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	<title>Povos tradicionais &#8211; CRÔNICAS DE ITARANTIM \\ Noticias da Região!</title>
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	<title>Povos tradicionais &#8211; CRÔNICAS DE ITARANTIM \\ Noticias da Região!</title>
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		<title>Bahia: Ao menos 18 indígenas foram assassinados no estado em 2023, aponta relatório</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jul 2024 13:04:16 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Crônica de Itarantim]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao menos 18 indígenas foram assassinados na Bahia ao longo do ano de 2023, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O estudo, intitulado “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, mostra que todas as mortes foram em cidades do sul e extremo sul do estado. A motivação? Disputas de terras. Entre os casos que ganharam repercussão está os assassinatos a tiros do pataxó Samuel Cristiano do Amor Divino, de 23 anos, e Nauí Pataxó, de 16, em 17 de janeiro do ano passado, no extremo sul do estado. Eles viviam numa retomada da Terra Indígena [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>Ao menos 18 indígenas foram assassinados na Bahia ao longo do ano de 2023, segundo relatório divulgado nesta segunda-feira (22) pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).</h4>
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<h4>O estudo, intitulado “Violência contra os Povos Indígenas no Brasil”, mostra que todas as mortes foram em cidades do sul e extremo sul do estado. A motivação? Disputas de terras.</h4>
<h4>Entre os casos que ganharam repercussão está os assassinatos a tiros do pataxó Samuel Cristiano do Amor Divino, de 23 anos, e Nauí Pataxó, de 16, em 17 de janeiro do ano passado, no extremo sul do estado.</h4>
<h4>Eles viviam numa retomada da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal e foram executados quando saíram para comprar alimentos nas proximidades. De acordo com o relatório do Cimi, o povo Pataxó luta há anos pela demarcação de suas terras naquela região.</h4>
<h4>De acordo o Bahia.ba, dados colhidos pela entidade também indicam que há uma estrutura criminosa organizada e atuando sobretudo de forças de segurança pública para agredir os povos em luta pela terra, sobretudo os Pataxó, os Pataxó Hã-Hã-Hãe e os Tupinambá.</h4>
<h4>Um dos casos mais recente aconteceu na nossa região, o assassinato da indígena Nega Pataxó próximo da cidade de Potiraguá. O assassino foi um jovem que estava fazendo parte do grupo intitulado &#8220;Invasão Zero&#8221;, que defendia uma terra que foi ocupada pelos indígenas. Este triste assassinato aconteceu no mês de janeiro deste ano.</h4>
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		<title>Igreja: Comissão pastoral da CNBB para ecologia integral e mineração faz visita a povos tradicionais do MA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 Dec 2023 19:12:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[A Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Rede Igrejas e Mineração, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), o Movimento dos Trabalhadores (as) Rurais Sem Terra (MST) e o Grupo de Estudo sobre Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA) da UFMA, com outras organizações parceiras, em comunhão com a diocese de Zé Doca (MA), realizam uma visita de apoio ao povo Ka’apor, na terra indígena Alto Turiaçu, localizada na Amazônia maranhense. A visita será realizada nos dias 19 e 20 de [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h4>A Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração (CEEM) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em parceria com a Rede Igrejas e Mineração, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), o Movimento dos Trabalhadores (as) Rurais Sem Terra (MST) e o Grupo de Estudo sobre Desenvolvimento, Modernidade e Meio Ambiente (GEDMMA) da UFMA, com outras organizações parceiras, em comunhão com a diocese de Zé Doca (MA), realizam uma visita de apoio ao povo Ka’apor, na terra indígena Alto Turiaçu, localizada na Amazônia maranhense.</h4>
<h4>A visita será realizada nos dias 19 e 20 de dezembro e permitirá dialogar com representantes do povo Ka’apor, Pastorais Sociais do regional Nordeste 5 da CNBB e Rede Eclesial Pan-Amazônica no Maranhão (REPAM-Maranhão), Movimentos Populares e Organizações de Direitos Humanos.</h4>
<h4>O objetivo da visita é escutar o povo Ka’apor sobre as suas experiências de autoproteção, suas reivindicações e denúncias, potencializar a visibilidade de suas lutas e oferecer apoio. Haverá reflexões e partilha sobre a situação do estado do Maranhão, as resistências e iniciativas dos povos e das organizações que defendem os direitos humanos e da natureza.</h4>
<h4>O bispo de Floresta (PE) e membro da Comissão para a Ecologia Integral e Mineração, dom Gabriel Marchesi, ressalta que a proposta da visita é “ver e escutar, a fim de responder um pedido de socorro lançado pelo povo Ka’apor. Mais uma vez, um povo indígena é obrigado a passar por uma história de invasão das suas terras, de violência de madeireiros e garimpeiros, de ameaças e de assassinatos, de destruição das suas terras através do avanço da mineração”.</h4>
<h4>O bispo lembra que, novamente, a arrogância da força se sobrepõe ao respeito da justiça. “A violência do poder econômico e a cobiça míope dos interesses particulares que lutam contra o direito à vida e o futuro de um povo não são novidade, infelizmente”, reflete dom Marchesi.</h4>
<h4>“Fazer-se presente, olhar e ouvir, oferecer ajuda, são verbos que fazem parte do Evangelho e da experiencia cristã de todos os tempos. Não queremos ser omissos. E temos o desejo e a esperança de dar um sinal, pequeno, mas real, que a encarnação do Senhor traz consigo a partir de agora e para sempre: um reino de justiça e santidade”, sinaliza o bispo.</h4>
