{"id":139738,"date":"2021-05-18T00:55:29","date_gmt":"2021-05-18T03:55:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/?p=139738"},"modified":"2021-05-18T00:55:29","modified_gmt":"2021-05-18T03:55:29","slug":"brasil-8-anos-e-12-quilos-a-crianca-com-malaria-e-desnutricao-que-simboliza-o-descaso-com-os-yanomami-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/2021\/05\/18\/brasil-8-anos-e-12-quilos-a-crianca-com-malaria-e-desnutricao-que-simboliza-o-descaso-com-os-yanomami-no-brasil\/","title":{"rendered":"BRASIL] 8 anos e 12 quilos, a crian\u00e7a com mal\u00e1ria e desnutri\u00e7\u00e3o que simboliza o descaso com os Yanomami no Brasil"},"content":{"rendered":"<div id=\"article_header\" class=\"a_hg basic | \">\n<h4 class=\"a_st font_secondary color_gray_dark \">Etnia enfrenta crises sanit\u00e1ria e ambiental com escalada de viol\u00eancia por garimpos ilegais. Povo denuncia novo ataque neste domingo. Imagem exp\u00f5e o grave e cr\u00f4nico problema da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade em v\u00e1rias aldeias<\/h4>\n<p class=\"\">DO EL PA\u00cdS &#8211; Uma rede escura acomoda o corpo mi\u00fado de uma crian\u00e7a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-06-24\/maes-yanomami-imploram-pelos-corpos-de-seus-bebes.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">Yanomami<\/a>\u00a0t\u00e3o magra que \u00e9 poss\u00edvel ver sua pele moldar as costelas. A fotografia de uma menina de oito anos que pesa apenas 12,5 quilos (o peso m\u00ednimo normal para a idade seria de 20 quilos), feita na aldeia Maimasi em Roraima, exp\u00f5e um problema\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-09-08\/a-gente-tem-que-saber-qual-e-a-doenca-que-esta-nos-matando.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">cr\u00f4nico de desassist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade<\/a>\u00a0que os povos ind\u00edgenas enfrentam no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia \u2015e que vem crescendo ano ap\u00f3s ano. A crian\u00e7a estava acometida por\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020\/01\/17\/internacional\/1579259728_079181.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">mal\u00e1ria<\/a>, pneumonia, verminose e desnutri\u00e7\u00e3o, em uma regi\u00e3o sem visitas regulares de equipes sanit\u00e1rias e que fica a 11 horas a p\u00e9 do polo de sa\u00fade mais pr\u00f3ximo. Ela teve sua imagem capturada dias antes de ser transferida de avi\u00e3o a um hospital da capital Boa Vista no dia 23 de abril, onde j\u00e1 se recuperou da mal\u00e1ria, mas segue em tratamento para os outros problemas. Virou s\u00edmbolo do hist\u00f3rico descaso do Brasil com o povo Yanomami, que luta para sobreviver em meio a uma jun\u00e7\u00e3o de graves crises: a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-03-03\/davi-kopenawa-os-garimpeiros-sem-duvida-vao-matar-os-indios-isolados-na-area-yanomani.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">escalada de viol\u00eancia por garimpeiros ilegais<\/a>, os impactos ambientais que levam fome a algumas regi\u00f5es e a fragilidade do acesso \u00e0 aten\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cNa\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-11\/o-coronavirus-esta-quebrando-a-nossa-crenca-o-luto-imposto-aos-povos-indigenas-na-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">cultura Yanomami<\/a>\u00a0a gente n\u00e3o pode demonstrar imagem de crian\u00e7a, fr\u00e1gil, doente. Mas \u00e9 muito importante [fazer isso] pela crise que estamos vivendo\u201d, explica o l\u00edder ind\u00edgena Dario Kopenawa, ao autorizar a publica\u00e7\u00e3o da fotografia nesta reportagem. Para esta etnia, a imagem da pessoa \u00e9 parte importante