Coluna Fogo no Parquinho — Quando o louvor encontra a política

A Coluna Fogo no Parquinho desta sexta-feira, 22 de maio, não quer de forma alguma criar atrito com o público evangélico da cidade, nem tampouco com a organização da festa do Dia do Evangélico ocorrido no dia 20. O objetivo é outro: relatar a essência desta foto. Nela, vemos o presidente da Câmara, vereador Dudu dos Tutas, e logo atrás o prefeito Fábio Gusmão — duas autoridades, duas razões diferentes para estarem ali.
Antes de mais nada, um salto no tempo: rodou pela cidade a informação de que a prefeitura teria negado serviços essenciais ao circuito da festa — manutenção de energia, entre outros. Por outro lado, já é público que Dudu, com suas artimanhas nos corredores do poder estadual, conseguiu trazer duas atrações para o evento, em articulação junto ao Governo do Estado e à AMEI.
Reclamações não faltaram. Muitos pastores e fiéis afirmaram que os R$ 30.000 repassados pela prefeitura “não dão nem para pagar o palco”. Pode até ser que o valor já tenha virado piada de corredor, mas não se pode negar: Dudu fez o serviço e impulsionou o Dia do Evangélico no município.
E ali estava o prefeito Fábio Gusmão. Presente, cumpriu sua função institucional — sentado, discreto, com um semblante que mais parecia o de quem se pergunta “o que eu estou fazendo aqui?”. A cena, registrada pela nossa redação, foi reveladora: Dudu louvando com entusiasmo, a primeira-dama também em devoção, e o prefeito observando em silêncio contemplativo.
Em outras edições do evento o prefeito chegou até a subir ao palco e recebeu orações públicamente. Desta vez, a organização fez questão de limitar as participações: menção à autoridade ok, convite ao púlpito não. Particularmente, achei uma escolha estranha — um evento com 27 anos de história merecia mais abertura para as lideranças locais.
A imagem, claro, gerou comentários de todos os tipos — críticas, defesas, picuinhas e aplausos. Na festa, havia mesmo o “fogo do Espírito Santo”: louvor, oração e pedidos de bênçãos. Cremos nisso. Mas naquele cantinho reservado às autoridades, onde se sentaram os titulares dos poderes mais cobiçados do município — Executivo e Legislativo — havia também um “Fogo no Parquinho” político, sutil, íntimo e bem captado pelas lentes.
É preciso lembrar: o ano é político, e tudo tem sua camada política. O Dia do Evangélico, por mais espiritual que seja, também é um evento que acabou se tornando palco — patrocinado, em partes, por políticos. E quando a fé encontra a política, o espetáculo tende a render cenas que, para quem observa com atenção (e um sorriso no canto da boca), valem uma boa crônica.
P.S.: Se alguém encontrar no evento um vereador que prometeu e cumpriu, ou um gestor que acenou e resolveu, por favor, avise. Aqui aplaudimos — e gostamos de boas surpresas.
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