A pergunta que não quer calar nos bastidores e nas conversas em Itarantim: o prefeito Fábio Gusmão irá ou não sair às ruas pedindo votos para o presidente Lula no segundo turno?
A dúvida ganhou força depois do resultado do primeiro turno. Fábio foi um dos principais nomes na cidade em defesa da reeleição de Lula, mobilizando e pedindo voto abertamente. No entanto, com o resultado nacional — em que Lula ficou em segundo lugar no primeiro turno —, o silêncio do prefeito tem gerado especulações. Até o momento, ele não sinalizou se vai manter a mesma intensidade de apoio para os 15 dias que faltam até a decisão final.
Pronunciamento:
O prefeito se pronunciou em vídeo gravado sobre o segundo turno. Em sua fala, reconheceu a existência de seu eleitorado do outro lado — referindo-se aos eleitores de inclinação bolsonarista —, mas afirmou de forma clara que a melhor opção é Lula, pedindo a quem já votou que repita o voto e convide mais pessoas para fazer o mesmo.
No entanto, o que chamou atenção foi o que não foi dito: o prefeito não mencionou a realização de caminhadas, nem qualquer intensificação da campanha nas ruas do município. No primeiro turno, as mobilizações eram constantes e visíveis; agora, a fala foi mais contida: um apelo ao voto, mas sem convocar a militância para as ruas.
A postura reflete, talvez, a própria realidade interna de sua base política, onde convivem apoiadores de ambos os lados da disputa nacional. O recado foi dado, mas em tom mais suave. Cabe agora à população observar se nas ruas haverá movimento ou se o apoio ficará restrito às palavras.
Uma base dividida dentro do governo:
O cenário interno da gestão municipal pode explicar parte dessa cautela. A administração de Fábio Gusmão convive com um contraste curioso: ao mesmo tempo em que o prefeito é entusiasta do campo petista e ajudou decisivamente na eleição e reeleição do governador Jerônimo Rodrigues, dentro do governo há nomes de clara identificação bolsonarista ocupando cargos de confiança.
Essa divisão já se reflete em tensões públicas. O secretário de Administração, Jailton Brito, de origem petista, segundo informações, tem enfrentado atritos com integrantes da ala bolsonarista do primeiro escalão. Uma convivência que, por vezes, parece difícil de equilibrar.
O chamamento de Jerônimo:
Enquanto o prefeito municipal mantém discrição, o governador Jerônimo Rodrigues já se movimentou: reuniu prefeitos aliados nesta semana para articular e fortalecer a campanha de Lula no segundo turno. A expectativa agora é saber se Fábio irá atender ao chamado ou se manterá numa postura mais cautelosa.
O que diz a população:
A pergunta que circula entre os moradores e leitores do portal é simples e direta: será que veremos o prefeito nas ruas novamente? O silêncio é interpretado por uns como estratégia; por outros, como sinal de mudança. A resposta virá nos próximos dias, quando a campanha esquentar de fato e cada líder mostrar em quem realmente acredita.
Como sempre dizemos: em política, o silêncio também é resposta. Mas só o tempo dirá qual é a certa. E o tempo, agora, corre contra o relógio.