dela e dissemin\u00e1-la em uma situa\u00e7\u00e3o de enfermidade pode enfraquec\u00ea-la ainda mais. At\u00e9 quando se morre, \u00e9 preciso queimar todas as lembran\u00e7as de quem partiu para preservar seu esp\u00edrito no mundo dos mortos. Mas a comunidade decidiu divulgar a fotografia enquanto a crian\u00e7a tenta se recuperar para denunciar aos\u00a0<i>nap\u00ebp\u00eb<\/i>\u00a0\u2015como chamam os n\u00e3o ind\u00edgenas\u2015 seu sofrimento diante da grave crise de sa\u00fade que os amea\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"\">\u201cEsta foto \u00e9 uma resposta da\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-02-19\/o-ultimo-anciao-juma-morre-de-covid-19-e-leva-para-o-tumulo-a-memoria-de-um-povo-aniquilado-no-brasil.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">viola\u00e7\u00e3o de direitos dos povos ind\u00edgenas<\/a>\u201d, resume Kopenawa. Enquanto a mal\u00e1ria e a covid-19 avan\u00e7am sobre as aldeias, lideran\u00e7as narram que equipes de sa\u00fade foram reduzidas com profissionais afastados por covid-19 e outras doen\u00e7as, postos de sa\u00fade foram fechados temporariamente e falta helic\u00f3ptero para transporte de pacientes em \u00e1reas de dif\u00edcil acesso. \u201cA gente sofre h\u00e1 muito tempo sem estrutura boa, sem todos os profissionais completos pra dar assist\u00eancia. Com a pandemia, piorou\u201d, destaca Konepawa. O problema afeta especialmente as comunidades mais isoladas, que dependem de visitas espor\u00e1dicas das equipes. \u201cTem locais que est\u00e3o ainda sem vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 porque n\u00e3o t\u00eam profissionais. S\u00e3o comunidades que ficam longe dos postos, n\u00e3o t\u00eam como chegar\u201d, acrescenta J\u00fanior Yanomami, membro do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Condisi), um \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo controle social das a\u00e7\u00f5es governamentais. No Brasil, os grupos ind\u00edgenas s\u00e3o priorit\u00e1rios na fila de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">\u201cA sa\u00fade Yanomami est\u00e1 abandonada. Falta tudo\u201d<\/h3>\n<p class=\"\">\u201cA\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/opiniao\/2020-04-26\/o-brasil-nao-pode-abandonar-povos-indigenas-durante-a-pandemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">sa\u00fade Yanomami est\u00e1 abandonada<\/a>. Falta tudo\u201d, continua o l\u00edder ind\u00edgena. Segundo ele, a aldeia Maimasi, que vive um surto de mal\u00e1ria e onde v\u00e1rias crian\u00e7as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/04\/17\/ciencia\/1429277446_083699.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">padecem com desnutri\u00e7\u00e3o e verminoses<\/a>, n\u00e3o recebia visita de equipes de sa\u00fade havia seis meses, quando profissionais atenderam a crian\u00e7a da fotografia (divulgada por um mission\u00e1rio cat\u00f3lico e publicada pela\u00a0<i>Folha de S. Paulo),\u00a0<\/i>no final de abril. A equipe n\u00e3o dispunha de medicamentos suficientes para todos os que precisavam, conta o ind\u00edgena. A Secretaria de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), respons\u00e1vel pela aten\u00e7\u00e3o aos povos origin\u00e1rios, d\u00e1 uma vers\u00e3o diferente: diz que o atendimento ocorreu dia<b>\u00a0<\/b>19 de mar\u00e7o, \u201cmas a fam\u00edlia n\u00e3o autorizou a remo\u00e7\u00e3o para uma unidade de sa\u00fade\u201d. Tamb\u00e9m garante ter estoque suficiente de medicamentos e ter contratado profissionais de sa\u00fade, mas n\u00e3o esclarece qual \u00e9 a frequ\u00eancia das visitas \u00e0 aldeia. A Sesai tampouco informa ao EL PA\u00cdS sobre a incid\u00eancia de mal\u00e1ria, desnutri\u00e7\u00e3o