<h4>Contexto do povo Ka’apor</h4>
<h4>O povo indígena Ka’apor sofre ameaças com o avanço da mineração, práticas ilegais do garimpo e invasões de madeireiros. O território deste povo representa um mosaico ambiental, último resquício da floresta amazônica no Maranhão. Nela, estão as Terras Indígenas (TI) Alto Turiaçu, Awa, Caru, e a Reserva Biológica do Gurupi. No território que faz fronteira com o estado do Pará, encontra-se também a TI Alto Rio Guamá.</h4>
<h4>A área indígena está à margem direita da BR 316 (Belém, Teresina, Recife); na margem esquerda ficam territórios quilombolas. O território está sob tensão e constantes ameaças de madeireiros, que invadem as terras indígenas para explorar madeira nobre de forma ilegal. Os Ka’apor denunciam que os madeireiros invadiram uma aldeia do território de forma violenta.</h4>
<h4>Nos últimos anos, pelo menos 12 pessoas foram assassinadas e diversas lideranças Ka’apor ou aliadas a este povo precisaram entrar em programas de proteção a defensores. Entre as vítimas, os Ka’apor denunciam a morte por envenenamento de um de seus principais líderes, o Sarapó.</h4>
<h4>Assédio do mercado de carbono</h4>
<h4>O mercado de carbono é uma grande ameaça para o povo Ka’apor. O assédio desse mercado já causa conflitos internos, o que desrespeita a única e maior organização ancestral do povo, os Tuxa Ta Pame. O território possui diversidade de flora e fauna e é alvo de empresas internacionais de minérios que atuam de forma irregular na região.</h4>
<h4>Contestando a precariedade do Estado frente aos ataques sistemáticos a suas terras, os Ka’apor montaram autonomamente um sofisticado e eficaz sistema de autoproteção. Os “Guardiões da Floresta” constroem sua proteção a partir de políticas autodeterminadas de educação e saúde, vigilância e demarcação constantes das fronteiras de seu território e uma organização comunitária coletiva. Além da violência física que os povos sofrem, o território sofre violações ambientais com ameaça dos madeireiros, dos garimpeiros e dos projetos de mineração industrial, que ganharam força nos últimos anos. (CNBB).</h4>
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		<title>Bahia é o estado com maior população quilombola do Brasil, aponta IBGE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jul 2023 20:34:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[A Bahia é o estado com a maior população quilombola do Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (27). Informações do Metro1, ao todo, no estado são 397.059 que se autodeclaram desta maneira, o que representa um terço de toda população quilombola do Brasil. Também estão na Bahia os dois municípios com mais quilombolas no Brasil: Senhor do Bonfim (com 15.999 pessoas) e Salvador (15.897). O fato de Salvador ser uma cidade litorânea e seu histórico como capital do país durante o período colonial explicam os números, segundo especialistas. Além de Senhor do [&#8230;]]]></description>
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<header class="styles__Header-sc-1ffquwr-6 cHwHXo">A Bahia é o estado com a maior população quilombola do Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados nesta quinta-feira (27).</header>
<p>Informações do Metro1, ao todo, no estado são 397.059 que se autodeclaram desta maneira, o que representa um terço de toda população quilombola do Brasil. Também estão na Bahia os dois municípios com mais quilombolas no Brasil: Senhor do Bonfim (com 15.999 pessoas) e Salvador (15.897).</p>
<p>O fato de Salvador ser uma cidade litorânea e seu histórico como capital do país durante o período colonial explicam os números, segundo especialistas. Além de Senhor do Bonfim e Salvador, a lista inclui Campo Formoso (com 12.735 quilombolas), Feira de Santana (12.190) e Vitória da Conquista (12.057).</p>
<p><a href="https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n.jpg"><img decoding="async" loading="lazy" class="size-full wp-image-157956 alignleft" src="https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n.jpg" alt="" width="526" height="687" srcset="https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n.jpg 526w, https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n-230x300.jpg 230w, https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n-400x522.jpg 400w, https://www.cronicasdeitarantim.com.br/v1/wp-content/uploads/2023/07/363768789_1750976881986219_2194558837451009401_n-459x600.jpg 459w" sizes="(max-width: 526px) 100vw, 526px" /></a></p>
<p>No norte do estado, Campo Formoso está em 8º lugar da lista nacional. É na cidade que está localizado o quilombo São Tomé, com mais de 140 anos.</p>
<p>Obs. As fotos em destaques na reportagem são registros de arquivos do site (fotos Joabes Rodrigues) na comunidade de Lages dos Negros em Campo Formoso no norte da Bahia.</p>
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		<title>PRADO: Justiça determina que reintegração de posse do território da Comunidade Indígena Pataxó</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Jul 2023 22:32:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Movimentos Sociais]]></category>
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		<category><![CDATA[terra]]></category>
		<category><![CDATA[Território]]></category>
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					<description><![CDATA[O juiz Felipo Livio Lemos Luz, da Justiça Federal em Teixeira de Freitas, determinou a reintegração de posse do território da Comunidade Indígena Pataxó da Aldeia Pequi, em Prado, sul da Bahia. A decisão atende a Ação Civil Pública proposta pela Defensoria Pública da União e pelo Ministério Público Federal contra um grupo que em abril passou a ocupar irregularmente a área, também conhecida como Sítio Calango. No pedido, DPU e MPF destacaram que após a invasão, o grupo passou a dividir a área em lotes e comercializar esses espaços por cerca de R$ 200. Além da presença de população [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="entry-content">
