{"id":139961,"date":"2021-05-28T03:30:27","date_gmt":"2021-05-28T06:30:27","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=139961"},"modified":"2021-05-28T03:30:27","modified_gmt":"2021-05-28T06:30:27","slug":"bolsonaro-inaugura-ponte-as-margens-de-terra-yanomami-e-ignora-crise-que-poe-povo-indigena-na-mira-de-garimpeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2021\/05\/28\/bolsonaro-inaugura-ponte-as-margens-de-terra-yanomami-e-ignora-crise-que-poe-povo-indigena-na-mira-de-garimpeiros\/","title":{"rendered":"Bolsonaro inaugura ponte \u00e0s margens de terra Yanomami e ignora crise que p\u00f5e povo ind\u00edgena na mira de garimpeiros"},"content":{"rendered":"<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h4 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Presidente inaugurou uma ponte na BR-307 e ind\u00edgenas e ativistas temem que obra possa facilitar a chegada de mineradores ilegais \u00e0s aldeias, que s\u00e3o alvo de ataques desde o come\u00e7o de maio<\/h4>\n<p class=\"\">Em sua primeira visita a uma terra ind\u00edgena, o presidente<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/noticias\/jair-messias-bolsonaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0Jair Bolsonaro<\/a>\u00a0esteve nesta quinta-feira na cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM) para inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros de comprimento e sete de largura na BR-307, que liga o munic\u00edpio a comunidades Yanomami em Maturac\u00e1, uma das que mais sofrem com a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2016\/04\/26\/album\/1461691788_376490.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">minera\u00e7\u00e3o ilegal na regi\u00e3o<\/a>. Em sua agenda, Bolsonaro almo\u00e7ou com autoridades militares, para quem discursou, sem fazer sequer uma men\u00e7\u00e3o \u00e0 crise sanit\u00e1ria e ambiental enfrentada por esse povo ind\u00edgena, que tem sofrido, nas \u00faltimas semanas, ataques de garimpeiros na aldeia Palimi\u00fa (localizada \u00e0s margens do rio Uraricoera, no munic\u00edpio de Alto Alegre), al\u00e9m de enfrentar uma grave crise sanit\u00e1ria. Para al\u00e9m da covid-19, os Yanomami enfrentam um problema cr\u00f4nica de falta de acesso \u00e0 sa\u00fade, como evidenciou a<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-05-17\/8-anos-e-12-quilos-a-crianca-com-malaria-e-desnutricao-que-simboliza-o-descaso-com-os-yanomami-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0foto de uma crian\u00e7a de oito anos pesando apenas 12 quilos<\/a>, acometida por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/01\/17\/internacional\/1579259728_079181.html\" data-link-track-dtm=\"\">mal\u00e1ria<\/a>, pneumonia, verminose e desnutri\u00e7\u00e3o na aldeia Maimasi, em Roraima.<\/p>\n<div id=\"elpais_gpt-INTEXT\" data-google-query-id=\"CP6NgZPc6_ACFfUGuQYdGoIDWw\">\n<div id=\"google_ads_iframe_7811748\/elpais_brasil_web\/brasil\/intext_0__container__\">Lideran\u00e7as ind\u00edgenas e ambientalistas ouvidos pelo EL PA\u00cdS temem, inclusive, que a ponte inaugurada por Bolsonaro possa facilitar o acesso de garimpeiros ilegais \u00e0 aldeia Maturac\u00e1 e outras da regi\u00e3o. \u201cEssa visita \u00e9 apenas um gancho para o presidente defender mais uma vez a legaliza\u00e7\u00e3o do garimpo em nossas terras. \u00c9 uma armadilha, um pretexto para dizer que os Yanomami est\u00e3o morrendo de fome, pobrezinhos, e pedir apoio no Congresso para legalizar atividades econ\u00f4micas em terras demarcadas\u201d, afirma D\u00e1rio Kopenawa, presidente da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami. Desde a campanha eleitoral em 2018,\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-02-05\/bolsonaro-anuncia-projeto-que-permite-garimpo-em-area-indigena-e-sugere-confinar-ambientalistas.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">Bolsonaro defende a utiliza\u00e7\u00e3o comercial de terras ind\u00edgenas<\/a>\u00a0e prometeu n\u00e3o demarcar \u201cnenhum cent\u00edmetro de terra\u201d para os povos origin\u00e1rios, algo que, at\u00e9 o momento, cumpriu.