e mortalidade infantil para dar a dimens\u00e3o do crescimento das doen\u00e7as na regi\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"raw_html\">\n<div>\n<div class=\"suscripcion\">\n<p class=\"\">Esses problemas de sa\u00fade n\u00e3o s\u00e3o generalizados em todo o territ\u00f3rio Yanomami \u2015t\u00e3o vasto quanto a \u00e1rea de um pa\u00eds como Portugal\u2015, mas est\u00e3o presentes em v\u00e1rias comunidades. Um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz em duas \u00e1reas do territ\u00f3rio \u2015Auaris e Maturak\u00e1\u2015 e divulgado no ano passado d\u00e1 pistas sobre o tamanho do problema: 80% das crian\u00e7as de at\u00e9 5 anos apresentavam desnutri\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica e 50% desnutri\u00e7\u00e3o aguda nestes locais. A situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada desde \u00e0 escassez de \u00e1gua pot\u00e1vel at\u00e9 a falta de acompanhamento nutricional e de pr\u00e9-natal na gesta\u00e7\u00e3o. Passa ainda pelos quadros de verminoses, mal\u00e1ria e diarreia frequentes nas comunidades, sem a\u00e7\u00f5es preventivas de sa\u00fade fortes. \u201cDesde 2019, relato as necessidades e pedimos socorro ao Governo\u201d, diz J\u00fanior Yanomami. \u201cAgora est\u00e1 pior. Aumentou muito a desnutri\u00e7\u00e3o. Onde tem garimpo forte tem o\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/internacional\/2021-02-15\/uma-galinha-caipira-contra-a-fome-no-corredor-seco-da-america-central.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">problema da fome<\/a>. E na pandemia aumentaram as invas\u00f5es. Como eu vou explicar a fome dos Yanomami? Eles [os garimpeiros] sujam os rios, destroem a floresta, acabam a ca\u00e7a. N\u00f3s nos alimentamos da natureza\u201d, explica o ind\u00edgena.<\/p>\n<p class=\"\">Os moradores da Maimasi s\u00e3o descendentes de um dos grupos mais afetados pela abertura da estrada\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2018\/12\/14\/album\/1544820031_646949.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">Perimetral Norte (BR-210)<\/a>\u00a0na d\u00e9cada de 1970, durante a\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2019\/03\/28\/politica\/1553792946_568502.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">ditadura militar<\/a>. Naquela \u00e9poca, parte significativa do grupo morreu diante de surtos de sarampo e outras doen\u00e7as levadas pelos trabalhadores das obras. H\u00e1 anos, eles cobram um posto de sa\u00fade, mas por enquanto seguem dependendo de visitas espor\u00e1dicas da equipe de sa\u00fade \u00e0 comunidade. A situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 era dif\u00edcil ficou pior especialmente a partir do ano passado. As visitas diminu\u00edram enquanto cresceram as atividades de garimpeiros ilegais, aumentando a chance de doen\u00e7as transmiss\u00edveis e a viol\u00eancia. E os casos de mal\u00e1ria, enfrentados pelos ind\u00edgenas h\u00e1 d\u00e9cadas e considerados \u201cend\u00eamicos\u201d pela Sesai, seguem crescendo. Segundo J\u00fanior Yanomami, s\u00f3 neste ano j\u00e1 foram identificados cerca de 10.000 casos, o que corresponde a pouco mais de um ter\u00e7o de toda a popula\u00e7\u00e3o yanomami, de cerca de 29.000 pessoas. \u201cA crian\u00e7a na foto provavelmente expressa esse somat\u00f3rio de trag\u00e9dias\u201d, afirma uma nota da Rede Pr\u00f3-Yanomami e Ye\u2019kwana.<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">\u201cNosso territ\u00f3rio est\u00e1 vulner\u00e1vel com tantos problemas ao mesmo tempo\u201d<\/h3>\n<p class=\"\">Os v\u00e1rios problemas sanit\u00e1rios, ambientais e sociais enfrentados n\u00e3o est\u00e3o dissociados. O\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2021-05-07\/desmatamento-na-amazonia-no-mes-de-abril-e-o-maior-em-seis-anos-aponta-inpe.