<p>O juiz Felipo Livio Lemos Luz, da Justiça Federal em Teixeira de Freitas, determinou a reintegração de posse do território da Comunidade Indígena Pataxó da Aldeia Pequi, em Prado, sul da Bahia.</p>
<p>A decisão atende a Ação Civil Pública proposta pela Defensoria Pública da União e pelo Ministério Público Federal contra um grupo que em abril passou a ocupar irregularmente a área, também conhecida como Sítio Calango.</p>
<p>No pedido, DPU e MPF destacaram que após a invasão, o grupo passou a dividir a área em lotes e comercializar esses espaços por cerca de R$ 200. Além da presença de população não indígena, a ocupação estaria gerando impactos ambientais negativos, incluindo dificuldades de acesso à água, limitação da pesca e insegurança para a comunidade.</p>
<p>De acordo com as instituições, a área invadida é tradicionalmente ocupada pelo povo Pataxó e está delimitada como Terra Indígena Comexatibá, conforme despacho da Funai e Relatório Circunstanciado de Identificação e Delimitação. O objetivo da Ação é impedir o agravamento de conflitos no território, que está em processo de demarcação.</p>
<p>O juiz concluiu que os indígenas possuíam posse anterior da área e que houve esbulho possessório por parte do grupo. Com base nisso, concedeu a medida liminar de reintegração de posse, determinando que os invasores desocupem voluntariamente o local no prazo de 48 horas a partir da intimação. Eles também devem desfazer as estruturas montadas.</p>
<p>O magistrado determinou ainda multa diária no valor de R$ 10 mil, para o caso de descumprimento da ordem, e autorizou a utilização de reforço policial para garantir o cumprimento da medida. (Justiça do Interior).</p>
</div>
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		<title>Bahia é o segundo estado mais violento contra povos tradicionais, aponta pesquisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Jun 2023 16:07:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Crônicas de Itarantim]]></category>
		<category><![CDATA[Povos tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[VIOLENCIA]]></category>
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					<description><![CDATA[A Bahia é o segundo estado com mais ocorrências de violência contra povos e comunidades tradicionais. Isso é o que aponta o Relatório Além da Floresta: Crimes Socioambientais nas Periferias, realizado pela Rede de Observatórios de Segurança com apoio das secretarias de segurança pública estaduais, com dados referentes ao ano de 2022. O estado baiano só fica atrás do Pará, como informou o Bahia.ba. De acordo com a pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19), apenas no ano passado, foram registrados 230 denúncias, dentre elas a ameaça foi a mais recorrente, com 131 ocorrências. Entre os anos de 2017 a 2022, foram [&#8230;]]]></description>
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<p>A Bahia é o segundo estado com mais ocorrências de violência contra povos e comunidades tradicionais. Isso é o que aponta o Relatório Além da Floresta: Crimes Socioambientais nas Periferias, realizado pela Rede de Observatórios de Segurança com apoio das secretarias de segurança pública estaduais, com dados referentes ao ano de 2022. O estado baiano só fica atrás do Pará, como informou o Bahia.ba.</p>
<p>De acordo com a pesquisa divulgada nesta segunda-feira (19), apenas no ano passado, foram registrados 230 denúncias, dentre elas a ameaça foi a mais recorrente, com 131 ocorrências. Entre os anos de 2017 a 2022, foram contabilizados 428 casos criminosos entre os povos e comunidades tradicionais. As informações foram conseguidas através da Lei de Acesso à Informação (LAI).</p>
<p>Os crimes analisados foram, lesão corporal (51 casos), injúria (30), estupro (11), tentativa de homicídio (2), importunação sexual (4) e tentativa de feminicídio (1). As mulheres foram as principais vítimas das violações, sendo alvo de 58% dos casos.</p>
<p>No caso da Bahia, foram analisadas comunidades indígenas e quilombolas. A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), considera 28 comunidades como “povos tradicionais”. São elas os Indígenas, Andirobeiras, Apanhadores de Sempre-Vivas, Caatingueiros, Catadores de Mangaba, Quilombolas, Extrativistas, Ribeirinhos, Caiçaras, Ciganos, Povos de Terreiros, Cipozeiros, Castanheiras, Faxinalenses, Fundo e Fecho de Pasto, Geraizeiros, Ilhéus, Isqueiros, Morroquianos, Pantaneiros, Pescadores Artesanais, Piaçabeiros, Pomeranos, Quebradeiras do Coco Babaçu, Retireiros, Seringueiros, Vazanteiros e Veredeiros.</p>
<p>*Foto: Crônicas de Itarantim</p>
</div>
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		<title>Com demora para julgamento do Marco Temporal, conflito se acirra entre indígenas e fazendeiros na Bahia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Sep 2022 02:56:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Bahia]]></category>
		<category><![CDATA[Conflito]]></category>
		<category><![CDATA[Marco temporal]]></category>
		<category><![CDATA[Povos tradicionais]]></category>
