{"id":140791,"date":"2021-07-12T09:42:22","date_gmt":"2021-07-12T12:42:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=140791"},"modified":"2021-07-12T09:42:22","modified_gmt":"2021-07-12T12:42:22","slug":"novo-bolsa-familia-deveria-pagar-r-480-e-chegar-a-50-milhoes-diz-defensoria-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2021\/07\/12\/novo-bolsa-familia-deveria-pagar-r-480-e-chegar-a-50-milhoes-diz-defensoria-publica\/","title":{"rendered":"Novo Bolsa Fam\u00edlia deveria pagar R$ 480 e chegar a 50 milh\u00f5es, diz Defensoria P\u00fablica"},"content":{"rendered":"<div class=\"box-body\" data-io-article-url=\"https:\/\/www.bahianoticias.com.br\/\">\n<div class=\"text-descricao\">\n<p>Enquanto o governo ainda tenta equacionar o or\u00e7amento do programa que suceder\u00e1 o Bolsa Fam\u00edlia, defensores p\u00fablicos planejam usar uma decis\u00e3o do STF (Supremo Tribunal Federal) para pressionar o Executivo a expandir significativamente a agenda social no pa\u00eds ao pagar uma renda b\u00e1sica a 48 milh\u00f5es de pessoas a partir de 2022.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A DPU (Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o) formulou a proposta ap\u00f3s o STF aceitar, em abril deste ano, um pedido da institui\u00e7\u00e3o para determinar que o governo implemente um programa de renda b\u00e1sica a partir do ano que vem para os brasileiros abaixo da linha da pobreza.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O pedido da DPU e a decis\u00e3o do STF se basearam em uma lei de 2004 que cria a renda b\u00e1sica e determina que todo brasileiro deve receber o m\u00ednimo para despesas com alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O texto jamais foi regulamentado e \u00e9 isso que se tenta corrigir agora. A interpreta\u00e7\u00e3o \u00e9 que houve omiss\u00e3o do poder p\u00fablico na regulamenta\u00e7\u00e3o, sendo que mesmo os programas formulados depois disso -como o Bolsa Fam\u00edlia- n\u00e3o garantiram os direitos previstos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;O Bolsa Fam\u00edlia \u00e9 um benef\u00edcio bem focalizado para as fam\u00edlias mais vulner\u00e1veis, mas h\u00e1 uma promessa de que o Estado deve prover o m\u00ednimo necess\u00e1rio para as pessoas sobreviverem em seu territ\u00f3rio e o programa n\u00e3o \u00e9 suficiente para cumprir essa obriga\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Ed Fuloni, defensor p\u00fablico que integra o comit\u00ea da renda b\u00e1sica da DPU.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O caso come\u00e7ou a ser discutido pela DPU ao defender a situa\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o que afirmou precisar de recursos para sua exist\u00eancia digna.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Ele vivia em situa\u00e7\u00e3o de rua, desempregado e com defici\u00eancia intelectual moderada. Recebia apenas R$ 91 do Bolsa Fam\u00edlia ap\u00f3s ter solicitado, sem sucesso, o BPC (benef\u00edcio de presta\u00e7\u00e3o continuada, destinado a pessoas com defici\u00eancia e idosos carentes).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A DPU levou o caso ao Supremo apontando omiss\u00e3o do Executivo na regulamenta\u00e7\u00e3o do programa de renda b\u00e1sica. A institui\u00e7\u00e3o chegou a pedir que o valor a ser pago aos indiv\u00edduos carentes fosse de um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal at\u00e9 a regulamenta\u00e7\u00e3o da lei.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Prevaleceu, no entanto, o voto do ministro Gilmar Mendes. O pagamento, cujo valor ficou a ser definido pelo Executivo, deve ser feito \u00e0s pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza e pobreza, definidas como aquelas com renda per capita inferior a R$ 89 e R$ 178, respectivamente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A linha da pobreza definida pelo STF \u00e9 a mesma j\u00e1 usada pelo governo. O Bolsa Fam\u00edlia chega a cerca de 15 milh\u00f5es de lares.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Levantamento da DPU aponta que 48,8 milh\u00f5es de pessoas no Cadastro \u00danico t\u00eam renda per capita mensal de at\u00e9 R$ 178 (a pesquisa foi feita em mar\u00e7o de 2021) e a Folha vem mostrando que h\u00e1 pessoas na fila de espera.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na pr\u00e1tica, o cadastro no programa mesmo conforme as regras n\u00e3o garante o acesso autom\u00e1tico. O Minist\u00e9rio da Cidadania diz selecionar mensalmente de forma automatizada as fam\u00edlias que ser\u00e3o inclu\u00eddas para receber o benef\u00edcio.