. Ela vai te dar informa\u00e7\u00f5es sobre o n\u00edvel da bateria, se est\u00e1 carregada, se houve infra\u00e7\u00f5es\u201d<\/strong>, explica Jos\u00e9 Fabiano de Carvalho, diretor da central de monitora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer esse acompanhamento porque a\u00a0tornozeleira \u00e9 configurada para que as determina\u00e7\u00f5es judiciais sejam seguidas. Se h\u00e1 viola\u00e7\u00e3o, a pessoa infratora \u00e9 contatada para justificar.\u00a0A quantidade de infra\u00e7\u00f5es pode ser determinante para regress\u00f5es \u00e0 pena, como a volta ao regime fechado. A gravidade das viola\u00e7\u00f5es \u00e9 considerada em cada caso.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os relatos de risco chegam\u00a0at\u00e9 a central, que n\u00e3o tem poder para dizer sim ou n\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a de endere\u00e7o. \u201cSe ela saiu por risco, ela pode provar que aquela viola\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorreu por vontade pr\u00f3pria. As viola\u00e7\u00f5es ficam registradas no sistema, mas o juiz vai chamar a pessoas para uma justificativa\u201d.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Para Rosaura*, nunca houve tempo de justificar. Depois de\u00a0amea\u00e7as, ela se mudou tr\u00eas vezes de endere\u00e7o. Fugir para sobreviver era mais urgente. Duas vezes foi expulsa por traficantes, que n\u00e3o queriam uma monitorada na \u00e1rea deles. Em outra, antes de ser mudar para o endere\u00e7o atual, em Mata Escura, o marido dela foi tomado como um infiltrado de outra fac\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Agredido, ele passou quatro meses internado e foi submetido a cirurgias pl\u00e1sticas, tamanha a desfigura\u00e7\u00e3o do corpo.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Fui mudando de endere\u00e7o por conta da tornozeleira. Todo lugar que eu chegava, tinha que ir falar com os donos do bairro. Eles aceitavam, depois cismavam, diziam que tinha contato com pol\u00edcia\u201d<\/strong>, conta.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Os primeiros dias nos novos endere\u00e7os eram \u201ctranquilos\u201d, conta ela, se a autoriza\u00e7\u00e3o dos &#8220;donos do bairro&#8221; fosse concedida. Depois de abordagens policiais que resultavam em pris\u00f5es, a calmaria ia embora. E, com ela, partiam Rosaura, os dois filhos e o marido, sem destino.<\/p>\n<p class=\"bodytext\">Em agosto do ano passado, tiraram a tornozeleira de Rosaura. Desde maio de 2020, ela poderia estar com os tornozelos livres, mas n\u00e3o teve acesso a um defensor p\u00fablico. Com R$ 500, arrecadados pela fam\u00edlia que vive no interior, ela pagou um advogado.\u00a0Hoje num novo endere\u00e7o, sem a tornozeleira, Rosaura mant\u00e9m a fam\u00edlia\u00a0vendendo guloseimas em \u00f4nibus, enquanto o marido se recupera. \u00c9 a primeira vez que, mesmo n\u00e3o inteiramente, ela\u00a0se sente livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reportagem do Correio-Fernanda Dantana. S\u00e3o 163 mulheres monitoradas no estado e expuls\u00e3o ocorre porque &#8216;chefes do tr\u00e1fico&#8217; n\u00e3o as querem por perto; entenda. \u00c9 uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia: mudar, morrer ou voltar para o crime. Entre as op\u00e7\u00f5es, Lurdes* escolhe a primeira. Os criminosos que dominam a regi\u00e3o tamb\u00e9m querem que ela mude. Mas n\u00e3o basta vontade. Para sair do bairro, Lurdes, que \u00e9 monitorada por uma tornozeleira eletr\u00f4nica, precisa de autoriza\u00e7\u00e3o judicial. H\u00e1 oito meses, ela espera uma. 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