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					<description><![CDATA[Gustavo Conceição da Silva nasceu em 2008, na Terra Indígena de Comexatibá, no extremo-sul da Bahia. O menino, indígena pataxó, cresceu na área entre fazendas, plantações de manga e praias. Não sabia que um julgamento feito em 2009, logo após seu nascimento, mais tarde interferiria na própria vida — tirada no último dia 4. O julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, foi parar no Supremo Tribunal Federal por causa de conflitos entre indígenas e arrozeiros. Os ministros do STF decidiram que a terra pertencia aos indígenas, uma vez que já estavam lá quando foi promulgada a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Gustavo Conceição da Silva nasceu em 2008, na Terra Indígena de Comexatibá, no extremo-sul da Bahia. O menino, indígena pataxó, cresceu na área entre fazendas, plantações de manga e praias. Não sabia que um julgamento feito em 2009, logo após seu nascimento, mais tarde interferiria na própria vida — tirada no último dia 4.</p>
<p>O julgamento da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, foi parar no Supremo Tribunal Federal por causa de conflitos entre indígenas e arrozeiros. Os ministros do STF decidiram que a terra pertencia aos indígenas, uma vez que já estavam lá quando foi promulgada a Constituição Federal. Recentemente, o período passou a ser chamado de “Marco Temporal”.</p>
<p>Foi apenas em 2019, quando Gustavo já tinha 11 anos, que o assunto do Marco Temporal voltou à tona, assombrando todas as terras indígenas em fase de homologação. Mesmo com a demarcação publicada no Diário Oficial, as TIs [Terras Indígenas] de Comexatibá e Barra Velha, no extremo-sul do estado, tiveram seus processos suspensos para aguardar um novo julgamento do STF.</p>
<p>“Com a demora e a morosidade do estado brasileiro de demarcar a terra indígena, as comunidades vêm fazendo as retomadas — aqui na TI de Comexatibá são 28 mil hectares, em Barra Velha são 52 mil hectares, e nós somos um povo só”, conta um dos parentes de Gustavo, que preferiu não se identificar. Junto a ele, o adolescente escreveu um cartaz que dizia: “Demarcação Já!”.</p>
<p>As retomadas são a ocupação das áreas demarcadas por conta própria dos indígenas. A primeira feita pela TI de Comexatibá aconteceu em junho, na Fazenda Santa Bárbara, na cidade do Prado. Um mês depois, começaram as retaliações. No último dia 4, homens em três carros cercaram a ocupação e atiraram às cegas. Gustavo acordou e começou a correr pela plantação de manga, quando foi atingido pelos tiros. Aos 14 anos, morreu. O sonho de ser médico deixado para trás.</p>
<p>Até o momento, os Pataxós do extremo-sul da Bahia organizaram cinco retomadas em territórios demarcados. “Tem uns 2 meses em que a pistolagem se acirrou muito e as comunidades do extremo- -sul da Bahia estão em constantes ataques. Vários grileiros e supostos fazendeiros se uniram para fazer essa contratação de pistoleiros ”, diz Rutian Pataxó, Secretária Geral do Mupoiba.</p>
<h3>Pistolagem e massacre de indígenas</h3>
<p>O Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba) recebeu em junho vídeos, gravados pelos “pistoleiros”, em que eles falavam sobre “fazer o que estão fazendo no Mato Grosso”. Nas redes sociais, o vídeo que circulou mostra caminhonetes em comboio numa estrada de terra. “Todos os proprietários rurais se juntando para tirar da Fazenda Brasília os falsos índios, que não são índios.”, diz o homem que gravou o vídeo.</p>
<p>No dia 25 de junho, no Mato Grosso do Sul, aconteceu o que ficou conhecido como o Massacre de Gwapoy. A repressão de policiais militares à retomada deixou pelo menos um morto e 10 feridos.</p>
<p>Na noite da última segunda-feira, pistoleiros invadiram a TI Barra Velha, em um novo ataque à comunidade de Aldeia Nova. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) alertou que houve outro cerco armado. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram mulheres e crianças fugindo para a mata.</p>
<p>Procurado, o Ministério Público Federal afirmou que está apurando os conflitos fundiários e os atos de violência praticados contra comunidade indígena. Os indígenas reclamam da falta de presença dos órgãos públicos no local. Fonte da informação: Metro1.</p>
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		<title>Bolsonaro inaugura ponte às margens de terra Yanomami e ignora crise que põe povo indígena na mira de garimpeiros</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 28 May 2021 06:30:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[Degradação]]></category>
		<category><![CDATA[Governo federal]]></category>
		<category><![CDATA[Povos tradicionais]]></category>
		<category><![CDATA[Yanomami]]></category>
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					<description><![CDATA[Presidente inaugurou uma ponte na BR-307 e indígenas e ativistas temem que obra possa facilitar a chegada de mineradores ilegais às aldeias, que são alvo de ataques desde o começo de maio Em sua primeira visita a uma terra indígena, o presidente Jair Bolsonaro esteve nesta quinta-feira na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM) para inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros de comprimento e sete de largura na BR-307, que liga o município a comunidades Yanomami em Maturacá, uma das que mais sofrem com a mineração ilegal na região. Em sua agenda, Bolsonaro almoçou com autoridades militares, para quem discursou, [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="article_header" class="a_hg basic | ">
<h4 class="a_st font_secondary color_gray_dark ">Presidente inaugurou uma ponte na BR-307 e indígenas e ativistas temem que obra possa facilitar a chegada de mineradores ilegais às aldeias, que são alvo de ataques desde o começo de maio</h4>