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A DPU tamb\u00e9m calculou o valor a ser pago por pessoa &#8211; e n\u00e3o por fam\u00edlia. Levando-se em considera\u00e7\u00e3o apenas a alimenta\u00e7\u00e3o (tendo em vista que sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o, em tese, fornecidas pelo poder p\u00fablico), a Defensoria calcula como valor justo R$ 480 por pessoa ao m\u00eas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O valor \u00e9 baseado em estudos do Banco Mundial sobre quanto \u00e9 necess\u00e1rio para sair da pobreza, e fica abaixo da m\u00e9dia de R$ 553 da cesta b\u00e1sica em 17 capitais pesquisadas em abril pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A tarefa de colocar todos os interessados para dentro e pagar tal quantia, no entanto, causa um desafio colossal para os gestores p\u00fablicos: o or\u00e7amento do Bolsa Fam\u00edlia seria multiplicado por oito, de R$ 34 bilh\u00f5es para R$ 281 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O valor pode assustar, reconhece a DPU. Para amenizar o choque, os defensores pretendem refor\u00e7ar nas discuss\u00f5es o exemplo do aux\u00edlio emergencial em 2021 &#8211; que colocou em pr\u00e1tica a possibilidade de o pa\u00eds destinar volumes mais expressivos aos mais carentes.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O programa, que pagou entre R$ 300 e R$ 600 mensais (ou at\u00e9 R$ 1.200 para m\u00e3es chefes de fam\u00edlia), custou R$ 293 bilh\u00f5es em 2020 e foi considerado crucial por especialistas para manter a atividade econ\u00f4mica durante a crise.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Estudo do Minist\u00e9rio da Economia apontou ainda que 72% dos lares recebedores do aux\u00edlio foram retirados temporariamente da extrema pobreza.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mesmo assim, o programa precisaria ser manobrado para ser encaixado nas regras fiscais &#8211; sendo a mais evidente o teto de gastos, norma constitucional criada em 2016. Na vis\u00e3o da DPU, o melhor caminho seria retirar o programa do teto.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Se for poss\u00edvel o Parlamento aceitar uma desvincula\u00e7\u00e3o do teto de gastos, n\u00e3o s\u00f3 possibilitaria um aumento mais robusto do benef\u00edcio como seria uma solu\u00e7\u00e3o mais definitiva&#8221;, disse.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas ainda restariam outras tarefas, como a compensa\u00e7\u00e3o or\u00e7ament\u00e1ria para a cria\u00e7\u00e3o de novas despesas e as pr\u00f3prias incertezas decorrentes de o pa\u00eds turbinar seu endividamento p\u00fablico.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Sabemos que o cen\u00e1rio tem toda uma problem\u00e1tica&#8221;, reconhece Fuloni, que diz que o objetivo tamb\u00e9m \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o para o debate.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;Em primeiro lugar vamos fazer isso via articula\u00e7\u00e3o do Executivo. Mas o que fazer depois, precisamos esperar como vai ser o desenho [do novo programa a ser apresentado pelo governo] e ver se vai ser cumprida a decis\u00e3o&#8221;, disse.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O ministro Paulo Guedes (Economia) afirma que, por ele, o valor do Bolsa Fam\u00edlia seria de at\u00e9 R$ 1.000. Mas que \u00e9 preciso atentar para o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas -ponto em que, em sua vis\u00e3o, governos anteriores falharam.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;N\u00e3o tenho d\u00favida de que, quando a centro-esquerda chegou e colocou nos or\u00e7amentos p\u00fablicos os mais fr\u00e1geis, isso foi um grande legado. S\u00f3 que, como ela n\u00e3o soube manobrar isso or\u00e7amentariamente, fomos para dois surtos de hiperinfla\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele na quarta-feira (7) no Congresso, se referindo a 1989 e 1994.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">&#8220;\u00c9 essa calibragem que estamos fazendo desde o in\u00edcio. O Bolsa Fam\u00edlia eu queria que fosse R$ 500, R$ 600, R$ 1.000. Mas, se eu fizer isso, o neg\u00f3cio [infla\u00e7\u00e3o] vai a 5.000% e estraga tudo outra vez. Ent\u00e3o temos que ir calibrando isso com cuidado&#8221;, disse.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Os n\u00fameros estudados pelo governo para a expans\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia at\u00e9 agora s\u00e3o mais t\u00edmidos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O valor m\u00e9dio sairia de R$ 190 para algo em torno de R$ 250 e R$ 300 (por lar), e a cobertura passaria dos cerca de 15 milh\u00f5es para at\u00e9 18 milh\u00f5es. Fonte: Bahia Not\u00edcias<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"box-footer\">\n<div class=\"bar-share clearfix\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto o governo ainda tenta equacionar o or\u00e7amento do programa que suceder\u00e1 o Bolsa Fam\u00edlia, defensores p\u00fablicos planejam usar uma decis\u00e3o do STF (Supremo Tribunal Federal) para pressionar o Executivo a expandir significativamente a agenda social no pa\u00eds ao pagar uma renda b\u00e1sica a 48 milh\u00f5es de pessoas a partir de 2022. A DPU (Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o) formulou a proposta ap\u00f3s o STF aceitar, em abril deste ano, um pedido da institui\u00e7\u00e3o para determinar que o governo implemente um programa de renda b\u00e1sica a partir do ano que vem para os brasileiros abaixo da linha da pobreza. 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