<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p class=\"\">D\u00e1rio afirma que \u00e9 \u201cuma cara-de-pau\u201d de Bolsonaro realizar essa visita em meio \u00e0 pandemia de covid-19, colocando em risco a sa\u00fade de toda a popula\u00e7\u00e3o local e lembra que \u201cinaugurar uma ponte n\u00e3o \u00e9 responsabilidade do presidente\u201d da Rep\u00fablica. \u201cCom quase 500.000 pessoas mortas na pandemia, ele quebra um protocolo sanit\u00e1rio ao trazer uma comitiva que pode levar doen\u00e7a \u00e0s nossas terras. Na aldeia Maturac\u00e1, por exemplo, j\u00e1 morreram tr\u00eas pessoas por covid-19\u2033, conta. Ele foi uma das lideran\u00e7as que assinaram uma\u00a0<a href=\"https:\/\/apiboficial.org\/2021\/05\/27\/carta-de-repudio-a-visita-do-presidente-jair-bolsonaro-a-terra-indigena-yanomami-no-alto-rio-negro-e-a-sua-pauta-anti-indigena-em-favor-da-mineracao-em-terras-indigenas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">carta de rep\u00fadio \u00e0 presen\u00e7a de Bolsonaro<\/a>\u00a0no territ\u00f3rio: \u201cManifestamos nossa total contrariedade a qualquer iniciativa de abertura das terras ind\u00edgenas a atividades econ\u00f4micas, pol\u00edticas e culturais que venham amea\u00e7ar nossa paz e nossa tranquilidade de viver em nossas terras tradicionais conforme nossas tradi\u00e7\u00f5es, culturas, nossos saberes, valores e modos milenares de vida e de exist\u00eancias\u201d, escreveram.<\/p>\n<p class=\"\">A visita de Bolsonaro acontece no momento em que o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2014\/12\/26\/politica\/1419618934_407302.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">garimpo ilegal na Terra Ind\u00edgena (TI) Yanomami<\/a>\u00a0cresce a um ritmo in\u00e9dito: somente nos tr\u00eas primeiros meses de 2021, a devasta\u00e7\u00e3o vis\u00edvel correspondeu a 200 hectares, cerca de 10% de toda a devasta\u00e7\u00e3o acumulada em 10 anos, como mostra um\u00a0<a href=\"https:\/\/acervo.socioambiental.org\/acervo\/documentos\/sistema-de-monitoramento-do-garimpo-ilegal-na-ti-yanomami-relatorio-do-primeiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">relat\u00f3rio feito com imagens de sat\u00e9lite e fotografias a\u00e9reas<\/a>\u00a0obtidas no in\u00edcio de abril por pesquisadores Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami e divulgado na ter\u00e7a-feira. No ano passado, o mesmo levantamento revelou 500 hectares destru\u00eddos, que se somaram a 1.700 hectares devastados desde o in\u00edcio da d\u00e9cada passada, quando o garimpo ilegal voltou com intensidade \u00e0s terras dos povos Yanomami e Ye\u2019kwanas, nos estados de Roraima e Amazonas. No balan\u00e7o total, a \u00e1rea ocupada pela minera\u00e7\u00e3o ilegal \u00e9 de aproximadamente 2.400 hectares \u2014quase 2.400 est\u00e1dios do Maracan\u00e3.<\/p>\n<p class=\"\">Est\u00eav\u00e3o Senra, ge\u00f3grafo e pesquisador que foi um dos respons\u00e1veis pelo relat\u00f3rio, lembra que o garimpo na TI Yanomami \u00e9 um problema cr\u00f4nico, desde 1980, quando cerca de 40.000 garimpeiros invadiram o territ\u00f3rio. \u201cNessa \u00e9poca, 18% dos Yanomami de Roraima morreram por impactos diretos ou indiretos do garimpo em sua sa\u00fade\u201d, ressalta. Hoje, entre as \u00e1reas de atividade ilegal que se ampliaram est\u00e1 o chamado \u201cTatuz\u00e3o do Mutum\u201d, na beira do rio Uraricoera, onde os criminosos t\u00eam atacado com disparos de armas de fogo e bombas de g\u00e1s lacrimog\u00eaneo a comunidade de Palimi\u00fa. Tais ataques come\u00e7aram no dia 10 de maio, ap\u00f3s a instala\u00e7\u00e3o de uma barreira sanit\u00e1ria para proteger a aldeia da covid-19.<\/p>\n<p class=\"\">As imagens do relat\u00f3rio da Hutukara Associa\u00e7\u00e3o Yanomami revelam a magnitude da destrui\u00e7\u00e3o causada na regi\u00e3o: em meio \u00e0s crateras profundas, surgem feridas de terra avermelhada que contrastam com o verde da floresta ao redor. Os garimpeiros s\u00e3o pequenos pontos pretos nesse cen\u00e1rio. Senra e outros t\u00e9cnicos do Instituto Socioambiental (ISA) denunciam o surgimento do que pode ser \u201cuma segunda\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/07\/26\/cultura\/1564157673_876694.