<p class="">Em sua primeira visita a uma terra indígena, o presidente<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/jair-messias-bolsonaro/" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm=""> Jair Bolsonaro</a> esteve nesta quinta-feira na cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM) para inaugurar uma ponte de madeira de 18 metros de comprimento e sete de largura na BR-307, que liga o município a comunidades Yanomami em Maturacá, uma das que mais sofrem com a <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/26/album/1461691788_376490.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">mineração ilegal na região</a>. Em sua agenda, Bolsonaro almoçou com autoridades militares, para quem discursou, sem fazer sequer uma menção à crise sanitária e ambiental enfrentada por esse povo indígena, que tem sofrido, nas últimas semanas, ataques de garimpeiros na aldeia Palimiú (localizada às margens do rio Uraricoera, no município de Alto Alegre), além de enfrentar uma grave crise sanitária. Para além da covid-19, os Yanomami enfrentam um problema crônica de falta de acesso à saúde, como evidenciou a<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-05-17/8-anos-e-12-quilos-a-crianca-com-malaria-e-desnutricao-que-simboliza-o-descaso-com-os-yanomami-no-brasil.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm=""> foto de uma criança de oito anos pesando apenas 12 quilos</a>, acometida por <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020/01/17/internacional/1579259728_079181.html" data-link-track-dtm="">malária</a>, pneumonia, verminose e desnutrição na aldeia Maimasi, em Roraima.</p>
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<div id="google_ads_iframe_7811748/elpais_brasil_web/brasil/intext_0__container__">Lideranças indígenas e ambientalistas ouvidos pelo EL PAÍS temem, inclusive, que a ponte inaugurada por Bolsonaro possa facilitar o acesso de garimpeiros ilegais à aldeia Maturacá e outras da região. “Essa visita é apenas um gancho para o presidente defender mais uma vez a legalização do garimpo em nossas terras. É uma armadilha, um pretexto para dizer que os Yanomami estão morrendo de fome, pobrezinhos, e pedir apoio no Congresso para legalizar atividades econômicas em terras demarcadas”, afirma Dário Kopenawa, presidente da Hutukara Associação Yanomami. Desde a campanha eleitoral em 2018, <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-02-05/bolsonaro-anuncia-projeto-que-permite-garimpo-em-area-indigena-e-sugere-confinar-ambientalistas.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">Bolsonaro defende a utilização comercial de terras indígenas</a> e prometeu não demarcar “nenhum centímetro de terra” para os povos originários, algo que, até o momento, cumpriu.</div>
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<p class="">Dário afirma que é “uma cara-de-pau” de Bolsonaro realizar essa visita em meio à pandemia de covid-19, colocando em risco a saúde de toda a população local e lembra que “inaugurar uma ponte não é responsabilidade do presidente” da República. “Com quase 500.000 pessoas mortas na pandemia, ele quebra um protocolo sanitário ao trazer uma comitiva que pode levar doença às nossas terras. Na aldeia Maturacá, por exemplo, já morreram três pessoas por covid-19″, conta. Ele foi uma das lideranças que assinaram uma <a href="https://apiboficial.org/2021/05/27/carta-de-repudio-a-visita-do-presidente-jair-bolsonaro-a-terra-indigena-yanomami-no-alto-rio-negro-e-a-sua-pauta-anti-indigena-em-favor-da-mineracao-em-terras-indigenas/" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">carta de repúdio à presença de Bolsonaro</a> no território: “Manifestamos nossa total contrariedade a qualquer iniciativa de abertura das terras indígenas a atividades econômicas, políticas e culturais que venham ameaçar nossa paz e nossa tranquilidade de viver em nossas terras tradicionais conforme nossas tradições, culturas, nossos saberes, valores e modos milenares de vida e de existências”, escreveram.</p>
<p class="">A visita de Bolsonaro acontece no momento em que o <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/12/26/politica/1419618934_407302.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Yanomami</a> cresce a um ritmo inédito: somente nos três primeiros meses de 2021, a devastação visível correspondeu a 200 hectares, cerca de 10% de toda a devastação acumulada em 10 anos, como mostra um <a href="https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/sistema-de-monitoramento-do-garimpo-ilegal-na-ti-yanomami-relatorio-do-primeiro" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">relatório feito com imagens de satélite e fotografias aéreas</a> obtidas no início de abril por pesquisadores Hutukara Associação Yanomami e divulgado na terça-feira. No ano passado, o mesmo levantamento revelou 500 hectares destruídos, que se somaram a 1.700 hectares devastados desde o início da década passada, quando o garimpo ilegal voltou com intensidade às terras dos povos Yanomami e Ye’kwanas, nos estados de Roraima e Amazonas. No balanço total, a área ocupada pela mineração ilegal é de aproximadamente 2.400 hectares —quase 2.400 estádios do Maracanã.</p>
<p class="">Estêvão Senra, geógrafo e pesquisador que foi um dos responsáveis pelo relatório, lembra que o garimpo na TI Yanomami é um problema crônico, desde 1980, quando cerca de 40.000 garimpeiros invadiram o território. “Nessa época, 18% dos Yanomami de Roraima morreram por impactos diretos ou indiretos do garimpo em sua saúde”, ressalta. Hoje, entre as áreas de atividade ilegal que se ampliaram está o chamado “Tatuzão do Mutum”, na beira do rio Uraricoera, onde os criminosos têm atacado com disparos de armas de fogo e bombas de gás lacrimogêneo a comunidade de Palimiú. Tais ataques começaram no dia 10 de maio, após a instalação de uma barreira sanitária para proteger a aldeia da covid-19.</p>
