A proposta de delação premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República (PGR) por João Carlos Mansur, ex-controlador da Reag Investimentos, aponta uma nova frente da relação financeira de ACM Neto (União Brasil) com o Banco Master. Além de ter recebido pagamentos por serviços de consultoria, o candidato ao governo da Bahia manteve investimentos em ativos ligados à instituição financeira e obteve ganhos milionários por meio de um fundo exclusivo. As informações foram reveladas pela jornalista Natália Portinari, em sua coluna no UOL.
Segundo os dados apresentados, ACM Neto era o único cotista do fundo Seattle 95, administrado pela Reag até 2025. O veículo de investimento direcionou cerca de R$ 4,8 milhões ao fundo Structure, lastreado em empréstimos consignados originados pelo Banco Master.
Ao todo, ACM Neto fez dez aportes no Seattle 95, somando R$ 7,92 milhões. Em outubro de 2025, o patrimônio do fundo havia alcançado R$ 11,94 milhões. A diferença corresponde a um ganho de aproximadamente R$ 4,01 milhões, com rentabilidade média de 17% ao ano.
Os dados da delação ampliam as informações já conhecidas sobre os negócios de ACM Neto com empresas ligadas ao caso Master. Até então, havia sido revelado que a A&M Consultoria, empresa do político baiano, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag entre o fim de 2022 e maio de 2024. Os pagamentos constam de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
As novas informações indicam, portanto, que ACM Neto mantinha simultaneamente duas modalidades de relação financeira com o grupo: enquanto sua empresa prestava serviços e recebia pagamentos, ele também investia recursos em produtos relacionados ao Master por meio de um fundo administrado pela Reag.