ELEIÇÃO 2022] Saiba quem é quem na 3ª via e o desempenho deles nas redes
Partidos buscam nomes para se contrapor à polarização entre Lula e Bolsonaro, mas desempenho no meio digital e nas pesquisas não empolga. Confira reportagem do portal Metrópoles que mostra o desempenho de articulação de possíveis candidatos de uma 3º via para presidente da república.
Ainda sem cara definida para as eleições de 2022, a chamada terceira via testa nomes proeminentes do cenário político em busca de uma candidatura que possa servir como alternativa à polarização entre o atual presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), favorito até o momento nas pesquisas.
Simone Tebet
A senadora Simone Tebet (MS) tende a ser o nome indicado pelo presidente nacional do MDB, Baleia Rossi (SP), para 2022. O nome da parlamentar venceu resistência da ala mais antiga do partido que defendia a volta de Michel Temer ao poder.
A desistência do ex-presidente para dar lugar à congressista foi selada com um encontro entre as partes e Rossi, em São Paulo. No Senado, Simone presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), foi a primeira mulher candidata à Presidência da Casa e lutou pela instalação de uma bancada feminina, da qual é líder atualmente.
A atuação de Simone na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 foi o que alavancou seu nome como possível candidata da terceira via. Apesar de não ser membro do colegiado, ela participa do trabalho representando a bancada feminina no Senado e se mostrou perspicaz ao questionar autoridades investigadas e testemunhas de um suposto esquema de corrupção na compra de vacinas pelo Ministério da Saúde.
Na última semana, a senadora obteve 1,3% das menções no Twitter. Dessas publicações, no entanto, só 39% tiveram cunho positivo enquanto 61% foram negativas. Tebet marcou um grau de confiança, ou seja, percentual de publicações que conotam esse sentimento de 26%. Isso pode pesar contra sua candidatura.
Rodrigo Pacheco
Presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) desponta como nome potencial para a terceira via. O senador mineiro (mas nascido em Porto Velho, Rondônia) ficou conhecido por pregar independência e harmonia entre os Poderes e pelo seu tom “apaziguador” e “conciliador”.
Sem dizer publicamente que será candidato, o parlamentar trabalha nos bastidores para se credenciar como alternativa ao Executivo em 2022. Para isso, estuda deixar o Democratas e filiar-se ao PSD.
O senador ainda aguarda as prévias de candidatura presidencial do PSDB. A definição dos tucanos servirá de parâmetro para que o presidente do Senado meça as reais chances de se apresentar como o candidato de maior potencial da terceira via.
O mineiro é conhecido por seu tom moderado e apaziguador. Pacheco também é um apoiador do governo Bolsonaro e, recentemente, chegou a se indispor com senadores que cobraram uma postura mais intransigente na defesa das prerrogativas parlamentares e contrária às tentativas de intimidação por parte de militares.
Pacheco obteve apenas 0,9% das menções no Twitter ao longo da semana. A confiança em Pacheco apareceu em 27% das mensagens. O presidente do Senado também conta com maior índice de mensagens negativas na rede: 58%. As outras 42% das publicações sobre Pacheco tiveram cunho positivo.
Sergio Moro
O ex-juiz federal e ex-ministro Sergio Moro é outro nome que circula como possibilidade para as disputas presidenciais. Diferente dos demais, a candidatura do ex-magistrado à Presidência ainda é tida como improvável, mas não está descartada.
Caso opte pela carreira política, Moro deve filiar-se ao Podemos. O partido é presidido pelo senador Álvaro Dias (PR), que concorreu à Presidência da República em 2018. Se as tratativas avançarem, Dias deve dar espaço ao ex-juiz, cujo nome tem apelo maior atualmente.
Ex-juiz responsável pela Lava Jato em Curitiba, Moro ficou conhecido por ter condenado Lula à prisão. Sua atuação rendeu um convite de Bolsonaro para que se tornasse ministro da Justiça e Segurança Pública, cargo que exerceu por pouco mais de um ano, até romper com o presidente sob acusações de uso político da Polícia Federal. Recentemente, Moro foi declarado suspeito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para julgar processos relacionados ao petista e teve todas as suas decisões contra Lula nos processos da Lava Jato anuladas.
De acordo com o levantamento da AP, grande parte das menções ao magistrado são negativas: 64%, contra 36% de citações positivas. O grau de confiança em Moro expresso em publicações do Twitter ficou em 27%. O ex-ministro obteve 1,8% das menções na última semana.
Eduardo Leite
O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, é apontado como o favorito para vencer as prévias do PSDB para 2022. Para isso, enfrenta forte concorrência do governador de São Paulo, João Doria. Caso as previsões se confirmem, Leite deverá ser o nome tucano para rivalizar com Lula e Bolsonaro. Com a ascensão do militar ao poder, o PSDB enfraqueceu-se e hoje disputa a terceira opção de votos dos eleitores.
Leite ganhou os noticiários e muita repercussão nas redes sociais ao se declarar gay.
A análise das menções de Eduardo Leite o apontam como candidato entre os presidenciáveis com maior volume de menções positivas no Twitter, mesmo que os elogios ainda venham em menor número que as críticas. Das publicações citando o tucano, 48% tiveram caráter positivo e 52%, negativo. Leite também apresentou o maior grau de confiabilidade: 35%. O número de citações do tucano, porém, permanece baixo. Na última semana ele obteve 1,6% das menções.
João Doria
O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), elege-se como apoiador de Bolsonaro e encerrará o mandato como um dos maiores desafetos do presidente. Doria e Bolsonaro viraram rivais políticos durante a pandemia da Covid-19.
O tucano discordou sobre a postura do chefe do Executivo no enfrentamento da crise sanitária e comprou briga com ele ao defender a produção, em solo nacional, da vacina chinesa Coronavac.
Até a volta de Lula ao cenário político, Doria era o candidato natural do PSDB à Presidência da República. Depois disso, o tucano avalia disputar a reeleição em São Paulo.
A análise das redes sociais mostra que Doria aparece com 1,1% de menções, 53% de menções negativas e 47% de citações positivas. O grau de confiança no governador ficou em 31%.
Luiz Henrique Mandetta
Ex-ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Luiz Henrique Mandetta despontou como um dos primeiro nomes potenciais para a terceira via, principalmente ao deixar a pasta por discordar da postura do presidente frente a maior crise sanitária da história do país.
Para concorrer à Presidência, Mandetta está disposto a brigar com seu partido, o Democratas. A legenda tem estreitado relações com Bolsonaro e reavalia se lançará candidatura própria ou se deve apoiar outro nome em 2022.
Após a saída do governo, Mandetta experimentou um período de maior notoriedade em defesa da ciência e em contraposição aos negacionistas do governo. Hoje, essa presença no noticiários e nas redes sociais esfriou.
O nome de Mandetta sofre resistência da ala bolsonarista e pena para decolar nas pesquisas eleitorais.
Ele tem sido pouco citado nas redes em comparação com os demais presidenciáveis. Na última semana, obteve 1,3% das menções. Destas, 75% tiveram um caráter negativo e 25% foram positivas. Entre os presidenciáveis monitorados, Mandetta foi o que obteve menor grau de confiança: 21%.