<p class="">As imagens do relatório da Hutukara Associação Yanomami revelam a magnitude da destruição causada na região: em meio às crateras profundas, surgem feridas de terra avermelhada que contrastam com o verde da floresta ao redor. Os garimpeiros são pequenos pontos pretos nesse cenário. Senra e outros técnicos do Instituto Socioambiental (ISA) denunciam o surgimento do que pode ser “uma segunda <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/26/cultura/1564157673_876694.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">Serra Pelada”, em referência ao que foi o maior garimpo a céu aberto</a> do mundo, até esgotar o minério, no fim da década de 1980, e que deixou uma crise ambiental e social que persiste ainda hoje naquela região do Pará.</p>
<p class="">“Depois da demarcação da TI Yanomami em 1992, houve a retirada dos garimpeiros e apenas alguns núcleos permaneceram. Até então, era algo mais disperso, mas hoje observamos uma maior complexidade nessa atividade ilegal”, diz Senra. Segundo ele, as imagens de satélites e sobrevoos já revelavam nos últimos anos o surgimento de uma “cidade do garimpo”, concentrando serviços como mercearias, lojas de produtos de higiene, bares e casas de prostituição. “Operações do Exército chegaram a encontrar até <i>lan houses </i>e consultórios odontológicos próximo desses garimpos”, acrescenta.</p>
<p class="">Em algumas imagens, é possível observar o fluxo de barcos, aviões e helicópteros que transportam um maquinário caro e pesado. “Hoje em dia,<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-02/a-mineracao-em-terra-indigena-com-nome-sobrenome-e-cnpj.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm=""> o garimpo ilegal é uma atividade de grandes empresários </a>com capacidade de fazer um investimento logístico enorme. Os garimpeiros são apenas massa de manobra que apoiam o Governo. Eles representam um percentual eleitoral significativo em estados como Roraima”, explica Senra.</p>
<p class="">Para o geógrafo, a visita de Bolsonaro nesse território será interpretada por esses agentes criminosos como um “sinal verde para continuarem destruindo e atuando ilegalmente”, principalmente no momento em que tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 191/2020, que libera a mineração dentro de terras indígenas. “A expansão vertiginosa do garimpo ilegal se relaciona com o desmonte dos órgãos de fiscalização e controle ambiental. Todos os discursos e ações do presidente promovem uma nova corrida do ouro em direção a esses territórios protegidos”, conclui Senra. Fonte: El País.</p>
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		<title>BRASIL] 8 anos e 12 quilos, a criança com malária e desnutrição que simboliza o descaso com os Yanomami no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joabes Rodrigues]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 18 May 2021 03:55:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Abandono]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Índios]]></category>
		<category><![CDATA[Povos tradicionais]]></category>
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					<description><![CDATA[Etnia enfrenta crises sanitária e ambiental com escalada de violência por garimpos ilegais. Povo denuncia novo ataque neste domingo. Imagem expõe o grave e crônico problema da assistência à saúde em várias aldeias DO EL PAÍS &#8211; Uma rede escura acomoda o corpo miúdo de uma criança Yanomami tão magra que é possível ver sua pele moldar as costelas. A fotografia de uma menina de oito anos que pesa apenas 12,5 quilos (o peso mínimo normal para a idade seria de 20 quilos), feita na aldeia Maimasi em Roraima, expõe um problema crônico de desassistência à saúde que os povos indígenas enfrentam no coração [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div id="article_header" class="a_hg basic | ">
<h4 class="a_st font_secondary color_gray_dark ">Etnia enfrenta crises sanitária e ambiental com escalada de violência por garimpos ilegais. Povo denuncia novo ataque neste domingo. Imagem expõe o grave e crônico problema da assistência à saúde em várias aldeias</h4>
<p class="">DO EL PAÍS &#8211; Uma rede escura acomoda o corpo miúdo de uma criança <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-24/maes-yanomami-imploram-pelos-corpos-de-seus-bebes.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">Yanomami</a> tão magra que é possível ver sua pele moldar as costelas. A fotografia de uma menina de oito anos que pesa apenas 12,5 quilos (o peso mínimo normal para a idade seria de 20 quilos), feita na aldeia Maimasi em Roraima, expõe um problema <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-09-08/a-gente-tem-que-saber-qual-e-a-doenca-que-esta-nos-matando.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">crônico de desassistência à saúde</a> que os povos indígenas enfrentam no coração da Amazônia ―e que vem crescendo ano após ano. A criança estava acometida por <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020/01/17/internacional/1579259728_079181.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">malária</a>, pneumonia, verminose e desnutrição, em uma região sem visitas regulares de equipes sanitárias e que fica a 11 horas a pé do polo de saúde mais próximo. Ela teve sua imagem capturada dias antes de ser transferida de avião a um hospital da capital Boa Vista no dia 23 de abril, onde já se recuperou da malária, mas segue em tratamento para os outros problemas. Virou símbolo do histórico descaso do Brasil com o povo Yanomami, que luta para sobreviver em meio a uma junção de graves crises: a <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-03/davi-kopenawa-os-garimpeiros-sem-duvida-vao-matar-os-indios-isolados-na-area-yanomani.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">escalada de violência por garimpeiros ilegais</a>, os impactos ambientais que levam fome a algumas regiões e a fragilidade do acesso à atenção sanitária.</p>