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">Serra Pelada\u201d, em refer\u00eancia ao que foi o maior garimpo a c\u00e9u aberto<\/a>\u00a0do mundo, at\u00e9 esgotar o min\u00e9rio, no fim da d\u00e9cada de 1980, e que deixou uma crise ambiental e social que persiste ainda hoje naquela regi\u00e3o do Par\u00e1.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cDepois da demarca\u00e7\u00e3o da TI Yanomami em 1992, houve a retirada dos garimpeiros e apenas alguns n\u00facleos permaneceram. At\u00e9 ent\u00e3o, era algo mais disperso, mas hoje observamos uma maior complexidade nessa atividade ilegal\u201d, diz Senra. Segundo ele, as imagens de sat\u00e9lites e sobrevoos j\u00e1 revelavam nos \u00faltimos anos o surgimento de uma \u201ccidade do garimpo\u201d, concentrando servi\u00e7os como mercearias, lojas de produtos de higiene, bares e casas de prostitui\u00e7\u00e3o. \u201cOpera\u00e7\u00f5es do Ex\u00e9rcito chegaram a encontrar at\u00e9\u00a0<i>lan houses\u00a0<\/i>e consult\u00f3rios odontol\u00f3gicos pr\u00f3ximo desses garimpos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p class=\"\">Em algumas imagens, \u00e9 poss\u00edvel observar o fluxo de barcos, avi\u00f5es e helic\u00f3pteros que transportam um maquin\u00e1rio caro e pesado. \u201cHoje em dia,<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-02\/a-mineracao-em-terra-indigena-com-nome-sobrenome-e-cnpj.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">\u00a0o garimpo ilegal \u00e9 uma atividade de grandes empres\u00e1rios\u00a0<\/a>com capacidade de fazer um investimento log\u00edstico enorme. Os garimpeiros s\u00e3o apenas massa de manobra que apoiam o Governo. Eles representam um percentual eleitoral significativo em estados como Roraima\u201d, explica Senra.<\/p>\n<p class=\"\">Para o ge\u00f3grafo, a visita de Bolsonaro nesse territ\u00f3rio ser\u00e1 interpretada por esses agentes criminosos como um \u201csinal verde para continuarem destruindo e atuando ilegalmente\u201d, principalmente no momento em que tramita na C\u00e2mara dos Deputados o Projeto de Lei 191\/2020, que libera a minera\u00e7\u00e3o dentro de terras ind\u00edgenas. \u201cA expans\u00e3o vertiginosa do garimpo ilegal se relaciona com o desmonte dos \u00f3rg\u00e3os de fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle ambiental. Todos os discursos e a\u00e7\u00f5es do presidente promovem uma nova corrida do ouro em dire\u00e7\u00e3o a esses territ\u00f3rios protegidos\u201d, conclui Senra. Fonte: El Pa\u00eds.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<div class=\"sb | width_full border_bottom border_5\">\n<div class=\"sb_w | border_bottom border_1 padding_bottom flex\n          justify_space_between relative\"><\/p>\n<div class=\"flex container_row social-icons  horizontal  \"><\/div>\n<div class=\"flex container_row social-icons right-links horizontal  \"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<div data-fusion-collection=\"features\" data-fusion-type=\"article\/lead-art\"><\/div>\n<div class=\"a_by | margin_bottom_lg  \">\n<div class=\"a_auts flex flex_wrap \"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Presidente inaugurou uma ponte na BR-307 e ind\u00edgenas e ativistas temem que obra possa facilitar a chegada de mineradores ilegais \u00e0s aldeias, que s\u00e3o alvo de ataques desde o come\u00e7o de maio Em sua primeira visita a uma terra ind\u00edgena, o presidente\u00a0Jair Bolsonaro\u00a0esteve nesta quinta-feira na cidade de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira (AM) para inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros de comprimento e sete de largura na BR-307, que liga o munic\u00edpio a comunidades Yanomami em Maturac\u00e1, uma das que mais sofrem com a\u00a0minera\u00e7\u00e3o ilegal na regi\u00e3o. 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