Transporte escolar da cidade de Cordeiros é alvo de denúncias por condições precárias

Pais de crianças relatam dificuldades com transporte escolar a mais de 30 dias em Cordeiros.
Pais afirmaram durante essa semana para nossa reportagem que falta de transporte adequado tem prejudicado a frequência de crianças da educação infantil; há relatos de famílias pagando terceiros para buscar os filhos e de problemas também na estrutura da creche.
A situação do transporte escolar na zona rural de Cordeiros volta a ser alvo de cobranças. O problema, que já havia sido levantado anteriormente, ganhou um novo capítulo após famílias relatarem que estão sendo cobradas pelas faltas dos filhos e que, em alguns casos, a situação teria chegado ao conhecimento do Conselho Tutelar.
Segundo relatos recebidos pelo portal Crônicas de Itarantim, são crianças em idade de creche e moram a 14 ou mais quilômetros da unidade escolar. Os pais trabalham, muitos não possuem veículo próprio e dependem do transporte escolar para garantir a frequência dos filhos.
Problema estaria principalmente no retorno ao meio-dia
De acordo com as famílias, no período da manhã existe transporte com acompanhamento. O maior problema estaria no horário do meio-dia.
Nesse período, crianças pequenas precisariam utilizar um ônibus junto com adolescentes, estudantes de outras etapas de ensino e até mesmo caronas, sem a presença de um monitor responsável especificamente pelo acompanhamento dos menores.
As famílias também relatam situações em que não haveria sequer garantia de assento para todas as crianças, aumentando a preocupação com a segurança durante o percurso.
Por se tratar de crianças em idade de creche e educação infantil, os pais defendem que o transporte precisa considerar as particularidades dessa faixa etária, especialmente no que diz respeito à supervisão e à segurança.
Família precisa pagar alguém para buscar o próprio filho
A dificuldade já está provocando impacto financeiro para algumas famílias.
Há relato de responsável que, por precisar trabalhar e não ter condições de abandonar suas atividades diariamente para buscar a criança, está tendo que pagar outra pessoa para fazer o transporte do filho.
Na prática, uma família que já depende do serviço público acaba precisando retirar dinheiro do próprio orçamento para conseguir garantir o retorno da criança para casa.
A situação gera indignação porque, enquanto os responsáveis são cobrados pela frequência escolar, alguns precisam encontrar e custear por conta própria uma solução para uma dificuldade relacionada justamente ao transporte.
Escola já teria sido informada sobre o motivo das faltas
Segundo uma das famílias, a direção da unidade escolar já havia sido comunicada de que a criança estava faltando em razão do problema com o transporte e da ausência de acompanhamento adequado no horário de retorno.
Os responsáveis afirmam que não há intenção de afastar as crianças da escola.
O problema, segundo eles, é justamente não terem condições de realizar diariamente, por conta própria, um deslocamento de aproximadamente 14 ou mais quilômetros para levar e buscar os filhos.
As famílias que possuem veículo ou alguém disponível para fazer o trajeto conseguem contornar a situação. Para quem depende exclusivamente do serviço público, porém, a realidade é diferente.
Responsável relata ter sido aconselhada por vereadora da região a “desistir”
Outro relato chama atenção.
Segundo um dos responsáveis, ao procurar apoio para tentar solucionar a situação, uma vereadora da região teria afirmado que seria melhor ela desistir, pois não conseguiria nada.
Caso o relato corresponda ao que efetivamente ocorreu, a declaração causa preocupação, sobretudo porque representantes eleitos são procurados pela população justamente para intermediar demandas, fiscalizar serviços públicos e cobrar soluções do Poder Executivo.
Para as famílias, ouvir que seria melhor desistir aumenta a sensação de abandono diante de um problema que afeta diretamente crianças pequenas.
Desistir da cobrança não resolve o transporte, não coloca monitor no ônibus e não garante segurança para as crianças.
Reclamações também envolvem estrutura da creche
As preocupações das famílias não estariam restritas ao transporte escolar.
Também existem reclamações relacionadas à própria estrutura disponibilizada para as crianças na creche.
Segundo relatos, não haveria colchões em quantidade suficiente e em boas condições para o momento de descanso das crianças.
As famílias também apontam a ausência de um parquinho ou espaço adequado para que as crianças possam brincar e desenvolver atividades recreativas.
Esses relatos ampliam a discussão sobre as condições oferecidas à educação infantil, já que crianças pequenas necessitam não apenas de acesso à escola, mas também de um ambiente adequado às suas necessidades de descanso, cuidado, recreação e desenvolvimento.
Antes de responsabilizar os pais, é preciso analisar o problema
O Conselho Tutelar possui papel fundamental na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, inclusive no acompanhamento de situações relacionadas à frequência escolar.
Entretanto, a cobrança feita pelas famílias é para que a causa das ausências também seja considerada.
Não se trata, segundo os relatos, de pais que simplesmente decidiram não mandar seus filhos para a escola. São famílias que afirmam desejar a frequência regular das crianças, mas que dependem da existência de condições adequadas para que isso aconteça.
Por isso, a discussão não deve ser resumida apenas ao número de faltas.
Se existe uma obrigação da família de assegurar a frequência escolar, também é necessário que o poder público garanta condições para que a criança possa chegar à escola e retornar para casa de maneira segura.
Cobrar frequência é necessário. Garantir condições também, afirmam.
As famílias não pedem privilégio. Pedem uma solução.
Querem transporte adequado, acompanhamento para crianças pequenas, segurança durante o percurso e condições dignas dentro da unidade de educação infantil.
Também não parece razoável que uma família tenha que escolher entre abandonar o trabalho para buscar o filho ou pagar do próprio bolso para suprir uma necessidade que depende do transporte escolar.
Da mesma forma, um responsável que procura representantes públicos em busca de ajuda não deveria ser desencorajada a continuar cobrando seus direitos.
A questão precisa ser apurada e enfrentada pelos órgãos responsáveis.
Antes de responsabilizar os pais pelas faltas, é necessário resolver aquilo que está impedindo essas crianças de frequentarem a escola com regularidade e segurança.
O que elas esperam agora é que cada responsável pelo serviço público também cumpra a sua parte.
(73) 98180-9968