<p class="">“Na <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-07-11/o-coronavirus-esta-quebrando-a-nossa-crenca-o-luto-imposto-aos-povos-indigenas-na-pandemia.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">cultura Yanomami</a> a gente não pode demonstrar imagem de criança, frágil, doente. Mas é muito importante [fazer isso] pela crise que estamos vivendo”, explica o líder indígena Dario Kopenawa, ao autorizar a publicação da fotografia nesta reportagem. Para esta etnia, a imagem da pessoa é parte importante dela e disseminá-la em uma situação de enfermidade pode enfraquecê-la ainda mais. Até quando se morre, é preciso queimar todas as lembranças de quem partiu para preservar seu espírito no mundo dos mortos. Mas a comunidade decidiu divulgar a fotografia enquanto a criança tenta se recuperar para denunciar aos <i>napëpë</i> ―como chamam os não indígenas― seu sofrimento diante da grave crise de saúde que os ameaça.</p>
<p class="">“Esta foto é uma resposta da <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-19/o-ultimo-anciao-juma-morre-de-covid-19-e-leva-para-o-tumulo-a-memoria-de-um-povo-aniquilado-no-brasil.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">violação de direitos dos povos indígenas</a>”, resume Kopenawa. Enquanto a malária e a covid-19 avançam sobre as aldeias, lideranças narram que equipes de saúde foram reduzidas com profissionais afastados por covid-19 e outras doenças, postos de saúde foram fechados temporariamente e falta helicóptero para transporte de pacientes em áreas de difícil acesso. “A gente sofre há muito tempo sem estrutura boa, sem todos os profissionais completos pra dar assistência. Com a pandemia, piorou”, destaca Konepawa. O problema afeta especialmente as comunidades mais isoladas, que dependem de visitas esporádicas das equipes. “Tem locais que estão ainda sem vacinação contra a covid-19 porque não têm profissionais. São comunidades que ficam longe dos postos, não têm como chegar”, acrescenta Júnior Yanomami, membro do Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi), um órgão responsável pelo controle social das ações governamentais. No Brasil, os grupos indígenas são prioritários na fila de vacinação.</p>
<h3 class="font_secondary color_gray_ultra_dark">“A saúde Yanomami está abandonada. Falta tudo”</h3>
<p class="">“A <a href="https://brasil.elpais.com/opiniao/2020-04-26/o-brasil-nao-pode-abandonar-povos-indigenas-durante-a-pandemia.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">saúde Yanomami está abandonada</a>. Falta tudo”, continua o líder indígena. Segundo ele, a aldeia Maimasi, que vive um surto de malária e onde várias crianças <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/17/ciencia/1429277446_083699.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">padecem com desnutrição e verminoses</a>, não recebia visita de equipes de saúde havia seis meses, quando profissionais atenderam a criança da fotografia (divulgada por um missionário católico e publicada pela <i>Folha de S. Paulo), </i>no final de abril. A equipe não dispunha de medicamentos suficientes para todos os que precisavam, conta o indígena. A Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), responsável pela atenção aos povos originários, dá uma versão diferente: diz que o atendimento ocorreu dia<b> </b>19 de março, “mas a família não autorizou a remoção para uma unidade de saúde”. Também garante ter estoque suficiente de medicamentos e ter contratado profissionais de saúde, mas não esclarece qual é a frequência das visitas à aldeia. A Sesai tampouco informa ao EL PAÍS sobre a incidência de malária, desnutrição e mortalidade infantil para dar a dimensão do crescimento das doenças na região.</p>
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<p class="">Esses problemas de saúde não são generalizados em todo o território Yanomami ―tão vasto quanto a área de um país como Portugal―, mas estão presentes em várias comunidades. Um estudo realizado por pesquisadores da Fiocruz em duas áreas do território ―Auaris e Maturaká― e divulgado no ano passado dá pistas sobre o tamanho do problema: 80% das crianças de até 5 anos apresentavam desnutrição crônica e 50% desnutrição aguda nestes locais. A situação está relacionada desde à escassez de água potável até a falta de acompanhamento nutricional e de pré-natal na gestação. Passa ainda pelos quadros de verminoses, malária e diarreia frequentes nas comunidades, sem ações preventivas de saúde fortes. “Desde 2019, relato as necessidades e pedimos socorro ao Governo”, diz Júnior Yanomami. “Agora está pior. Aumentou muito a desnutrição. Onde tem garimpo forte tem o <a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-15/uma-galinha-caipira-contra-a-fome-no-corredor-seco-da-america-central.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">problema da fome</a>. E na pandemia aumentaram as invasões. Como eu vou explicar a fome dos Yanomami? Eles [os garimpeiros] sujam os rios, destroem a floresta, acabam a caça. Nós nos alimentamos da natureza”, explica o indígena.</p>
<p class="">Os moradores da Maimasi são descendentes de um dos grupos mais afetados pela abertura da estrada <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/14/album/1544820031_646949.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">Perimetral Norte (BR-210)</a> na década de 1970, durante a <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/03/28/politica/1553792946_568502.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">ditadura militar</a>. Naquela época, parte significativa do grupo morreu diante de surtos de sarampo e outras doenças levadas pelos trabalhadores das obras. Há anos, eles cobram um posto de saúde, mas por enquanto seguem dependendo de visitas esporádicas da equipe de saúde à comunidade. A situação que já era difícil ficou pior especialmente a partir do ano passado. As visitas diminuíram enquanto cresceram as atividades de garimpeiros ilegais, aumentando a chance de doenças transmissíveis e a violência. E os casos de malária, enfrentados pelos indígenas há décadas e considerados “endêmicos” pela Sesai, seguem crescendo. Segundo Júnior Yanomami, só neste ano já foram identificados cerca de 10.000 casos, o que corresponde a pouco mais de um terço de toda a população yanomami, de cerca de 29.000 pessoas. “A criança na foto provavelmente expressa esse somatório de tragédias”, afirma uma nota da Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana.</p>