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">desmatamento na Amaz\u00f4nia no \u00faltimo m\u00eas de abril foi o maior em seis anos<\/a>, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O desmatamento tem crescido ano ap\u00f3s ano, e o desequil\u00edbrio ambiental interfere na alimenta\u00e7\u00e3o dos povos da floresta, que se alimentam do que colhem, pescam e ca\u00e7am nas comunidades mais isoladas. Em v\u00e1rias \u00e1reas, a presen\u00e7a de garimpeiros e madeireiros ilegais leva ainda \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2017\/04\/20\/politica\/1492722067_410462.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">contamina\u00e7\u00e3o de rios com merc\u00fario<\/a>, contribuindo para desnutri\u00e7\u00e3o, desidrata\u00e7\u00e3o e diarreia. Com os recursos diminuindo na floresta e a fome \u00e0 espreita, alguns ind\u00edgenas acabam trabalhando com n\u00e3o ind\u00edgenas e aderindo a uma alimenta\u00e7\u00e3o industrializada e menos nutritiva. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para generalizar que as crian\u00e7as est\u00e3o morrendo desnutridas, com fome. Tem esse problema onde h\u00e1 presen\u00e7a dos garimpeiros. Onde n\u00e3o tem garimpo as crian\u00e7as est\u00e3o saud\u00e1veis, comendo bem e cuidando de suas atividades. O que falta \u00e9 assist\u00eancia de sa\u00fade\u201d, defende Kopenawa.<b>\u00a0<\/b>\u201cA vida do povo Yanomami est\u00e1 em risco. Nosso territ\u00f3rio est\u00e1 vulner\u00e1vel com tantos problemas ao mesmo tempo.\u201d<\/p>\n<h3 class=\"font_secondary color_gray_ultra_dark\">A escalada da viol\u00eancia com garimpos ilegais<\/h3>\n<p class=\"\">\u00c0s crises sanit\u00e1ria e ambiental, soma-se ainda uma escalada de viol\u00eancia em algumas regi\u00f5es. \u00c9 o caso da comunidade ind\u00edgena Palimiu, em Roraima. H\u00e1 uma semana, a aldeia enfrenta ataques de garimpeiros, com\u00a0<a href=\"https:\/\/oglobo.globo.com\/brasil\/yanomamis-relatam-ataque-com-tiros-bombas-de-gas-em-nova-acao-de-garimpeiros-1-25021318\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">tiros, bombas e g\u00e1s lacrimog\u00eaneo contra os ind\u00edgenas<\/a>. Na \u00faltima ter\u00e7a, garimpeiros ilegais trocaram tiros com a Pol\u00edcia Federal durante uma visita para averiguar as\u00a0<a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2020-07-14\/meus-antepassados-morreram-pelo-mesmo-que-eu-to-enfrentando-o-garimpo-ilegal-e-a-epidemia.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">den\u00fancias de ataques \u00e0 aldeia<\/a>. \u201cEu nunca tinha visto tantos tiros. S\u00f3 em filme. Eles [garimpeiros] eram muitos e tinham armamento pesado\u201d, conta J\u00fanior Yanomami, que estava na comunidade naquele\u00a0<a href=\"http:\/\/momento.no\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">momento.\u00a0<\/a>No ano passado, os ind\u00edgenas criaram uma barreira sanit\u00e1ria para evitar a passagem de garimpeiros e tentar frear a dissemina\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus. Mas o rio Uraricoera, onde fica a barreira, \u00e9 uma das principais rotas para a atividade. No dia 24 de abril, os Yanomami impediram a passagem de um grupo. Tentaram negociar para que n\u00e3o voltassem. A resposta, segundo J\u00fanior Yanomami, veio meio hora depois, com tiros em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade. Os ind\u00edgenas revidaram com flechas e tiros de espingarda.