Coluna do Lucas Sobrinho: Taxar ou isentar compras internacionais? O debate que voltou

Nos últimos meses, voltou com força no Brasil a discussão sobre a tributação de compras internacionais feitas em plataformas como Shein, Shopee e AliExpress. O governo apertou as regras para cobrar impostos nessas compras, principalmente nas de baixo valor, com a ideia de aumentar a arrecadação e proteger o comércio nacional.
Só que o resultado não foi exatamente o esperado. Com os produtos ficando mais caros, muita gente simplesmente parou de comprar. Isso fez o volume de compras cair — e, junto com isso, a arrecadação também não cresceu como o previsto. A expectativa era arrecadar cerca de R$ 8 bilhões por ano, mas estimativas indicam que houve uma frustração de algo entre R$ 2 bilhões e R$ 4 bilhões, além de impactos indiretos na economia.
Diante disso, o próprio governo começou a avaliar a possibilidade de voltar atrás em parte da medida e ampliar novamente a isenção para compras menores. A ideia é simples: se as pessoas voltarem a comprar mais, a economia gira e a arrecadação pode aumentar de forma natural.
Mas esse cenário abre uma reflexão mais profunda. Se o consumidor encontra um produto mais barato fora do país, por que ele deveria pagar mais caro por causa de uma barreira criada por imposto? Até que ponto essa intervenção protege a economia — ou apenas limita o poder de escolha das pessoas?
Uma visão mais libertária levanta justamente esse ponto: o mercado tende a se ajustar sozinho quando há liberdade. Quando o Estado interfere aumentando custos, ele não apenas arrecada — ele também muda o comportamento, reduz o consumo e, muitas vezes, cria distorções. Nesse caso, a tentativa de arrecadar mais pode acabar diminuindo o próprio fluxo de dinheiro na economia.
Por outro lado, existe o argumento de proteção ao comércio nacional, que também é válido. Empresas brasileiras enfrentam custos altos e precisam competir com produtos mais baratos de fora. O desafio está em entender se a solução é taxar o consumidor ou melhorar o ambiente para quem produz dentro do país.
No fim, o que esse debate mostra é algo simples, mas poderoso: aumentar imposto nem sempre significa arrecadar mais — e pode significar menos liberdade para quem consome. Talvez a pergunta principal não seja apenas quanto o governo deve arrecadar, mas até onde ele deve ir para fazer isso.
E aí fica a reflexão: em um mundo cada vez mais conectado, faz mais sentido controlar o consumo ou permitir que as pessoas escolham livremente como e onde gastar seu dinheiro?
*Por Lucas Sobrinho
(73) 98180-9968