<h3 class="font_secondary color_gray_ultra_dark">“Nosso território está vulnerável com tantos problemas ao mesmo tempo”</h3>
<p class="">Os vários problemas sanitários, ambientais e sociais enfrentados não estão dissociados. O <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-05-07/desmatamento-na-amazonia-no-mes-de-abril-e-o-maior-em-seis-anos-aponta-inpe.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">desmatamento na Amazônia no último mês de abril foi o maior em seis anos</a>, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O desmatamento tem crescido ano após ano, e o desequilíbrio ambiental interfere na alimentação dos povos da floresta, que se alimentam do que colhem, pescam e caçam nas comunidades mais isoladas. Em várias áreas, a presença de garimpeiros e madeireiros ilegais leva ainda à <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/20/politica/1492722067_410462.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">contaminação de rios com mercúrio</a>, contribuindo para desnutrição, desidratação e diarreia. Com os recursos diminuindo na floresta e a fome à espreita, alguns indígenas acabam trabalhando com não indígenas e aderindo a uma alimentação industrializada e menos nutritiva. “Não dá para generalizar que as crianças estão morrendo desnutridas, com fome. Tem esse problema onde há presença dos garimpeiros. Onde não tem garimpo as crianças estão saudáveis, comendo bem e cuidando de suas atividades. O que falta é assistência de saúde”, defende Kopenawa.<b> </b>“A vida do povo Yanomami está em risco. Nosso território está vulnerável com tantos problemas ao mesmo tempo.”</p>
<h3 class="font_secondary color_gray_ultra_dark">A escalada da violência com garimpos ilegais</h3>
<p class="">Às crises sanitária e ambiental, soma-se ainda uma escalada de violência em algumas regiões. É o caso da comunidade indígena Palimiu, em Roraima. Há uma semana, a aldeia enfrenta ataques de garimpeiros, com <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/yanomamis-relatam-ataque-com-tiros-bombas-de-gas-em-nova-acao-de-garimpeiros-1-25021318" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">tiros, bombas e gás lacrimogêneo contra os indígenas</a>. Na última terça, garimpeiros ilegais trocaram tiros com a Polícia Federal durante uma visita para averiguar as <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-07-14/meus-antepassados-morreram-pelo-mesmo-que-eu-to-enfrentando-o-garimpo-ilegal-e-a-epidemia.html" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">denúncias de ataques à aldeia</a>. “Eu nunca tinha visto tantos tiros. Só em filme. Eles [garimpeiros] eram muitos e tinham armamento pesado”, conta Júnior Yanomami, que estava na comunidade naquele <a href="http://momento.no/" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">momento. </a>No ano passado, os indígenas criaram uma barreira sanitária para evitar a passagem de garimpeiros e tentar frear a disseminação do coronavírus. Mas o rio Uraricoera, onde fica a barreira, é uma das principais rotas para a atividade. No dia 24 de abril, os Yanomami impediram a passagem de um grupo. Tentaram negociar para que não voltassem. A resposta, segundo Júnior Yanomami, veio meio hora depois, com tiros em direção à comunidade. Os indígenas revidaram com flechas e tiros de espingarda.</p>
<p class="">Os vários conflitos na última semana, segundo relatam os indígenas, deixaram três garimpeiros e um Yanomami feridos. Duas crianças teriam morrido afogadas enquanto fugiam dos tiros, segundo lideranças. O último ataque, dizem, foi na noite de domingo. “É uma coisa muita séria. Todos lá estão com muito medo. Eu também fiquei”, emenda Júnior Yanomami. “Tem Yanomami correndo risco. Tenho medo de acontecer um massacre a qualquer momento. O Governo Federal tem que se mexer”, clama.</p>
<p class="">Entidades indigenistas veem o posicionamento do presidente Bolsonaro, que já fez declarações contra a demarcação da terra indígena Yanomami e costuma <a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/02/18/interna_politica,828870/bolsonaro-volta-a-defender-regularizacao-de-garimpo-em-terras-indigena.shtml" target="_blank" rel="noopener" data-link-track-dtm="">defender a regularização do garimpo nos territórios</a>, como um estímulo aos conflitos. Na última quarta-feira, o Exército até deslocou homens para a comunidade, mas os retirou horas depois. A 1ª Brigada em Boa Vista não respondeu à reportagem se reenviará os militares e o que motivou a retirada deles. A Polícia Federal, por sua vez, deve retornar para investigar o caso. Enquanto isso, os indígenas seguem em estado de alerta e medo, contam lideranças. Até que a situação se modifique, devem ficar também sem os serviços de saúde, já que a Sesai retirou os profissionais diante da gravidade da situação. “A unidade de atendimento será reaberta tão logo seja possível atuar em segurança”, afirma a secretaria, acrescentando que atendimentos de urgência serão realizados pontualmente no distrito sanitário indígena que fica fora do território. Já a Fundação Nacional do Índio não retornou os contatos da reportagem. “O clima é de medo. Muito medo. Agora só eles estão lá. Não tem PF, Exército nem Saúde. Estão sozinhos para defender a sua comunidade”, finaliza Júnior Yanomami.</p>
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