<\/p>\n<p class=\"\">Os v\u00e1rios conflitos na \u00faltima semana, segundo relatam os ind\u00edgenas, deixaram tr\u00eas garimpeiros e um Yanomami feridos. Duas crian\u00e7as teriam morrido afogadas enquanto fugiam dos tiros, segundo lideran\u00e7as. O \u00faltimo ataque, dizem, foi na noite de domingo. \u201c\u00c9 uma coisa muita s\u00e9ria. Todos l\u00e1 est\u00e3o com muito medo. Eu tamb\u00e9m fiquei\u201d, emenda J\u00fanior Yanomami. \u201cTem Yanomami correndo risco. Tenho medo de acontecer um massacre a qualquer momento. O Governo Federal tem que se mexer\u201d, clama.<\/p>\n<p class=\"\">Entidades indigenistas veem o posicionamento do presidente Bolsonaro, que j\u00e1 fez declara\u00e7\u00f5es contra a demarca\u00e7\u00e3o da terra ind\u00edgena Yanomami e costuma\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/app\/noticia\/politica\/2020\/02\/18\/interna_politica,828870\/bolsonaro-volta-a-defender-regularizacao-de-garimpo-em-terras-indigena.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\" data-link-track-dtm=\"\">defender a regulariza\u00e7\u00e3o do garimpo nos territ\u00f3rios<\/a>, como um est\u00edmulo aos conflitos. Na \u00faltima quarta-feira, o Ex\u00e9rcito at\u00e9 deslocou homens para a comunidade, mas os retirou horas depois. A 1\u00aa Brigada em Boa Vista n\u00e3o respondeu \u00e0 reportagem se reenviar\u00e1 os militares e o que motivou a retirada deles. A Pol\u00edcia Federal, por sua vez, deve retornar para investigar o caso. Enquanto isso, os ind\u00edgenas seguem em estado de alerta e medo, contam lideran\u00e7as. At\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o se modifique, devem ficar tamb\u00e9m sem os servi\u00e7os de sa\u00fade, j\u00e1 que a Sesai retirou os profissionais diante da gravidade da situa\u00e7\u00e3o. \u201cA unidade de atendimento ser\u00e1 reaberta t\u00e3o logo seja poss\u00edvel atuar em seguran\u00e7a\u201d, afirma a secretaria, acrescentando que atendimentos de urg\u00eancia ser\u00e3o realizados pontualmente no distrito sanit\u00e1rio ind\u00edgena que fica fora do territ\u00f3rio. J\u00e1 a Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio n\u00e3o retornou os contatos da reportagem. \u201cO clima \u00e9 de medo. Muito medo. Agora s\u00f3 eles est\u00e3o l\u00e1. N\u00e3o tem PF, Ex\u00e9rcito nem Sa\u00fade. Est\u00e3o sozinhos para defender a sua comunidade\u201d, finaliza J\u00fanior Yanomami.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Etnia enfrenta crises sanit\u00e1ria e ambiental com escalada de viol\u00eancia por garimpos ilegais. Povo denuncia novo ataque neste domingo. Imagem exp\u00f5e o grave e cr\u00f4nico problema da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade em v\u00e1rias aldeias DO EL PA\u00cdS &#8211; Uma rede escura acomoda o corpo mi\u00fado de uma crian\u00e7a\u00a0Yanomami\u00a0t\u00e3o magra que \u00e9 poss\u00edvel ver sua pele moldar as costelas. A fotografia de uma menina de oito anos que pesa apenas 12,5 quilos (o peso m\u00ednimo normal para a idade seria de 20 quilos), feita na aldeia Maimasi em Roraima, exp\u00f5e um problema\u00a0cr\u00f4nico de desassist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade\u00a0que os povos ind\u00edgenas enfrentam no cora\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[362],"tags":[553,433,986,686],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139738"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=139738"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139738\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":139740,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/139738\/revisions\/139740"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=139738"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=139738"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdeitarantim.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=139738"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}